Início » Brasil » Política » O dilema de Hugo Chávez
Venezuela

O dilema de Hugo Chávez

Se recuperando de um câncer, presidente venezuelano evita buscar um sucessor, e corre o risco de não conseguir a reeleição em outubro

O dilema de Hugo Chávez
Elías Jaua (à esquerda de Chávez) foi desligado do governo e deve concorrer nas eleições regionais

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Nada parece atrapalhar mais a paz de Hugo Chávez, presidente da Venezuela desde 1999, do que a possibilidade de ascensão de um rival dentro das fileiras de sua Revolução Bolivariana. Seu recente tumor cancerígeno, extirpado pelos médicos cubanos em junho do ano passado, levantou entre a população venezuelana a delicada questão sobre sua sucessão. Em outubro ele buscará um novo mandato numa eleição a qual, de acordo com recentes pesquisas, ele pode perder. As atenções em Caracas começaram a se voltar para Nicolás Maduro, ministro das Relações Exteriores. Mas ele rapidamente foi ofuscado.

Em discursos durante o Natal, Chávez reorganizou seu grupo de companheiros de comando. Os “burgueses”, diz ele, viam Maduro, um ex-motorista de ônibus e líder sindical, como um possível sucessor. Mas para o presidente, ele se parece mais com um governador estadual. “É uma premonição que tenho”, declarou o presidente. “Vejo Maduro como o governador de Carabobo”, uma populosa e politicamente importante província próxima à capital, e atualmente comandada pela oposição. Também foram deixados de lado o vice-presidente Elías Jaua, e o ministro do Interior, Tareck El Aissami. Ambos, juntamente com o ministro da Defesa, o General Carlos Malta Figueroa tentarão tirar estados importantes das mãos da oposição nas eleições regionais, em dezembro.

O grande vencedor neste cenário é Diosdado Cabello, um ex-vice-presidente que caiu em desgraça depois de perder uma reeleição no estado de Miranda em 2008. Cabello, que em seus dias de tenente participou de uma fracassada tentativa de golpe liderada por Chávez em 1992, foi nomeado primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido Venezuelano (PSUV), e presidente da Assembleia Nacional, o que fez de Jaua, Maduro e El Aissami, seus subordinados. Francisco Ameliach, outro ex-militar, e aliado de Cabello, ficou encarregado da organização partidária e da estratégia eleitoral.

Cabello, aliado ou ameaça?

Ao colocar as estruturas do partido nas mãos de Cabello, Chávez sinalizou sua dependência na ala militar de seu movimento. Os contemporâneos de Cabello no Exército se tornaram coronéis e generais. Ninguém, nem mesmo o presidente, compreende a interação entre a política, as Forças Armadas, e o mundo dos negócios, tão bem quanto Cabello. Isso faz dele um aliado crucial, e uma possível ameaça a Chávez.

Chávez precisa encontrar uma maneira de retomar o controle de seus planos políticos. A oposição, mais unida do que nunca, deve escolher seu candidato numa primária no dia 12 de fevereiro, e os potenciais candidatos estão em campanhas enérgicas, enquanto o presidente ainda se recupera de seu câncer. O exercício democrático da oposição deixa o PSUV numa situação desconfortável, já que seus candidatos são escolhidos pelo alto escalão do partido.

Ao invés de substituir os ministros desligados, Chávez disse que eles perderão seus empregos nas próximas semanas, o que sugere que ele pode estar à espera de desenvolvimentos em ambos os lados. Para um homem tão preocupado em projetar uma imagem de força, essa hesitação é um tanto inusitada. Chávez se recuperou muitas vezes no passado. Mas ele não é mais uma figura invulnerável.

Fontes:
The Economist - Chávez shuffles the pack

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *