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CÁUCASO

O homem que mudou a Inguchétia

Yunus-Bek Yevkurov conseguiu pacificar região turbulenta do oeste russo, mas enfrenta problemas com serviços de segurança

O homem que mudou a Inguchétia
Yunus-Bek Yevkurov

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Há pouco mais de dois anos, a Inguchétia, a menor e, tradicionalmente uma das mais pacíficas repúblicas do norte do Cáucaso, enfrentava um estado de guerra civil. Rebeldes armados ganhavam cada vez mais força e simpatia; policiais de trânsito desapareciam ao entardecer, temendo por suas vidas; os serviços de segurança sequestravam civis, e com frequência os executavam com frieza. Quando Magomed Yevloyev, o dono de um influente website de oposição foi raptado e baleado por um guarda do ministério do interior dentro de uma viatura policial, a Inguchétia entrou em ebulição.

No dia 30 de outubro de 2008, Dmitry Medvedev, em uma das melhores decisões de sua gestão, decidiu remover Murat Zyazikov, o ineficaz presidente da Inguchétia, e ex-general da KGB. Pessoas comemoraram dançando nas ruas quando ele foi demitido. Seu substituto foi um militar pouco conhecido chamado Yunus-Bek Yevkurov, que lutara na Chechênia e comandara as forças de paz da Rússia em Kosovo em 1999.

Yevkurov visitou o pai de Yevloyev, se oferecendo para trabalhar com a oposição política e convocar a população a ajudar na estabilização da república. Ele também pediu a parentes dos rebeldes que ajudassem a trazê-los de volta para casa, prometendo um tratamento justo, ao invés de manter suas famílias como reféns para forçar uma rendição.

Dois anos mais tarde, a Inguchétia parece muito mais calma. Ataques a policiais caíram em 40% e os sequestros em quase 80%, de acordo com o Memorial, um grupo de defesa dos direitos humanos. Nos dois primeiros meses de 2011 nenhum ataque a policias foi registrado. A Inguchétia ainda não retornou à normalidade, mas Yevkurov restaurou alguma impressão de governo russo no local.

Ele afirma que não se trata de um exercício de relações públicas, e que ele estava tentando recuperar a confiança do povo. Como consequência, “80% da informação operacional não vem de nossos agentes, mas da população local”. Essa inteligência foi parcialmente responsável por levar a um ataque preciso, terrestre e aéreo, a um campo de treinamento de terroristas na Inguchétia, que matou 17 guerrilheiros e levou à prisão dois homens supostamente envolvidos no atentado ao aeroporto Domodedovo, em Moscou, em janeiro.

A coragem pessoal de Yevkurov também é um fator: ele milagrosamente escapou da morte após sobreviver a uma explosão logo após ter assumido o cargo. Dois meses mais tarde, ele estava de volta ao trabalho, sem mudanças nas políticas que adotara. “A primeira lição que pode ser tirada de nossa experiência é a de que o uso da força por si só, não traz resultados positivos. Na verdade, ele causa o efeito oposto. Prevenção e persuasão são mais eficazes que a coerção”.

Há limites para o que Yevkurov pode fazer. Ele não controla formalmente a polícia local, e tem pouco poder sobre os serviços federais de segurança, que continuam a raptar e torturar pessoas. Após um recente incidente, ele ligou para os pais de uma vítima, juntamente com os chefes da polícia local e dos serviços de segurança. “Vocês percebem o que estão fazendo?”, ele perguntou aos homens do serviço de segurança, na frente das câmeras de TV. “Vocês estão criando futuros terroristas”.

Yevkurov parece pouco interessado nas políticas do Kremlin, e ainda obedece a Medvedev – não por afinidade política, mas sim, porque, pela lei, Medvedev ainda é o comandante-chefe da Rússia. Quase que solitariamente na região, Yevkurov está comprometido com o Estado russo.

Fontes:
Economist - A new president has worked wonders

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