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Mídia internacional especula se gravidez de Carla Bruni pode ajudar Nicolas Sarkozy a se reeleger

No início deste ano, a aprovação de Sarkozy ficava em torno de míseros 21%. A gravidez poderia passar a imagem de um homem de família e protetor em um momento politicamente oportuno. Por Fernanda Dias

Mídia internacional especula se gravidez de Carla Bruni pode ajudar Nicolas Sarkozy a se reeleger
A gravidez de Carla Bruni pode humanizar a imagem de Sarkozy e criar um vínculo emocional com os franceses

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Desde que aumentaram os rumores sobre a gravidez da primeira-dama da França, Carla Bruni, a mídia internacional começou a especular se a gestação poderia beneficiar o presidente Nicolas Sarkozy nas próximas eleições, quando ele deverá tentar a reeleição. No início deste ano, a aprovação de Sarkozy ficava em torno de míseros 21%. Além disso, o fato de ele ter se separado de sua mulher, Cecilia, e apenas quatro meses depois ter se casado com Bruni – que certa vez declarou que a monogamia a entediava -, desagradou os conservadores. Mas, uma gravidez poderia passar a imagem de um homem de família e protetor em um momento politicamente oportuno.

A não-oficial confirmação da gravidez surgiu quando o próprio pai do presidente, Pal Sarkozy, deixou escapar ao tabloide alemão “Bild” que o casal ainda não sabia o sexo do bebê (chamado de o pior segredo guardado na Europa). A mãe de Carla Bruni também confirmou a gravidez a amigos durante um jantar, segundo o jornal. O “anúncio” chegou à França logo após a prisão do então chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e principal adversário do presidente para as eleições de 2012, Dominique Strauss-Kahn, acusado de abuso sexual e tentativa de estupro por uma camareira de um hotel nos Estados Unidos. Em uma pesquisa divulgada no início de maio, antes do escândalo, Sarkozy sequer chegaria ao segundo turno se enfrentasse Strauss-Kahn no primeiro turno.

“Isso cheira a um plano de comunicação para mim”, disse Arnaud Mercier, professor de comunicação política da Universidade de Metz, em entrevista ao jornal britânico “The Telegraph”. “Os sogros anunciarem a notícia no mesmo dia… Não pode haver dúvida ou coincidência possível”, completou.

A próxima campanha eleitoral francesa vai esquentar em outubro, na mesma época em Bruni deverá dar a luz. Embora esteja claro, para muitos articulistas, que a gravidez foi convenientemente programada, apenas alguns chegaram a insinuar que se trata de uma jogada de publicidade. A colunista Anne Perkins escreveu recentemente no “The Guardian” que o casamento de Sarkozy é “um exercício de vaidade que deixa apenas os mais crédulos supondo que a gravidez é um acidente feliz”.

Já o historiador especialista em política e mídia e autor do livro “Une histoire de la séduction en politique” (Uma história de sedução na política, ainda sem edição em português), Christian Delporte, foi mais cauteloso sobre a intencionalidade da gravidez. Em entrevista à revista francesa “Le Point”, ele afirmou que o “timing é perfeito”, mas questionou se “seremos capazes de colocar o assunto dessa maneira”: “Será que vamos dizer cinicamente que talvez isso tudo seja feito de propósito para a campanha? É muito difícil inferir cruamente. Em nossa sociedade, uma criança, uma gravidez são sagrados”.

Delporte disse acreditar que a gravidez de Carla Bruni possa humanizar a imagem de Sarkozy e permitir-lhe criar um vínculo emocional com os franceses. Para ele, o mesmo efeito pode acontecer com a primeira-dama, hoje tida por muitos como inteligente e bonita, mas fria e distante dos franceses. Além disso, segundo ele, a cobertura da mídia sobre os eventos relacionados à gravidez acabará se sobrepondo à repercussão das brigas do União para um Movimento Popular (UMP), partido de Strauss-Kahn, que terá que se unir em torno de um outro nome para disputar a eleição.

Os rumores da gravidez, por enquanto, parecem não alterar significativamente as pesquisas. Mas com a implosão do escândalo envolvendo Strauss-Kahn, as perspectivas do presidente francês à reeleição em 2012 melhoraram. Para o jornal canadense “Macleans”, mesmo com a gravidez da mulher, Sarkozy terá que trabalhar duro para superar a sua imagem de um líder ineficiente, que não foi capaz de revitalizar a economia francesa como havia prometido.

Se Carla Bruni estiver mesmo esperando um filho, Sarkozy será o primeiro presidente francês a se tornar pai durante o exercício de suas funções. No país, algo semelhante só aconteceu com o então primeiro-ministro Alain Juppe, que teve seu terceiro filho em 1995, enquanto estava no poder. Mas, pelo mundo, o fato de ser pai buscando ocupar o mais alto cargo do país não é tão incomum assim: durante a campanha de John Kennedy, em 1960, sua mulher, Jacqueline, estava grávida. O marido não revelou o fato de imediato, mas depois o abordou plenamente. Mais recentemente, os primeiros-ministros britânicos Tony Blair e David Cameron foram pais no exercício do mandato, e assim como Carla Bruni, suas mulheres tiveram uma gravidez considerada tardia.

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3 Opiniões

  1. Hugo Victoriano disse:

    Olha que boa dica européia: se a Presidenta Dilma ficasse grávida, aumentaria muito sua aceitação neste momento de transição pelo qual passa seu partido.

    Os militantes do PT certamente farão este gesto que muito dignificará a ocupante do cargo.

    Há, entretanto, uma recomendação geral para que militantes do PT não procriem, para o bem do país, mas abriremos uma exceção no caso da Presidenta Dilma.

  2. Glória Drummond disse:

    Apesar de todas as ilações políticas de quem especulou a irrelevância desse assunto,no atual panorama da França, da Comunidade Européia, acredito que a bela Carla Bruni não se prestaria ao papel de levantar a imagem de Sarkosy.

    Carla Bruni não é Jacqueline Kennedy, a mulher de Blair ( tão insignificante que nem mesmo certeza tenho que se chama Patty) e muito menos a nossa linda e gordinha Marcela Temer( esta , sim!…com a sua extrema juventude, passividade, poderia encher os berços de pimpolhos, caso Temer chegasse ao trono do Brasil ).

    Carla Bruni é uma mulher culta, rica, conquistou seu espaço como modelo, cantora, é anti-monogamia, feminista na prática e já deve estar saturada da feiura, falta de charme e de posições políticas do atual presidente da França.

    Há muito e muito os herdeiros ao trono, seja ele de origem divina ou com base no voto, deixaram de contar pontos a quem tem o poder ou nele deseja perpetuar-se. Se Carla Bruni resolveu ficar grávida, acredito que seja mais por imposição do seu relógio biológico, consciência dos dividendos da maternidade para a mulher. Sarkozy é apenas um vetor legal, com certo peso, mas desnecessário ao seu perfil de mulher independente.

  3. Helio disse:

    Filhos de presidente dão muito trabalho. Custam um dinheirão aos cofres públicos. Isso aqui no Brasil. Quanto a França, aceito a argumentação da Glória

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