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O que terá acontecido ao Airbus 330?

Motivos da queda do avião do vôo 447 da Air France há dois anos permanecem um mistério

O que terá acontecido ao Airbus 330?
A queda do Airbus 330, usado no vôo 447 da Air France, permanece um mistério

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Aviões modernos não deveriam cair dos céus. Especialmente se eles são jatos de aviação comercial, com controle eletrônico e altamente automatizados, como o Airbus 330. Assim como o inafundável Titanic, o Airbus 330 era considerado um avião infalível, equipado com sistemas digitais capazes de corrigir os erros dos pilotos e qualquer problema oriundo do mau tempo. Até uma noite fatal há dois anos, o Airbus 330 tinha um histórico de segurança impecável. O que causou a queda do Airbus 330 usado no vôo 447 da Air France, que seguia do Rio de Janeiro até Paris, matando todas as 228 pessoas a bordo, permanece como um dos maiores mistérios da história da aviação.

Investigadores têm suas suspeitas. Várias hipóteses plausíveis foram construídas a partir dos poucos escombros da fuselagem resgatados do Oceano Atlântico; o número de mensagens de erro enviadas pelo avião até os escritórios da companhia em seus momentos finais; as fotos de satélite mostrando a complexidade do “sistema de convenções de meso-escala” que desordenou o trajeto de vôo do avião, e as conhecidas falhas no design dos “tubos de pitot” do avião, usado para medir a velocidade do ar. Mas sem os dados do vôo e as gravações de voz do cockpit, ninguém pode realmente afirmar o que exatamente derrubou o vôo 447 da Air France. As duas caixas pretas, presas à parte traseira da fuselagem do avião, permanecem escondidas, a 3 mil metros debaixo das águas que separam a América do Sul e a África Ocidental.  

As autoridades francesas tentaram, em três ocasiões, encontrar as caixas pretas do vôo 447. Nessa semana, elas embarcaram em sua quarta tentativa. Embora tenha sido planejada em novembro do ano passado, a busca atual foi realizada em caráter de urgência. O juiz que comanda as investigações do acidente arquivou acusações preliminares de homicídio culposo contra a Airbus e a Air France. Sem as caixas pretas, permanecerá a dúvida se o acidente foi fruto de erro por parte do piloto ou por falha no equipamento (ou ambos) – e, portanto, será impossível determinar a culpa das empresas. As indenizações às famílias podem chegar a centenas de milhões caso seja confirmado que houve “erro consciente de conduta”. Em geral, as convenções de Varsóvia e Montreal limitam a responsabilidade em acidentes aéreos a US$ 150 mil por passageiro. Mas se as caixas pretas forem recuperadas, e as gravações provarem sem sombra de dúvida que o acidente foi causado por uma leitura incorreta da velocidade, o fabricante do avião, a companhia aérea, ou ambos, podem ser considerados responsáveis pela morte de 228 pessoas. A Airbus tinha ciência dos problemas nos tubos pitot há anos. Enquanto isso, a Air France substituiu os tubos defeituosos no avião em questão. 

No nível 350 de vôo (ou seja, a 10.600 metros de altitude) onde o avião do vôo 447 viajava, o piloto precisa saber exatamente qual é a velocidade do ar, porque a margem de erro é muito pequena. Como a densidade do ar diminui com o aumento da altitude, os aviões devem voar mais rápido na medida em que voam mais alto.  Uma viagem abaixo da velocidade mínima faria com que o avião perdesse altitude e despencasse em queda livre.

Voar numa velocidade próxima da mínima aceitável é só metade do problema. Há também uma velocidade máxima definida pela velocidade do som. Como a onda formada pelos barcos no mar, um avião se movendo pelo ar libera um onde de pressão em sua traseira, que empurra o ar de lado para que ele possa fluir tranquilamente pelas asas, pela fuselagem e pelas superfícies de controle. Mas quando um avião se aproxima da velocidade do som (como o Mach 1), ele encontra sua própria onda de pressão – que então se torna uma onda estacionária, gerando um aumento na pressão conhecido como onda de choque.   

Quando isso acontece, o ar na frente do avião não tem um alerta de que um corpo em rápido movimento está se aproximando, e colide com as ondas de choque formadas nas extremidades das asas. Como as ondas de choque jogam o fluxo de ar para cima de maneira abrupta, o centro de pressão se desloca para a parte traseira, fazendo com que o avião (caso não seja projetado para vôos supersônicos) caia violentamente e possivelmente se rompa numa queda livre.

O trajeto do vôo percorrido pelo Airbus 330 no vôo 447 seguiu um grande círculo ao nordeste do Rio de Janeiro, através da Zona de Convergência Intertropical próxima ao Equador. É nesse ponto em que massas de ar do norte e do sul colidem para produzir uma região de baixa pressão marcada por turbulentas tempestades que ocorrem a 25 mil metros ou mais. Não há nada de incomum nesses padrões de tempestades tropicais. O tráfego aéreo as atravessa dezenas de vezes por dia. 

Fontes:
Economist - The Difference Engine: Wild blue coffin corner

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