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O Marceneiro

Veja a coluna semanal de Claudio Schamis

O Marceneiro
Opinião e Notícia

Sempre que chega o fim do ano entramos naquele processo de fazer novas promessas, velhas promessas também – geralmente as não cumpridas durante àquele ano –, reformulações em nossas vidas, traçamos novas metas, surgimos com novos objetivos, o pensamento viaja e estaciona no tudo vai dar certo dessa vez. Afinal é ano novo. Vida nova. Tudo novo.

E foi pensando no tudo novo que Lula resolveu despachar em outra praia durante o ano e meio que durou a reforma do Palácio do Planalto. E eu pergunto pra quê isso tudo? A obra que era para ter sido entregue em fevereiro atrasou um pouquinho. Ela foi entregue ontem, mas ainda assim faltam alguns detalhes. Só pode ser culpa do estagiário da marcenaria.

E achar hoje um bom marceneiro, somente mesmo por indicação. É o ideal. Saber de suas obras já realizadas é como se fosse seu cartão de visitas. E saber se ele cumpriu tudo o que prometeu é também outro detalhe importante.

E é nesses detalhes que temos que prestar atenção. Afinal estamos prestes a escolher novos e velhos “marceneiros” da política – as aspas cabem aqui para preservar e não faltar ao respeito com essa nobre profissão – que irão modelar nossas vidas pelos próximos quatro anos.

Não é bobagem nem coisa à toa. É sério.

Não achei sério o governo ter gasto R$ 96 milhões nessa reforma do Palácio se outras coisas estão precisando de reparos mais urgentes, mas que sempre acaba caindo naquela de que não há recursos. Como assim não há? Que eles existem, disso não tenho dúvida. Só tenho dúvida qual a obra que o governo considera primordial para ele e para quem o elegeu.

E aí vem a certeza de que governo não olha na mesma direção que nós olhamos.

E quem o elegeu quer ver serviço. Mas alguns se contentam com uma Bolsa. Apenas. Coisa pequena. Sem valor. Prêmio de consolação. Desolação total. Mas que vem conseguindo exercer um “tá tudo bem, vamos esperar, afinal o governo tem muita coisa na cabeça”.

Coitado do governo, tão assoberbado.

Assoberbado fico eu vendo a saúde, por exemplo, ser tratada sem nenhuma atenção e ir minguando cada vez mais e aos poucos. E ela já está decrépita. Isso não é nenhuma novidade. Nunca foi. E mesmo assim a reforma do Palácio onde Lula nem fica por muito tempo, pois vive pulando de “porto em porto” com suas viagens ao redor do mundo, se faz mais importante do que abrir alguns novos postos de atendimento, investir em hospitais, remunerar melhor nossos médicos. E isso não entra pela minha garganta. Entala. E entalado devo ficar, pois se for procurar atendimento médico público poderei não sobreviver até conseguir ser atendido.

E aí a raposa do governo vem dizer que por não ter dinheiro quer criar a tal da CSS (Contribuição Social para a Saúde) que de contribuição não tem nada, pois até onde sei contribuição contribui quem quer. E agora tenta imaginar o que se poderia fazer com R$ 96 milhões nas mãos para investir na saúde? Mas não é só a saúde que precisa de assistência. A educação também clama por ajuda.

Está tudo errado. Então a hora é essa. É agora. É já.

É hora de pensar em reformas que queremos que sejam feitas, de metas que queremos que sejam cumpridas. Mudanças. Mudar. E não nos calar.

E temos então que parar, pensar, avaliar e escolher quem serão e de que tipo os “marceneiros” que iremos contratar em todos os poderes para que eles sejam os escultores de um país melhor, com mais igualdade social, mais oportunidades, mais saúde, mais educação.

Já tivemos “marceneiros” de todos os tipos. Temos que ter a sorte de que os escolhidos farão da madeira não a sua máscara, o seu rosto, mas sim a sua melhor obra prima.

E enquanto eles não chegam…

Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

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7 Opiniões

  1. Joares Lima Quarto disse:

    Parabéns pela matéria. Infelizmente, se o Serra não informar isso no horário gratuito de televisão, quem mais precisa de apoio com o dinheiro público não tem como tomar conhecimento dessa aberração. E, assim os aloprados continuarão a nos usurpar.

  2. Ângela disse:

    È, Cláudio, o assunto é muito sério. Mas a impressão que se tem é que a maioria das pessoas não está nem ai….quer que passe logo a eleição, e acaba o assunto e pronto.
    Fico imaginando como pode uma reforma( mesmo do palácio) custar tudo isso. Deveria ter a tal transparência do governo, e ter publicado a relação de tudo o que foi gasto nesta reforma, pois afinal, pagamos por ela.
    Belo texto. abç

  3. RUDYNALVA SOARES disse:

    Oi Cláudio!
    Já resolvi não mais bater de frente contigo!! Cansei de só veres o lado ruim…
    Apenas direi que o que diz ser:”Mas alguns se contentam com uma Bolsa. Apenas. Coisa pequena. Sem valor. Prêmio de consolação. Desolação total.”, foi o que tirou 31 milhões de habitantes da linha da pobreza. Para essas pessoas que usufruem da Bolsa, nada tem de prêmio de consolação ou desolação, ao contrário, elas agora se sentte dignas e cidadãs.
    Uma burguesia elitista e hipócrita é que não aceita a elevação (mesmo que mínima) das pessoas que passavam fome sabe por que? Porque um dia elas poderão se mostrar mais capazes que eles (a burguesia hipócrita) e se tornarem presidente, mostrando que alguém do ‘povo’ pode ser melhor!!
    Sucesso!!
    cheirinhos
    Rudy

  4. Helio disse:

    Caro Amigo, os seus pontos de vista sempre tem um fundamento. Infelismente, nós simples mortais somente podemos desabafar para poucos. fico a me perguntar se os que recebem os vale Gás,escolar, por ser pobre,por ter filhos e assim por diante, se um dia nossos pensamentos chegassem até eles se seríamos ouvidos, entendidos ou crucificados. Na atual conjuntura política, com esses mercenários, que são especialista em roubar na cara dura e se safar como inocente é inacreditavel. E viva a (Democracia e a Libertinagem). E nós aqui ó – Vamos continuar sentados na praça dando milho aos pombos.

  5. Markut disse:

    É isso , Chamis.
    Com esses marceneiros, continuaremos com a casa desarrumada, pois eles continuarão priorizando a sua (deles) casa, com muitos nichos, onde continuarão cabendo polpudas benesses, arrancadas do seu bolso (meu , teu,nosso, não o deles, é claro).
    Já que nos acostumamos com oito anos de petralhismo,que custa mais oito anos?

  6. Marluizo Pires Cruz disse:

    Um texto intelectual mandando avaliar e escolher, sem entrelinhas de indicação do candidato, é um bom sinal de que, algumas coisas estão mudando em relação à valorização da conscientização do direito individual da escolha, pensar avaliar que, precisamos de pessoas do bem e da decência pública nas relações políticas administrativas, eleitos e eleitores contribuindo para priorizar as reformas que atenda a população brasileira com mais igualdade social.
    Essa é a mudança que temos que vindicar e ter a sorte de ter consolidada.

  7. helio, Rio de janeiro disse:

    Rudynalva, O candidato de oposiçao fez parte da criação do Programa Bolsa, uma idéia brilhante de D. Ruth e Cristóvão Buarque. Lula felizmente optou por ele após desistir do seu program Fome Zero que não se saiu bem. Certamente o candidato da oposição não pode ser contra esse programa de D, Ruth, como prega a propaganda do governo. E muitos como eu acreditam no programa. Como trabalho com as pessoas alvo do programa tenho tido ótimas observações sobre ele. É necessário fiscalização e é necessário mais que 30 reais por mes. Penso que os “burgueses” como definidos por você estão com a Dilma. Vide a origem das doações milionárias da campanha. O candidato é filho de um fruteiro, foi da escola pública, presidente da UNE e exilado. A Dilma que não é do povo, é rica e do Sion, nem porisso recebe de mim crítica semelhante à sua. Já votei no Lula, reconheço sua inteligência política. Mas jamais votaria na candidata. Não por suas origens “burguesas”, mas por uma outra série de considerações, nada ideológicas. Ultimamente a falta de humor da candidata tem me incomodado. Ao contrário do presidente, a falta de humor da candidata trai certa insensibilidade. O candidato também não tem carisma, mas tem menos intolerância. Breve, infelizmente, parece que a conheceremos. Eu já conheci.

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