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O fim brutal da era Khadafi

Editorial do 'New York Times' critica comportamento dos rebeldes líbios, que teriam capturado Khadafi com vida antes de arrastá-lo, espancá-lo e matá-lo a tiros

O fim brutal da era Khadafi
Corpo de Kadhafi foi armazenado dentro do freezer de um shopping em Misrata (Reprodução)

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O ditador da Líbia, Muammar Khadafi, morreu como viveu — violentamente. Somos solidários com os líbios que sofreram por tanto tempo nas mãos do cruel ditador e estamos contentes que ele não poderá mais feri-los. Mas uma transmissão de vídeo horripilante da Al Jazeera –aparentemente mostrando Khadafi  sendo arrastado, espancado e depois, talvez, morto a tiros por homens armados — é profundamente preocupante.

Os líbios devem evitar mais represálias e canalizar sua paixão para a construção de um país unido, livre e produtivo. Senão, correm o risco de provocar ainda mais caos e sofrimento.

Khadafi poderia ter escolhido um final diferente. Depois que a Primavera Árabe chegou a Líbia, em fevereiro, e as forças rebeldes — apoiadas pela Otan — voltaram-se contra ele, líderes europeus e africanos tentaram negociar a sua saída, mas foram mandados embora.

Quando o governo de Khadafi foi deposto há dois meses, ele ainda assim recusou-se  a ceder o poder.  Khadafi fugiu para a sua cidade natal de Sirte e reuniu seus partidários para continuar lutando – mesmo quando ficou claro que tudo o que iria acontecer seria mais morte e destruição. Os rebeldes finalmente assumiram o controle total da cidade, na quinta-feira, 20. 

O  governo interino da Líbia prometeu construir uma democracia em  um país que nunca teve um governo plural e multipardiário. Há uma enorme quantidade de trabalho pela frente e não há tempo a perder.

Mahmoud Jibril, o primeiro-ministro interino, deve deixar claro que o pior dos capangas de Khadafi ou será entregue à Corte de Haia ou enfrentará um julgamento justo na Líbia. Aqueles que não cometeram crimes graves devem ser encorajados a participar na construção de uma nova Líbia.

O governo deve agir rapidamente para criar um exército liderado por civis e uma força policial para garantir ordem e segurança. Deve convencer poderosas milícias regionais a se dissolverem ou se submeterem ao  controle do governo central, e deve confiscar milhares de armas- – incluindo poderosos mísseis — que desapareceram. O CNT precisa revigorar a indústria do petróleo e começar a construir um sistema judicial funcional.

Jibril afirmou que, com a morte de Khadafi, o país pode começar a organizar as suas primeiras eleições reais para eleger um conselho nacional no prazo de oito meses. Os processos de registro de candidatos e eleitores devem ser transparentes. Seria sensato expandir o conselho interino para incluir antigos políticos leais a Kadafi, assim como algumas mulheres, como um sinal de que todos os líbios farão parte deste novo empreendimento.

No início desta semana, em uma visita a Trípoli, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton disse que os Estados Unidos irão enviar 40 milhões de dólares para ajudar a Líbia a confiscar armas. Os EUA também estão oferecendo ajuda para cuidar dos feridos de guerra e treinar profissionais da sociedade civil. A Grã-Bretanha e a França também prometeram ajudar. Mais do que dinheiro — graças ao petróleo, a Líbia é rica – o país precisará de  assessoria técnica e apoio logístico.

Estas sempre foram as metas da luta do povo líbio. Mas os Estados Unidos e a Europa também foram vítimas do terrorismo de Khadafi e podem sentir alívio e satisfação por terem ajudado a acabar com o seu espetáculo de horror. Agora eles têm de encorajar os  líbios a construírem uma democracia estável e pacífica.

Fontes:
New York Times - Colonel Qaddafi’s End

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1 Opinião

  1. Oladir Dias Machado disse:

    Lá se foi à era Khadafí
    Não faz muito tempo, o noticiário tomava conta de que Os protestos dos tunisinos resultaram na queda do Presidente Ben Ali. Agora, toma conta do fim da era Khadafí. Protestos e mais protestos, levaram os líbios as ruas a manisfestar-se contra o ditador Muammar Khadafí. Um ditador cruel, violento, que recusava a ceder o poder de qualquer forma. Khadaf´foi deposto há dois meses, fugiu para a sua cidade natal de Sirte, continuando a lutar para permanecer no poder. Com a invasão dos rebeldes a cidade de Sirte, não dava outra!… Ficou claro do que iria acontecer! Nada mais, nada menos, do que mortes e destruição. Khadafí não desistia!… Os rebeldes líbios capturaram Khadafi com vida, arrastou-o, espancou-o e matou-o a tiros. Morreu como viveu — violentamente. Aos líbios que sofreram com a crueldade do ditador, a nossa solidariedade.

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