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O verdadeiro custo do poder

Ações preferenciais são comuns, especialmente em empresas de mídia

O verdadeiro custo do poder
Empresas de internet também tornaram-se adeptas das 'ações preferenciais' (Foto: Reprodução)

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Os acionistas do “News Corporation” têm apenas a eles mesmos para culpar. Quando eles deixaram Rupert Murdoch cuidar de seu dinheiro, eles sabiam que ele não iria deixá-los dizer o que fazer com isso. A família Murdoch detém aproximadamente 12% da empresa, mas controla praticamente 40% dos votos, através de uma classe especial de ações que têm direito a voto superior. Estas estruturas conhecidas como “ações preferenciais” são bastante comuns, especialmente em empresas de mídia. Elas podem proteger os gestores da bolsa de aquisições a curto prazo. Mas também podem causar problemas.

Dois estudos de empresas norte-americanas, realizados por Paul Gompers, Joy Ishii e Andrew Metrick, englobando os anos de 1994 a 2002, descobriram que empresas que utilizam este método têm um desempenho pior, em comparação a empresas onde todas as ações conferem direitos de votos iguais. Estas empresas estão mais próximas da dívida do que do capital, para evitar a diluição do controle acionário. No entanto, surpreendentemente, suas ações não são negociadas com grandes descontos no mercado.

Mas nem mesmo este estranho modelo de propriedade, e todos seus resultados, demostram qualquer sinal de que esteja saindo de moda. As “ações preferenciais” não são apenas uma maneira dos “barões da imprensa” manterem suas mãos sobre o machado com o qual ameaçam os governos. As empresas de internet também a amam, uma vez que permitem que fundadores levantem dinheito sem entregar o controle.

O número de empresas com “ações preferenciais” caiu de 482, em 2000, pra 362, em 2002, como o estouro de uma bolha. Investidores que procuram ganhos a longo prazo podem ser feliz cedendo o controle, caso acreditem que o patrão é bom o suficiente. Caso o boom da internet atual siga um caminho semelhante, os acionistas da News Corporation não serão os únicos a sentir a sensação da segunda classe.

Fontes:
The Economist - The cost of control

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