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O jogo político acabou e já tem vencedor: que ele seja o país

A partir de agora, Dilma Rousseff integra a elite de mulheres com poder na América Latina, situação que compartilha com Cristina Kirchner, da Argentina, e Laura Chinchilla Miranda, da Costa Rica. Por Claudio Carneiro

O jogo político acabou e já tem vencedor: que ele seja o país
Dilma Rousseff em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória nas urnas (fonte: Estadão.com)

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Depois de meses com cenas que mais lembravam jogos infantis – troca de figurinhas, esconde-esconde e arremessos de bolinhas de papel e outros objetos – acabou a brincadeira. Já temos presidente, ou presidenta – discussão sintática da qual outros jornalistas irão cuidar. A vitória de Dilma Rousseff é legítima e incontestável. A partir de agora, ela integra a elite de mulheres com poder na América Latina, situação que compartilha com Cristina Kirchner, da Argentina, e Laura Chinchilla Miranda, da Costa Rica.

A escalada da eleita lembra um jogo de estratégia – como o xadrez – com suas diferentes aberturas, estratagemas de defesa, configurações de ataque, troca e sacrifício de peças com o objetivo único de derrotar o rei adversário. Dilma, que deixara o PDT de Brizola, foi avançando seus pinos, como no velho, colorido e inocente jogo de ludo, passo a passo, a cada lançamento dos dados. Ela foi colocando suas peças vermelhas na casinha das Minas e Energia e depois na Casa Civil – que, em dias piores, viraria a casa da mãe Joana – graças a Erenice e seus filhotes fofos. Não era ela a preferida de Lula no início da corrida mas acabou restando como única opção – o que não lhe rouba mérito ou competência.

Nessa configuração, podemos chamar José Dirceu de cavalo – sem corrermos o risco de um processo por ofensas morais. Era ele quem andava enviesado no tabuleiro – ora avançando ora marcando território – galopando arrogante e faceiro com o objetivo claro de ser o primeiro na preferência do rei. Mas esta peça foi para o sacrifício – sucumbindo à própria esperteza – para não atrapalhar o estratagema do grande mestre. Na corrida presidencial, o PT também perdeu bispos importantes: Antonio Palocci – o médico que virou ministro da Fazenda – era a pule de dez. Mas seu bilhete foi rasgado logo na primeira curva – vítima do mensalão e de um peão chamado Rogério Buratti. Caíram também fidelíssimas torres como Luiz Gushiken e cartinhas fora do baralho como Delúbio Soares. Recordemos ainda o cruel e mal contado episódio – num passado mais distante – que deixou Celso Daniel literalmente no meio do caminho. Feitas estas considerações iniciais, acabou o jogo e a brincadeira. Dilma é a rainha do tabuleiro – e o rei também.

Especulações e certezas

Aqui começam algumas especulações e outras certezas. Resta, por exemplo, investigar se Dilma pretende cumprir somente o primeiro mandato ou se terá fôlego para correr os noventa minutos buscando a reeleição. Jogando apenas 45 minutos, ela abriria a possibilidade de que Lula fizesse o regresso ao gramado em quatro anos – no que muitos acreditam para fazer cumprir o projeto petista de, pelo menos, vinte anos no poder. Mas Dilma tem ideias próprias e, a partir de agora, reina absoluta. É ela quem dá as cartas, quem distribui as camisas, quem joga os dados e move as peças.

Especulações sobre cargos já começaram. O primeiro discurso da eleita assustou não pelo conteúdo, mas pelos papagaios de pirata que se empoleiravam atrás dela. O próprio Palocci – sobrevivente, integrante da foto dos papagaios e menos chamuscado entre as peças estratégicas – já está cotado para a Petrobras ou para a Vale, uma vez que Gabrielli e Agnelli já deram pro gasto. Quanto à Casa Civil – Dona Dilma vai passar a vassoura e o rodo, deixando-a mais limpa e também menos influente.

Ela tem tarefa árdua pela frente, além da distribuição de cargos e administração de egos. Uma inevitável reforma tributária – uma das promessas de campanha – deverá zerar os impostos sobre investimentos e reduzir a carga das folhas de pagamentos. É hora também – foi ela quem disse – de investir pesado na educação, na infraestrutura e no saneamento básico – este último que não se vê há dezesseis anos, pois FHC e Lula cavaram modestíssimos buracos no território brasileiro para passar tubulações de esgoto. Obras subterrâneas não aparecem e não trazem votos.

Dilma vai ter de lidar com o sucesso – não somente o pessoal mas também o do país, principalmente no aspecto econômico. A crise mundial transformou os investimentos no Brasil em um dos negócios mais seguros. Ela precisa administrar isso promovendo competitividade à economia, deixando-a mais aberta ao mercado internacional e nossa indústria mais eficiente. O certo é que a economista terá de raciocinar como estadista para pensar um país do futuro, mais eficiente, educado e saudável – entre outros atributos.

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16 Opiniões

  1. Beraldo Dabés Filho disse:

    O único grande problema a ser enfrentado pela Presidenta Dilma Rousse, com o qual o Brasil já começa a conviver, não foi citado pelo autor da matéria: a Guerra Cambial.

    É um desafio que envolve fortes interesses comerciais internacionais, China à frente, e cujos instrumentos de defesa não podem ser acionados impulsivamente.

    Espera-se que a grande experiência das equipes das Áreas de Relações Exteriores e de Economia do atual Governo, seja repassada ao novo Governo do PT, para lidar com o problema.

    É de se espear que o Brasil faça valer, pelas vias diplomáticas, a força internacional adquirida nos últimos 08 anos.

    De resto, qualquer outro desafio previsto ou imprevisto, não será obstáculo para um novo bom Governo do PT.

  2. Markut disse:

    Acho que o primeiro acordo que temos que celebrar no Brasil, após as eleições, é chamar a Dilma de presidente ,com e.
    A seguir, findas as eleições, preocupa a já ostensiva batalha pela conquista de min istérios e, entre eles,com gana redobrada ( por que será?), sempre a cobiça avançando mais nos Transportes e Minas e Energia.
    Lamentavelmentene, não só Educação quase não apareceu nas falas dos candidatos, como já se observa agora, a mesma falta de apetite político necessário, que sempre existiu,e, pelo visto, vai continuar.
    Creio ser o assunto suficientmente grave para facultar iniciativas da sociedade civil, no sentido de exercer a devida pressão dos cidadãos mais conscientes, a fim de cutucar os poderes constituidos a esse respeito.

  3. helio (rio de janeiro) disse:

    A preocupação de Markut é a minha. Não há disputa pela Educação. O mundo enfrenta a crise cambial e terá que se aliar ao resto do mundo para enfrentar a China. Dizem que Amorim pediu a pasta de Washington. Se assim for, e se mantiver o discurso antigo do imperialismo americano, como nos colocaremos nesse contexto? Espero de Dilma uma composição de ministério à altura dos grandes desafios. Temos de estar atentos às prioridades que anunciou. Poderemos até lhe apoiar se elas se mantiverem. Queremos finalmente governo, cansados de anos de uma campanha sem limites.

  4. frambell disse:

    O grande desafio da presidente Dilma é passar pelos primeiros três meses de governo. Pegar pela frente um Congresso cheio de ressentimentos, especialmente a parte derrotada que, coincidentemente, será a sua mais forte oposição não vai serfácil. Em três meses, porém, a opinião pública já deve estar suficientemente informada das intenções da oposição com relação ao seu governo. Ainda que não pareça relevante, uma possivel desaprovação da oposição pela nação, pode ser considerada como uma torcida que ajuda seu time a vencer.Podendo influenciar sobremaneira em favor da presidente que tem o objetivo de dar continuidade ao governo Lula, cujo percentual de aprovação é o mais alto da história. A oposição não deverá esquecer que quatro anos passam muito rápido.
    Frambell Carvalho

  5. Gilles Marcos disse:

    Dilma : mais 4 anos de analfabetismo político.
    Dilma é a sombra de Lula.Sabemos que o Bolsa-Família dá a vara mas não ensina a pescar.
    Medidas populistas de Lula garantiram a vitória de uma mulher arrogante que não tem experiência política, nem tampouco ocupou cargo pelo sufrágio universal.
    Dilma só ganhou pois os mais pobres que recebem o Bolsa-Família acabaram votando em sua pessoa,pois receiavam perder a “mão na roda” do governo.
    Claro que hoje se consome mais: gasta-se mais, há famílias que ganham um salário mínimo e têm limites de 3 vezes sua renda em crediário e cartão de crédito que cobram mais de 10% juros ao mês- um absurdo para um país pobre.
    É demasiado o que falam sobre a educação pública no Estado de São Paulo, entretanto aqui há mais qualidade no ensino que no Nordeste e Norte.Temos as melhores universidades públicas do país.
    Lula se esconde atrás dos pobres,aliás,ele se diz humilde.
    Convenhamos,nem Plínio Sampaio do PSOL, que pregava medidas socilalistas como a redução das propriedades rurais declarou possuir um patrimônio de mais de R$2.200.000,00
    Sejamos éticos,lutemos por um país onde as proteções sociais de fato emancipem seus cidadãos, não que os tornem “chupins” de um governo clientelista,populista e caudilhista.Antes de tudo, dever-se-ia investir em Educação.Somente com o fim do analfabetismo político que o Brasil se tornará um país desenvolvido.
    O cidadão brasileiro vota mas não participa efetivamente da vida política do país.
    Chega do rouba mas faz.
    Vamos lutar por um país mais justo e com melhor qualidade de vida.
    Sejamos oposição forte e ética !

  6. Gilles Marcos disse:

    Este senso comum dos brasileiros mediante a política externa brasileira do governo Lula,leva ao erro.Parece que governo como superávit e maior percepção do Brasil como potência regional.Digo : nunca antes na história desse país se iludiu tanto a população.
    O brasil não ficou mais rico : ficou mais endividado!
    Abram os olhos!

  7. Geraldo euclides disse:

    A SORTE ESTÁ LANÇADA; a dona Dilma já está dizendo que é a favor da CPMF um imposto que melhorou a saude dos bolsos dos parlamentares e seus amigos e sobre os Royaltes do petróleo tirado do Rio de Janeiro, nada disse e o Sérgio Cabral ao lado dele gritavam: “Estamos Juntos” e agora?

  8. Maria Lucia disse:

    Sim ela é a grande Rainha e Rei ,concordo com os comentários acima . Agora é hora de todos nós brasileiros ajudarmos para que ela mostre toda sua competência , sem ironizarmos tudo que houve durante esses anos todos . Fazer brincadeirinhas é fácil , dificil é realmente fazer críticas ,mas que sejam construtivas. Acho que agora , pelo menos no primeiro momento do Governo Dilma , precisamos ter uma imprenssa com total liberdade , mas com respeito . Todo mundo que escreve ,em qualquer tipo de veículo:revistas, jornais ,blogs , deve primeiro pensar que é um momento importante que o País atravessa e torcer para que o Brasil se torne cada vez mais dinâmico , humano e vencedor . Eu torço para isso de todo coração e espero o mesmo dos meus compatriotas.

  9. Beraldo Dabés Filho disse:

    Concluí dois cursos superiores e fiz a metade do curso de Economia ma UCMG. Entendo pouco, mas suficiente para ir tocando a vida.

    Assistí, ao vivo, durante décadas a um Brasil desordenado econômicamente, empobrecido, endividado e refém do FMI.

    Uma Economista do FMI que desembarcasse no Brasil, era vista como a Ministra da Fazenda Internacional. Tapete estendido, entrava pelas portas de Brasília, convocava a equipe econômica brasileira e passava as ordens, certamente ditadas pelos EEUU.

    Hoje temos um Novo Brasil, robusto, invejado e respeitado internacionalmente. Acabaram-se os pesadelos e as incertezas quanto ao futuro.

    Não consigo, pois, entender como o Brasil possa hoje, estar mais endividado.

    Gostaria muito de explicações a respeito.

    Sou, como todos os normais, eterno aprendiz.

    Se as explicações forem convincentes, desde já confesso minha ignorância e, confesso, ficarei profundamente frustrado.

  10. Beraldo Dabés Filho disse:

    Aos que criticam por criticar, apenas para ser do contra, vai abaixo uma frase de para-choque de caminhão:

    “Falar mal de mim é fácil, difícil é ser eu.

  11. Paulo Fernando disse:

    Não vejo isso como justo que devemos voltar ao CPMF do passado para obter recursos para a Saude, porque podemos tirar de outras fontes, sem onerar os mais fraco ou menos produtivos e sem aumentar a carga tributária que já é uma das maiores do mundo.

  12. Paulo Fernando disse:

    Alguem sabe o tamanho da Dívida Interna Pública Brasileira? Entendo que a dependencia continua, cada vez mais forte porque houve um aumento considrável, portanto, a dependencia é visível.

  13. Helio (rio de janeiro) disse:

    Quantos ditos populares:
    “Quem no mando critica, com baixa auto-estima fica”.
    Se lutar contra a miséria é o que importa para o país, não devemos esquecer que:

    “Querer nem sempre é poder” ou “Há o bom, mas há o ótimo” ou “Não sou dono da verdade” ou “Quem gargareja sempre engole um pouco” ou “Quem herda não conta” ou “Quantidade não garante qualidade” ou “Mau humor não tem cura”…

  14. Frederico disse:

    Se ela cumprir o que prometeu em campanha, e reafirmou na entrevista que deu ao lado de Lula da Silva após a eleição, já está de bom tamanho! Pois saude, educação, infra-estrutura e segurança é dever do estado sim, que arrecada bilhões e bilhões de reais todo ano do nosso rico dinheirinho e por tanto tem que haver o retorno transformado em nosso bem-estar. Mas o principal é mantermos a cabeça erguida, expulsarmos de vez os americanos e outros anos que por aqui seqüestram nossas riquezas na maior cara de pau.

  15. lu disse:

    O Brasil vai continuar se desenvolvendo,criando oportunidades e pois Dilma tem a maioria no senado,chega de torcida contra ,pois somos reconhecido lá fora ,a educalçao melhora ,pois afinal temos de convir ,num paiis onde tem tanta gente que torce contra o seu proprio pais,pois a oposiçao deve levantar o chapéu para toda essa conquista dos ultimos oito anos quer uns queiram(MAIORIA)outros não(MINORIA)o Brasil vai continuar evopuindo…pois o BEM sempre VENCE o MAL.

  16. Helio (rio de janeiro) disse:

    O IDH mostrou: investimos pouco em Educação, responsável pelo sucesso estrondoso da Coréia.

    Lu, ninguém torce contra, temos só que estar atentos quando há desvio no caminho como por ex. a volta da CPMF que já começa a surgir, ou quando os caixa 2 dão no que deram.
    Frederico se os americanos entrarem em recessão, o Brasil perde o seu maior importador. O mundo mudou de forças, e querer falar em imperialismo americano nos tempos atuais é ler na cartilha errada. Já era.

    O importante não é jogar a culpa nos outros, é ter a coragem de assumir onde erramos e corrigir. Essa tática de culpar o outro é não nós mesmos, não ajuda. Chama-se isso de projeção, teoria da conspiração, desvio de percepção, demagogia, ou fuga de responsabilidade.

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