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América Latina

Mulheres avançam na política, mas homens mantêm poder econômico

Apesar de eleger várias líderes mulheres, a região ainda tem grandes disparidades econômicas, com claras diferenças de renda entre homens e mulheres

Mulheres avançam na política, mas homens mantêm poder econômico
Bachelet foi reeleita no Chile no último domingo, 15 (Reprodução/Internet)

O Chile escolheu, no domingo, 15, sua presidente: Michelle Bachelet. O principal adversário na disputa era Evelyn Matthei, outra mulher. Isso revela que a América Latina está avançando na capacitação de lideranças femininas na política.

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Das cerca de 29 mulheres no mundo que foram alçadas à presidência de seus países desde a década de 1970, oito estão na América Latina. Hoje, há três mulheres  na região ocupando o principal cargo do Executivo. No Brasil e na Costa Rica, Dilma Rousseff e Laura Chinchilla estão encerrando seus mandatos como as primeiras mulheres presidentes de seus países. Na vizinha Argentina, Cristina Kirchner está em seu segundo mandato. No Caribe, Portia Simpson-Miller é a primeira-ministra da Jamaica, a maior ilha de língua inglesa do Caribe, e Kamla Persad-Bissessar é a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, o maior exportador de petróleo e gás natural do Caribe.

Conquistas na política não se refletem na sociedade

Ainda assim o sexismo persiste arraigado em toda a América Latina, com claras diferenças de renda entre homens e mulheres e nos cargos de liderança executivas de empresas, ainda amplamente dominados por homens. “Há muita hipocrisia”, disse Marta Lagos, diretora de uma instituição chilena de pesquisas de opinião que atua em toda a América Latina. “Os homens geralmente não se incomodam que  as mulheres tenham poder político, contanto que eles mantenham o poder econômico”.

A diferença de renda entre homens e mulheres no Chile é grande, com homens ganhando, em média, cerca de US$ 1.172  mês, e as mulheres cerca de US$ 811, de acordo com uma pesquisa de emprego deste ano realizada pela Universidade do Chile. Nenhuma nação na América Latina alcançou a paridade de gênero no governo, e estudiosos dizem que os avanços das mulheres no poder público poderia ser facilmente revertido. A representação geral nos parlamentos continua a ser baixa, mesmo em países como o Brasil, onde Dilma nomeou mulheres para uma série de postos ministeriais e apoiou a nomeação de uma mulher para chefiar a estatal Petrobras.

No entanto, vale destacar que o continente americano já tem a segunda maior média regional de mulheres em câmaras do mundo, cerca de 24%, ficando atrás apenas da Escandinávia e outros países nórdicos da Europa. Tais avanços são em parte o resultado de cotas. A Argentina foi pioneira em tais medidas no início de 1990, criando uma lei que estabelece que 30% dos candidatos legislativos devem ser mulheres. Mais de uma dúzia de países têm leis semelhantes.

 

 

Fontes:
The New York Times-On Election Day, Latin America Willingly Trades Machismo for Female Clout

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