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Memórias do subsolo londrino

Tem alguma coisa podre nos esgotos de Londres

Memórias do subsolo londrino
A rede de esgoto de Londres foi projetada por Joseph Bazalgette (Reprodução/Getty)

O sistema de esgoto de Londres foi um dos grandes projetos de engenharia da era Vitoriana. A rede de 21 mil quilômetros, projetada por Joseph Bazalgette, ajudou a acabar com a cólera e tornar a capital habitável e bem cheirosa. Foi feita para durar: os esgotos foram construídos para uma população quase duas vezes maior do que a daqueles tempos. Mas 150 anos depois, três vezes esse número de pessoas vive em Londres, e há menos plantas para absorver a chuva. Esgoto e escoamento descem pelo mesmo sistema, que está cheio a ponto de explosão.

E então ele explode. O projeto de Bazalgette incluía uma válvula de segurança: quando muitos dejetos entram no sistema, o esgoto bruto sai pelo rio Tâmisa. Essa circunstância supostamente excepcional agora acontece em média uma vez por semana. Dois milímetros de chuva em uma hora podem ocasionar uma dessas explosões; 39 milhões de toneladas de lodo não tratado é depositada no rio todo ano, diz a Thames Water, a firma responsável pelo abastecimento de Londres. Porque o Tâmisa é sujeito à variação da maré, pode levar até quatro semanas até a sujeira chegar ao mar.

Em 2005 uma comissão independente propôs uma solução. Um esgoto gigante de 7,2 metros de largura correndo debaixo do rio, conhecido como o Túnel Tâmisa, interceptaria quase todos, com a exceção de dois, dos mais poluentes excessos e os mandaria para o leste de Londres para tratamento. Túneis parecidos existem em Milwaukee e em Portland, Oregon. A Thames Water adotou o esquema. A companhia espera começar a escavação em 2013 e terminar em 2020.

Fontes:
The Economist - A busted flush

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