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combatendo a Farc

Missões secretas na Colômbia

Com ajuda de inteligência e tecnologia do governo americano, a Colômbia vem lutando contra as Farc e parecem não querer voltar atrás

Missões secretas na Colômbia
Dia 15, a Farc deu um cessa-fogo unilateral (Reprodução/Internet)

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tem cinquenta anos de ação, e uma vez considerada uma das organizações mais fortes do mundo, está numa posição das mais vulneráveis ​​em décadas. E parte isso se deve a um programa de ação secreta da CIA que ajudou o governo da Colômbia a matar pelo menos duas dúzias de líderes das Farc,  e foi confirmado por entrevistas com mais de 30 funcionários ativos e reformados americanos e colombianos.

A ajuda americana incluiu um suporte substancial de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA), e é financiada através de um orçamento negro multibilionário. Não é uma parte dos US$ 9 bilhões públicos do pacote de ajuda militar dos EUA  chamado Plano Colômbia, que começou em 2000. O programa da CIA  foi autorizada pelo presidente George W. Bush e continuou no governo do presidente Obama, de acordo com militares americanos e funcionários diplomáticos. A maioria dos entrevistados falou sob condição de anonimato porque o programa é classificado como secreto e em curso.

O programa oferece dois serviços essenciais para a guerra contra as Farc e um grupo insurgente menor, o Exército de Libertação Nacional (ELN ): inteligência em tempo real que permite as forças colombianas caçarem os líderes das Farc individualmente, e a partir de 2006, um instrumento particularmente eficaz para matá-los.

Essa arma é GPS de US$ 30 mil, que transforma uma bomba barata e comum em uma de alta precisão. Bombas inteligente, também PGM (precision guide munitions) são capazes de matar uma pessoa bem no meio de uma selva, se sua localização puder ser determinada e programada no aparato.

Hoje, uma comparação entre a Colômbia, com sua economia vibrante, e o Afeganistão pode parecer absurda. Porém, pouco mais de uma década atrás, a Colômbia tinha a maior taxa de homicídios do mundo. Bombardeios aleatórios e táticas militares violentas permeavam a vida diária da população. Cerca de três mil pessoas foram sequestradas em um ano. Professores, ativistas de direitos humanos e jornalistas suspeitos de serem simpatizantes das Farc rotineiramente apareciam mortos. Quase um quarto de milhão de pessoas morreram durante a longa guerra, e muitos milhares desapareceram.

As Farc foram fundadas em 1964 como um movimento camponês marxista à procura de terras e da justiça para os pobres. Em 1998, o presidente da Colômbia Andrés Pastrana, tentou dar às Farc uma zona desmilitarizada para fazer negociações , mas seus ataques violentos só cresceram, assim como as suas ligações com o tráfico de drogas. Em 2000, assassinou políticos locais eleitos,  sequestrou um candidato presidencial e tentou matar um dos favoritos presidenciais, o linha-dura Alvaro Uribe, cujo pai tinha sido morto pelas Farc em 1983.

Temendo Colômbia se tornaria um Estado falido com um papel ainda maior no tráfico de drogas para os Estados Unidos, a administração Bush criou o Plano Colômbia. Hoje, as negociações na Colômbia parecem tensas. Em 15 de dezembro, as Farc disseram que iriam dar 30 dias de cessar-fogo, como sinal de boa vontade durante a época de natal. O presidente  Juan Manuel Santos, porém, rejeitou o gesto e prometeu continuar sua campanha militar. Mais tarde, no mesmo dia, as forças de segurança mataram um guerrilheiro implicado em um ataque a bomba em um ex-ministro. Na última sexta, 20, foram mais cinco mortos pelo exército.

 

Fontes:
The New York Times-Cover Action in Colombia

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3 Opiniões

  1. André Ricardo Cruz Fontes disse:

    As Farc não são um problema colombiano: são um problema mundial! Deveria haver uma resolução da Organização das Nações Unidas contra as Farc e uma providência única e internacional contra elas. Todos os países, em coro, deveriam atuar conjuntamente contra essa verdadeira praga! Todos os países reunidos deveriam colaborar para que as Farc fossem extintas. Curiosamente quem ajuda são os Estados Unidos da América, o país que historicamente mais agrediu a Colômbia, ao recusar os termos nacionais para a construção do Canal do Panamá, e reagido mal, ao promover a secessão do istmo e usar sua poderosa Marinha de guerra para impedir que a Colômbia mantivesse a ordem e a unidade nacional no que hoje é irreversivelmente o Panamá. As Farc acabam por justificar com seus ataques à Colômbia a intervenção dos Estados Unidos na região mais desmilitarizada do mundo (a América do Sul) com o Plano Colômbia – um modelo “de tipo exportação”.

  2. Luis Barati Silva disse:

    Os americanos (o mesmo povo que inventou o refino da coca) foram para a Colômbia, e em parceria com um governo corrupto classificaram de narcotraficantes e terroristas um povo que, em sua maioria, nunca saiu de suas terras, e faz o mesmo que seus antepassados, há vários milênios: plantam Coca e guerreiam contra seus inimigos. São uma ameaça para o mundo.

  3. Ezequiel DOmingues dos Santos disse:

    Não foi Clinton que promoveu o Plano Colômbia?

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