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Os melhores momentos da dobradinha entre política e internet

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A Yahoo! foi fundada em março de 1995, um mês depois de o Jornal do Brasil largar na frente como o primeiro impresso brasileiro a ganhar uma página na internet. O New York Times começou a disponibilizar online seu valioso conteúdo em 1996, mesmo ano em que surgiu o portal UOL. A própria Google, hoje uma espécie de sinônimo de internet, só apareceu na grande rede em 1998. Sendo assim, é surpreendente que antes de tudo isso, em 1994, já houvesse um candidato a cargo eletivo com site na Web. Na verdade, uma candidata: Dianne Feinstein, que na ocasião foi reeleita senadora dos EUA pelo estado da Califórnia.

Mesmo tendo em conta esta breve cronologia digital, olhando de hoje talvez ainda seja um pouco difícil mensurar o significado do feito. Mas basta constatar que há 14 anos não foi possível acompanhar online os detalhes do lançamento do Plano Real, ou sequer os bastidores da Copa do Mundo na qual o Brasil se sagrou tetracampeão mundial de futebol.

Para se ter uma idéia, em junho de 1994 o caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, trazia na capa a frase “A superinfovia do futuro”, e anunciava: "Nasce uma nova forma de comunicação que ligará por computador milhões de pessoas em escala planetária". Em agosto, a revista Exame usou a palavra “Internet” pela primeira vez.

É certo que o auxílio de um endereço pontocom não foi decisivo na época para sua vitória nas urnas, mas este pioneirismo valeu a Dianne Feinstein o primeiro lugar em um ranking que diz muito sobre os tempos que correm. Trata-se de uma lista com os 10 maiores momentos políticos online, divulgada no fim de outubro junto com os vencedores deste ano dos Webby Awards, premiação considerada o “Oscar da internet”.

Drudge Report: Mau agouro para os jornais impressos

Ainda que mais focada no cenário político dos EUA, a relação feita pela Academia Internacional de Artes e Ciências Digitais traz fatos significativos, e pode ser apenas a primeira de muitas que virão sobre a dobradinha entre política e internet.

Em segundo lugar na lista está o famoso “furo” conseguido em 1998 pelo site norte-americano Drudge Report, que deu em primeira mão informações sobre o escândalo sexual na Casa Branca envolvendo a estagiária Mônica Lewinsky. Era um site desconhecido, produzido por apenas uma pessoa, mas que deixou para trás toda a estrutura dos grandes jornais e emissoras dos EUA em um caso que culminou no processo de impeachment contra o então presidente norte-americano, Bill Clinton.

O Drudge abriu caminho para a proliferação dos blogs, e já naquela época deu as primeiras pistas de como o meio online poderia causar problemas para a imprensa tradicional.

Na terceira posição está o movimento de troca de votos desencadeado pela internet entre eleitores de Al Gore e Ralph Nader durante a campanha eleitoral norte-americana do ano 2000. O objetivo era fazer com que eleitores de Nader, então candidato do Partido Verde, votassem em Al Gore nos estados onde o democrata enfrentava uma disputa apertada com George Bush, a fim de conseguir um número de delegados suficiente para derrotar o candidato republicano no Colégio Eleitoral.

O quarto lugar ficou com a primeira votação online que teve efeitos legais, a das eleições primárias realizadas no estado do Arizona também no ano 2000. Na quinta posição da lista está a animação feita em 2004 para satirizar Bush, que viria a ser reeleito, e John Kerry. O vídeo teve duas vezes mais acessos do que o tráfego somado dos sites oficiais dos candidatos.

"Se você fosse o presidente…"

Em seguida estão os protestos de rua organizados via internet e telefones celulares durante a “Revolução Laranja”, na Ucrânia, ainda em 2004. No mesmo ano aconteceu o episódio que ficou com o sétimo lugar da lista: o discurso de  Howard Dean, que na época era pré-candidato do Partido Democrata à presidência dos EUA, no qual ele berrou o nome dos estados que pretendia conquistar e depois soltou um “Yeah!” digno dos shows de rock pauleira. O vídeo com Dean perdendo a compostura foi o mais encaminhado para as caixas de e-mail na era pré-YouTube.

Em 2006, uma gafe do republicano George Allen repetida centenas de milhares de vezes no já ativo YouTube comprometeu sua reeleição para o Senado dos EUA. Allen ridicularizou um membro da campanha do seu adversário democrata, James Webb, causando indignação entre os eleitores. Era o favorito, mas acabou perdendo. É dele a oitava posição.

O site de compartilhamento de vídeos da Google também foi decisivo para que o nono e o décimo lugar da lista tenham sido possíveis. Ambos aconteceram na última campanha eleitoral norte-americana: o debate YouTube/CNN com pré-candidatos democratas e os dois vídeos independentes que alavancaram a campanha de Barack Obama, com mais de 10 milhões de acessos cada um.

E a dobradinha veio mesmo para fazer barulho. Acaba de ser aberta no site do New York Times uma página chamada “Se você fosse o presidente…”. Nela, os internautas podem “escolher” o gabinete do novo governo — do secretário de Estado ao do Tesouro. É a voz da web querendo ser a voz de Deus, ou pelo menos a do novo presidente dos EUA.

Obama, aliás, pode encabeçar a próxima versão da lista com os melhores momentos políticos online, tendo em vista sua aparente afeição pela relação interativa com o eleitorado. Caso isto se confirme como uma das muitas mudanças prometidas, será mais do que merecido o primeiro lugar nos próximos dez mais.

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1 Opinião

  1. Francisco Marcio disse:

    Muito bom artigo, esse rapaz escreve bem.

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