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Israel: um refúgio improvável para Muammar Khadafi

O coronel da Líbia tem simpatizantes em lugares inesperados

Israel: um refúgio improvável para Muammar Khadafi
Avó judia de Khadafi teria fugido com um xeique muçulmano (Reprodução/Economist)

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Se o coronel Khadafi estiver precisando de refúgio, ele deveria considerar a cidade israelense de Netanya. Membros de uma família israelense de origem líbia recentemente afirmaram que são parentes do coronel e que ele deveria pensar em fazer aliá (a viagem de retorno a Israel) e reivindicar cidadania israelense como qualquer judeu pode fazer sob as leis do país. Gita Boaron disse à TV israelense que ela compartilha uma bisavó com o coronel. “Ela fugiu do seu marido judeu com um xeique muçulmano”, explicou Gita. “Sua filha era a mãe do coronel Khadafi, tornando-o judeu sob a lei rabínica.”

Alguns teóricos da conspiração sugerem que a família Boaron quer mesmo é uma parte da herança que o coronel está levando consigo. Mas outros dizem que pode haver uma explicação mais sólida. “Judeus de Trípoli se lembram que Khadafi participou de um casamento judaico na década de 1960, muito antes de ele se tornar o líder do país”, argumentou Pedazur Benattia, fundador da Shalom Ou, um centro que promove a cultura judaico-líbia em Israel.

Em Netanya, uma cidade ao norte de Tel Aviv onde muitos dos 100 mil judeus de origem líbia se instalaram, a praça foi renomeada Khadafi Plaza em antecipação à chegada do coronel. “Apesar de tudo o que ele fez, Israel é a sua casa”, constatou Rachel, uma viúva de origem líbia em um dos cafés próximos à praça. “Afinal, ele é judeu”, disse ela. “Com seus cachos, ele se sentiria à vontade em muitas sinagogas líbias de Israel”.

A popularidade do coronel entre judeus de origem líbia é estranha, já que ele expulsou não-muçulmanos, católicos-italianos e judeus da Líbia e tomou suas propriedades. Mas os judeus líbios em Israel dizem que ele tem procurado expiar o radicalismo que endossava quando jovem. Em artigo publicado no New York Times em 2009, o coronel observou que “os judeus e muçulmanos são primos descendentes de Abraão. O povo judeu quer e merece a sua pátria”.

Outros membros da família Khadafi podem ter mantido a tradição judaica. Tabloides israelenses publicaram recentemente que Saif al-Islam, filho do coronel e seu presumido herdeiro,  namora até hoje a atriz de novelas israelense Weinermann Orly. Um bom número de inimigos do coronel na Líbia acredita nessas fofocas. Pichações com estrelas de Davi sobre suásticas decoram as paredes de Benghazi, o quartel-general dos rebeldes no leste. “Khadafi: agente do Mossad”, diz um dos banners.

Fontes:
Economist - Come and be an israeli

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1 Opinião

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Que má notícia! Agora vão usar o Kadafi como propaganda antisemita. Só faltava essa.

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