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O príncipe herdeiro da política indiana

Partido do Congresso preparou o terreno para a ascensão de Rahul Gandhi, mas dias de glória da principal dinastia política indiana podem estar chegando ao fim

O príncipe herdeiro da política indiana
Timidez e desinteresse de Rahul Gandhi põem futuro do partido do Congresso em risco

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O Partido do Congresso, que domina a Índia desde antes da saída dos britânicos do país, é comandado pelo clã Nehru-Gandhi, a dinastia democrática mais bem sucedida do planeta. Sua atual líder, Sonia Gandhi está doente, e não retomou integralmente suas funções desde que deixou o país para se tratar de uma doença desconhecida, que muitos dizem ser um câncer. Seu filho, Rahul, vem há muito tempo sendo preparado para assumir o controle da família. Mas há um problema acompanhando o herdeiro.

Gandhi, um quieto e esperto homem de 41 anos, livre dos antecedentes de corrupção que atingem tantos políticos indianos, é popular. Mas não parece entusiasmado com seu país, nem preparado para controlar os conflitantes políticos indianos. Ele rejeitou a linha de frente, preferindo se concentrar nas políticas rurais e de juventude. Há dois anos, ele abriu mão de uma vaga na equipe do governo após um convite do primeiro-ministro Manmohan Singh, e raramente se manifesta no Parlamento indiano. Ao participar de uma campanha populista anticorrupção no último verão, ele parecia sem confiança. Comenta-se que o partido sonha em atrair sua irmã Priyanka, de personalidade mais ativa, para a política, embora ela tenha rejeitado a ideia (e, seja casada com um magnata um tanto polêmico).

Mas, fazendo justiça a Rahul, o clã dos Gandhi costuma produzir figuras que demoram a se manifestar. Mesmo Indira Gandhi era introvertida no início de sua carreira, e o mais tímido de seus dois filhos, Rajiv, pai de Rahul, relutou bastante até se aventurar na política. Sua esposa, Sonia, italiana, teve anos de treinamento até se tornar a grande força por trás do partido, e transformou a timidez em uma forma de arte, exercendo o poder das sombras. Se Rahul trouxer uma vitória para o partido no ano que vem, em uma importante eleição regional em Uttar Pradesh, um enorme estado, com 200 milhões de habitantes, seus críticos rapidamente se esquecerão de sua irmã. Ele então poderia chegar ao cargo de primeiro-ministro em 2014.

Mas seu tempo está se esvaindo – e não apenas por causa das preocupações com o estado de saúde de sua mãe. A política indiana também vai mal, com um crescimento desacelerado, alta inflação e enormes índices de corrupção. Nenhuma lei importante foi aprovada desde 2009, e Singh completará 80 anos em 2012. Ele precisa de novos talentos. Uma renovação é esperada há muito tempo, mas o partido evita a promoção de jovens ministros, com medo que eles possam ofuscar o príncipe herdeiro.

Há um bilhão de outras pessoas

Qualquer um que quiser que a Índia seja bem sucedida deveria esperar que Rahul Gandhi se tornasse o líder de que o país tanto precisa. Ainda assim, para o Congresso e a Índia, essa é uma escolha dolorosa. A consequência do apego à linhagem é um partido fraco que não compartilha suas políticas e seus valores. As promoções internas não acontecem por mérito, e sim, pela proximidade com a família governante. O país já seria difícil de ser comandado sem que quase a população inteira fosse desqualificada da possibilidade de comandar o maior partido do país. A Índia precisa do melhor Partido do Congresso possível, sob o comando do melhor líder disponível.

No momento, Rahul Gandhi é um dos poucos dispostos a admitir isso. Ele diz querer mudar o sistema no qual “a política é baseada em seus contatos ou relações de parentesco”. À medida que a população indiana migra para as cidades e se torna mais alfabetizada e informada, ela irá certamente querer que seu governo assuma a responsabilidade – pela corrupção, pelo desempenho econômico, pelo seguro social e por muito mais. Linhagens sanguíneas serão cada vez menos importantes, e, eventualmente, o comando dinástico terá que ser substituído por algo que seja mais abertamente contestado. Quanto mais cedo as mudanças chegarem, melhor.

Fontes:
The Economist - Must it be a Gandhi?

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