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China

Nada de diversão televisiva

Governo chinês combate 'excesso de entretenimento' no horário nobre televisivo

Nada de diversão televisiva
'Super Girl': democracia ao estilo chinês

Como em qualquer lugar do mundo, os executivos das emissoras televisivas chinesas debatem constantemente o panorama da mídia, a competição da internet, e a viabilidade de seus modelos de negócios. Agora, eles têm uma nova preocupação: como tornar seus produtos do horário nobre menos divertidos.

De acordo com uma lei que entrou em vigor no dia 1º de janeiro, as 34 estações de TV por satélite da China deverão limitar o “entretenimento excessivo” e o conteúdo “vulgar”. Isso significa fazer cortes grandes em seus mais populares, baratos, e lucrativos programas. Super Girl, um concurso de cantores imensamente popular está fora do ar, já que o governo o acusou de ser excessivamente longo, e de envenenar a juventude.

A ordem limita o que as emissoras podem colocar no ar entre 19h30 e 22h. Esse período, conhecido na China como “Tempo Dourado”, agora deve incluir dois noticiários de meia hora, e não mais de 90 minutos de programas leves que as centenas de milhões de espectadores do país aprenderam a amar. A lista inclui jogos, novelas, competições românticas, e concursos de cantores – um dos raros casos nos quais o público chinês tem a chance de votar em seu favorito. Sob a pressão do governo, o número de programas como esses caiu de 120 para menos de 40 por semana.

Comparado com o que é oferecido em muitos outros países, a programação da TV chinesa é um tanto comedida. Espectadores em busca de sexo, nudez, violência ou linguagem chula perderão seu tempo. Ainda assim, o setor – incluindo o rádio – teve um aumento de 25% nas receitas em 2010, chegando a 210 bilhões de yuans.

Os esforços para tornar a TV mais entediante fazem parte da campanha de reforço cultural no ano da sucessão de liderança (algo que somente acontece uma vez por década). O atual presidente, Hu Jintao, recentemente alertou para o perigo de forças estrangeiras, que estariam usando a cultura e a ideologia para “ocidentalizar” e dividir a China, e os novos líderes prometem ser igualmente vigilantes.

Fontes:
The Economist - Let me (not) entertain you

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5 Opiniões

  1. Geferson Alves disse:

    É louvável o governo incentivar programas mais nobres para os horários nobres. Porém obrigar – atropelando a “psicodiversidade” e livre arbitro – é ditadura, ou pior que isto, é assédio político/cultural.

  2. Elaine Amaro Leite disse:

    Nao vejo a atitude do governo chinês como dura demais ou antidemocrática, para mim é bastante positiva. O que eles visam é manter a disciplina e a seriedade social. Alguns programas da tv brasileira sao asquerosos, nocivos, infames.
    Ainda há tempo de educar as novas geracoes promovendo cortes e censuras positivas com o intuito de melhorar a educacao no aspecto familiar e escolar (há familias que almocam e jantam com a TV ligada!!!).
    Há que vomitar profundamente para arrancar tanto lixo da nossa mente.
    obs. perdao a alguns erros gramaticais,meu teclado nao coincide com o portugués.

  3. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Na minha opinião o que ocorre na China também ocorre nos paises com regimes “democráticos” de uma forma mais sutil e hipocrita, os grandes monopolios da mídia no Brasil só despejam em nossos lares o que eles querem e aquilo que a eles interessa, será que estou errado?.

  4. Carlos de Morais disse:

    É isso aí, Elaine, parabens. Os criticos das medidas chinesas se esquecem de olhar ao seu reddor e sentir a desnacionalização de nossa cultura. Olá, geferson, explica aí o que é
    “psicodiversidade”. Seria deixar se espalhar a musica norteamericana, em detrimento de nossa musica popular? Seria mostrar às crianças que a disneilandia é mais importante do que nossas belezas naturais? Seria ainda difundir mentiras e distorções de nossa realidade, pela midia atrelada a multinacionais? OU… OU….

  5. ney disse:

    O governo brasileiro devia seguir este exemplo e limitar o big brother a fazenda o futebol, etc..

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