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Protesto

Jejum ‘alimenta’ desordem na Índia

Há maneiras melhores de frear a corrupção do que aquelas propostas por Anna Hazare. Da ‘Economist’*

Jejum ‘alimenta’ desordem na Índia
Movimento pró-Hazare se intensifica na Índia (Reprodução/The Economist)

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Do seu leito de jejum, no coração de Déli, um ancião frágil, vestindo um traje de algodão artesanal, canalizou toda a ira indiana contra uma série de casos de corrupção nos altos escalões, complicando a vida de todos os governantes.

Anna (“irmão mais velho”) Hazare diz que vai continuar sua greve de fome até que o governo corrupto aprove, palavra por palavra, uma lei criando uma Lokpal, uma nova e poderosa comissão anticorrupção – e ele estabeleceu o dia 30 de agosto como o prazo final.

O governo, liderado pelo Congresso de Manmohan Singh, já propôs a criação de uma Lokpal própria, mas Hazare afirmou que a proposta é fraca. Graças à mestria do seu teatro político, a legislatura desmoralizada indiana enfrenta um dos maiores impasses com seus eleitores desde, bem, Mahatma Gandhi.

Após revelações de escandalosos esquemas de corrupção, os indianos têm razão em se enfurecer. Ainda assim, Hazare e seus seguidores podem acabar causando mais problemas do que soluções. O homem não é nenhum santo e o seu movimento tem uma pitada de chauvinismo hindu.

O slogan do ativista — “Anna é Índia, Índia é Anna” — é um absurdo. Sua campanha tem uma veia nostálgica pela idade de ouro, antes da liberalização econômica, quando o governo era, segundo eles, limpo e honesto.

Este é um diagnóstico perigosamente errado. A corrupção existia antes mesmo da liberalização: o escândalo de Bofors nos anos 80 derrubou o governo. A liberalização econômica dos últimos 20 anos – em particular a desarticulação do “rajá da licitação” – reduziu sensivelmente o escopo da corrupção.

A cura proposta por Hazare é equivocada. A Índia já conta com burocratas anticorrupção que não lograram sucesso em sua tarefa. Criar outra enorme burocracia — no caso, uma Lokpal — não seria a solução.

Singh deveria apoiar os fins defendidos pelos seguidores de Hazare, mas desacreditar os seus meios. O poder dos Gandhis sobre a Índia não está fazendo bem ao país. Se a Índia quer fazer uma faxina no governo, ela precisa se livrar das oligarquias políticas.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The Economist - No modern-day Mahatma

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3 Opiniões

  1. Walter Senise disse:

    Em minha pequenisse, observo a situacao do otiente medio, do continente africano enfim a intromissao norteamericana en todos os conflitos, quer seja no Iraque, no Ira, na Palestina, no Afganistao, a balburia das bolsas de valores, cada vez nos arremetendo mais para uma grande crise mundial, a qual torna-se inevitavel. Fiquem muito atentos, nao sou e nunca pensei e, ser e tambem nao tenho geito para ser um profeta, mas sinto na carne que em muito pouco tempo, essa catastrofe irav se concretizar, e isso e um absurdo provocado pelo proprio homem. Que Deus nos proteja Amem. Sou de Varzea Grande Mato Grosso, com muito orgulho

  2. Helo disse:

    Walter,
    Talvez o mundo avance, mesmo com alguns retrocessos ou com protestos considerados equivocados na India. A farra nos governos, no mundo financeiro, a derrubada dos regimens tirânicos e luxuosos do Oriente Médio, vão aos poucos mudando a nossa percepção dos caminhos para viver melhor.Grandes idéias surgem em períodos de crise. A corrupção mais transparente trará aqui também um cuidado maior nos crimes com o dinheiro público. Parece que a faxina da Dilma tem sido aplaudida. Com isso vamos aprendendo que os meios para se atingir os fins tem uma importância maior atualmente. Quem viver, verá.

  3. Rogerio Faria disse:

    Já pensou se esta moda pega em terras Tupiniquins, as clínicas de emagrecimento e os hospitais que operam redução de estômago iam falir.

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