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Opinião

Obama precisa esclarecer seus objetivos na Líbia

Ao definir a meta dos EUA na Líbia como puramente humanitária, o presidente norte-americano deixa dúvidas sobre o que fará após um cessar-fogo. Por Robert Danin para o Council on Foreign Relations

Obama precisa esclarecer seus objetivos na Líbia
Rebeldes comemoram o bombardeio de forças ocidentais (Fonte: Reuters)

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O presidente norte-americano Barack Obama foi claro no sábado, 19, ao explicar a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma intervenção  militar na Líbia: as Nações Unidas, anunciou ele em visita ao Brasil, aprovou uma resolução dura para impedir um massacre contra civis líbios. Exigindo um cessar-fogo imediato ao governo de Muammar Khadafi, o presidente norte-americano explicou de forma inequívoca que a atual intervenção militar na Líbia tem fins puramente humanitários.

Contudo, os aliados dos Estados Unidos — nomeadamente o presidente da França, Nicolas Sarkozy — não parecem compartilhar este único objetivo. Em um contraste irônico com 2003, quando Washington teve de pressionar seus aliados para afastar Saddam Hussein do poder, a França agora pede uma mudança de regime na Líbia, tendo já reconhecido, no dia 10 de março, a oposição em Benghazi como o legítimo governo daquele país.

Enquanto isso, o presidente Obama tem reafirmado seu desejo de manter o envolvimento dos EUA na Líbia o mínimo possível. A Casa Branca vem falando de uma ação militar que deve durar “dias, não semanas”, e  Obama declarou publicamente que certas opções foram descartadas: “os Estados Unidos não enviarão tropas terrestres para a Líbia”, disse.

Estes objetivos divergentes entre países membros da coalizão ocidental que atuam na Líbia dificultam uma ação coordenada, especialmente porque os Estados Unidos não querem liderar. Ir além dos objetivos humanitários citados por Obama pode criar problemas para a aliança. Hoje, três dias depois dos ataques iniciais da coalizão internacional na Líbia, o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, condenou publicamente a campanha ocidental, lamentando o seu alcance e intensidade. A postura representa uma aparente mudança de tom da Liga Árabe, que em 12 de março pressionou pela criação da zona de exclusão aérea.

Intervir até quando?

Tudo isso levanta a seguinte questão: o que acontecerá se a zona de exclusão aérea, cujo objetivo principal é a proteção de civis líbios, alcançar essa meta? Ao defender uma intervenção que dure dias e não semanas, a resposta dos EUA parece indicar que não desejam outros desdobramentos. Os Estados Unidos irão trabalhar para atender apenas às necessidades humanitárias do povo líbio. Mas como Obama responderá se a França e a Grã-Bretanha decidirem derrubar Muammar Khadafi? Estamos caminhando para uma reprise da guerra do Suez de 1956, quando o presidente norte-americano Dwight Eisenhower mandou seus aliados franceses e britânicos frearem uma invasão ao Egito de Nasser?

Se um cessar-fogo ocorrer como resultado da zona de exclusão aérea, qual será então o objetivo de Washington? Uma mudança de regime está realmente fora de cogitação? O presidente Obama tem dito repetidamente que Khadafi deve abandonar o poder. Ele também defende que Khadafi responda por crimes contra a humanidade perante o Tribunal Penal Internacional. Mas ao definir os objetivos dos EUA como puramente humanitários e descartar uma intervenção terrestre, Obama deixa dúvidas sobre o que os Estados Unidos pretendem fazer para acelerar a saída de Khadafi. Um esforço diplomático para negociar a saída do coronel líbio seria uma opção? A resposta até agora é negativa.

Com os Estados Unidos militarmente envolvidos na Líbia, é imperativo que o presidente esclareça os objetivos de seu país e os meios que serão utilizados para alcançá-los. A falta de clareza pode levar a um conflito com seus aliados da coalizão e uma operação militar prolongada.

A decisão  de envolver forças militares em combate no exterior é sempre difícil. Mas o mais difícil ainda espera Barack Obama: identificar quando a missão alcançou seu objetivo. Quanto mais o presidente identifica e esclarece esses objetivos, melhor serão as chances de sucesso e de redução de baixas militares na Líbia.

Leia mais:

Líbia sob bombardeios

Caro leitor,

Você concorda com a intervenção militar na Líbia?

O que deve acontecer após o cessar-fogo?

As forças ocidentais devem afastar Muammar Khadafi do poder?

Fontes:
Council on Foreign Relations - Lybian strikes: clearer objectives needed

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3 Opiniões

  1. Poder Nuclear disse:

    As potencias mudaram o modo de interferirem em outras nações.Organizações são criadas de variados fins e ideologias: multiculturismos e relativismos e pseudas: humanitarias, ambientais, culturais e de direitos humanos para interferirem e provocarem instabilidades em nações de interesses.Um repórter de uma revista internacional geográfica declarou ter feito espionagem geológicas nos países em que fez reportagens. Governos competentes sabem que o poder nuclear e subnucleares são a maior força persuasiva para a proteção de seus territorios e segurança de seus cidadãos, não podendo ceder a minorias com utopicas reinvindicações pacifista e deixar a nação a merce de grupos e outras nações sedentas de poder e riquezas. Em 1903, os EUA induzem o Panamá – na época, uma província da Colômbia – à independência. Formado o novo país, o governo norte-americano obtém a autorização para a construção do canal em troca de sua concessão e uma faixa de terra de 8 km de largura em cada lado do canal. Depois de várias disputas pela soberania do canal, Panamá e Estados Unidos assinam em 1977 um acordo pelo qual o controle passa definitivamente aos panamenhos no ano 2000.

  2. Felipe disse:

    Cada povo deve encontrar sua própria verdade, seu próprio caminho, não importando o quão diferente sejam os caminhos de cada povo, todos eles foram em algum momento, igualmente árduos e dolorosos.

    Sem responder, pergunto:

    Se norte-americanos se revoltassem contra seu próprio governo, este não iria massacrá-los?

    Se o PT implantasse uma ditadura no Brasil, e você fosse contra. Você gostaria que os E.U.A. interviesse no destino do seu país?

    Sinceramente, quem acreditava que algo iria mudar pelo fato de um presidente dos E.U.A. ser negro, não passa de um racista.

  3. HELDER MARTINS DE CARVALHO LIMA disse:

    Não concordo com a intervenção militar na Líbia porque cada Nação e livre de decidir os seus destinos. Porquê que as Nações Unidas não intervieram na Costa do Marfim onde também ha lutas entre duas facções rivais com perdas de vidas humans? Será que nós os Africanos não somos seres humanos com direitos iguais aos outros povos? Qaundo se trata de conflito em África as Nações Unidas não tomam em consideração (nós os Africanos somos substimados pelas Nações Unidas) Não é justo a Líbia ser atacada com bombardeamentos que apenas estão a destruir as belas infraestruturas. É uma acção de cobardia daqueles que participam nesses actos horendus. Eu pergunto, Como é que pode-se acabar com o terrorrismo? Essas acções só promovem ódio nessas nações e o resultado conclusivo é TERRORRISMO. Será que MUAMMAR KHADAFI é o único presidente que cometeu erros nesse Mundo? Será que os Responsáveis máximos dos Países que estão a atacar a Líbia uma Nação soberana, são os mais perfeitos no Mundo? O diálogo sem a imposição é a via mais importante para a resolução de qualquer tipo de problema entre os Homens.

    Após o cessar-fogo são miliares de dólares que as Nações Unidas irão desbloquear para a suposta manutenção da paz na Líbia. Gasto desnecessário. Esse dinheiro deveria ser canalizado para outras áreas.

    As forças ocidentais devem imediatamente desistir de afastar MUAMMAR KADAFI do poder. Porque graças a ele a Líbia chegou onde chegou. Os dirigentes Ocidentais são invejosos. São ditadores com rosto de democratas

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