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Netanyahu cada vez mais isolado

Israelenses e palestinos criticam a inércia do premier nas negociações pela paz no Oriente Médio

Netanyahu cada vez mais isolado
Netanyahu tem se mostrado apático sobre os acordos de paz (Reprodução/Internet)

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Tzipi Livni, a líder do partido israelense de oposição Kadima, diz que Binyamin Netanyahu, o primeiro ministro, não tem intenções sérias de negociar a paz com os palestinos. Ele não está preparado, ela diz, para fazer as concessões que a paz implicaria. Ao invés disso, ela acredita, ele vê a si próprio como um homem em uma obstinada missão de salvar seu país da ameaça de um Irã com armas nucleares. “Você não vai querer me ouvir”, Livni o criticou no Parlamento de Israel no dia 31 de outubro. “Mas ouça seus chefes de Defesa. Preste atenção no que dizem sobre os palestinos e comece a negociar. E ouça eles sobre a ameaça iraniana também.”

Essa última foi uma referência rara, ainda que enigmática, a um assunto que normalmente só é discutido através de sussurros: os planos de contingência de Israel para bombardear as instalações nucleares do Irã. O apelo de Livni para que o primeiro ministro ouvisse seus especialistas em segurança parece ter confirmado os relatos de que seus principais líderes militares e chefes do passado e do presente do Moussad, o serviço de inteligência de Israel, se opõem a um ataque israelense, o consideram arriscado demais e, por fim, ineficiente. O presidente Shimon Peres também se opõe a uma intervenção militar.

A declaração de Livni de que Netanyahu tem se mostrado apático em relação aos acordos de paz remete aos sentimentos dirigidos aos israelenses no dia 28 de outubro pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas. Em uma entrevista na televisão israelense, ele disse que estava pronto para concordar com “o fim do conflito, o fim dos apelos”. Há muito tempo é uma das demandas de Israel que os palestinos, em qualquer acordo, devem renegar categoricamente qualquer plano futuro de reabrir questões de território.  Ele ressaltou que Netanyahu, em contraste, estava exigindo que as tropas israelenses permanecessem em partes da Cisjordânia por mais 40 anos. “Nesse caso, eu disse para ele, Ee prefiro a ocupação”, rebateu Abbas.

Abbas foi enfático em confirmar que tinha chegado “muito perto” de um acordo com o predecessor de Netanyahu, Ehud Olmert, que teve que renunciar em 2009 devido a alegações de abuso de poder financeiro. Os dois estavam negociando os detalhes das trocas de terras com base em acordos equilibradao “Se for acontecer desse jeito, eu estou pronto”, disse Abbas. “Se [Olmert] tivesse permanecido [no posto] por mais dois ou três meses, nós teríamos um acordo”.  Mas “Olmert desapareceu… e esse homem [Netanyahu] veio, e desde então nada aconteceu.”

Fontes:
Economist - One side gets even lonelier

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2 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    Pelo histórico não há duvidas que Israel não quer negociar paz com ninguém. Este Estado só conhece a linguagem da força. Só ha ódio e ressentimento em seus representantes.
    Tenho muita pena dos Palestinos. Só Irã e Turquia para “bater de frente”. O Irã precisa urgente de seu poder retaliador nuclear, senão a paz no Oriente Médio jamais vai chegar.
    Enquanto só Israel tiver arsenal nuclear e a ajuda da Agência Central do Terrorismo (CIA), a paz na região continuará um sonho.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    O discurso de Netahyahu no Congresso americano, foi uma clara demonsração de que a política dos EEUU para o Oriente Médio, é ditada por Israel.

    Diante de um circo armado especialmente para ele, era ovacionado a cada dieia exposta: as mesmas de sempre, sem a mínima novidade.

    Assegurou que o maior amigos dos EEUU era Israel e que o maior amigo de Israel eram os EEUU. A plateia, planejadamente composta por “israeletes” deslumbradas, explodiu em aplausos. Os ataques ao Irã, verdadeiro motivo do discurso, provocaram histeria. Que gracinha!

    Na sequência, o discurso do Barack “Obanana” soou como o de um súdito, a ratificar as afirmações do Rei. Que vergonha!

    Os efeitos do circo, perante o Mundo, não foram os esperados, nem mesmo em Israel.

    A propósito,conforme divulgado recentemente na Mídia, Presidentes “ocidentais” já estão com o saco cheio do Netanyahu. Em meio a tanta crise econômica, o cara só quer saber de guerra.

    A China e a Rússia agradecem.

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