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Censura ou Justiça?

Israel está prestes a banir a palavra ‘nazismo’

Medo da banalização do Holocausto leva parlamentares israelenses a aprovar proposta de lei que tornaria crime chamar alguém de nazista ou qualquer outro insulto associado ao Terceiro Reich

Israel está prestes a banir a palavra ‘nazismo’
Termos como 'shoah', que se refere ao Holocausto, são usados por jovens para designar lugares bagunçados (Reprodução/Internet)

O Parlamento israelense aprovou  preliminarmente nesta quarta-feira, 15, um projeto de lei que tornaria crime chamar alguém de nazista — ou qualquer outro insulto associado ao Terceiro Reich — ou usar símbolos relacionados ao Holocausto de uma forma não educational. A pena seria uma multa de US$ 29 mil e até seis meses de prisão.

Os defensores da lei dizem que ela é uma resposta ao que eles veem como uma crescente onda de antissemitismo em todo o mundo, assim como a banalização de termos e gestos considerados antissemitas. Críticos dizem que a proposta de lei é uma violação perigosa à liberdade de expressão e que seria impossível de aplicar. Embora os oponentes da proposta também tenham ficados horrorizados com a recente aparição no Facebook de uma fotografia alterada do ministro das Finanças de Israel vestindo um uniforme da SS, com o uso de Estrelas de Davi amarelas por judeus ortodoxos que protestavam contra a ampliação do alistamento militar e com a comparação entre a forma como o governo trata imigrantes africanos e o que Hitler fazia, muitos sugerem que tais episódios devem ser enfrentados com uma campanha de conscientização pública, e não através da criminalização de expressões.

O projeto tem sido muito debatido e é o mais recente embate envolvendo o fato de Israel ser um Estado judeu, onde o Holocausto tem um significado especial, quanto um regime democrático, onde a liberdade de expressão é um princípio primordial e posições minoritárias estão protegidas.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e outros políticos rotineiramente invocam o Holocausto para fazer alertas contra a ameaça nuclear iraniana ou enfatizar que o povo judeu tem agora um exército para protegê-los. No entanto, os líderes também estão receosos de seu Estado ser visto simplesmente como uma resposta ao massacre de seis milhões de judeus, ressaltando que o movimento sionista antecede a Segunda Guerra Mundial e que a presença judaica em Israel remonta a milhares de anos.

Muitos judeus israelenses no ensino médio fazem peregrinações para Auschwitz e outros campos de extermínio. No entanto, os jovens também usam a palavra hebraica shoah — que literalmente significa catástrofe, mas é geralmente reservada para se referir ao Holocausto — para descrever um desastre cotidiano, como uma relação fracassada ou uma cozinha bagunçada.

O projeto de lei israelense está sendo debatido em meio a um alvoroço sobre a quenelle, um gesto que alguns veem como uma inversão de uma saudação nazista e que foi popularizada por um comediante francês considerado antissemita, Dieudonné M’bala M’bala. O gesto, segundo o comediante, é uma forma de apoio ao antissionismo e contra o sistema, mas não antissemita. Diuedonné se coloca contra Israel e a favor da Palestina.

Fontes:
The New York Times-Israel’s Efforts to Limit Use of Holocaust Terms Raise Free-Speech Questions
Trivela-Anelka, La Quenelle e o que isso tem a ver com nazismo

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