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Participação estrangeira na Líbia começa a diminuir

Conselho Nacional insiste em manter líbios no controle do processo de transição*

Participação estrangeira na Líbia começa a diminuir
Aos poucos, vida vai voltando ao normal em Trípoli (Fonte: Reprodução/Reuters)

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Até agora, uma semana após a tomada do centro de Trípoli, as coisas têm corrido surpreendentemente bem. Os homens de Muammar Khadafi deixaram a cidade antes da chegada dos rebeldes, e no caminho cometeram uma série de atrocidades, assassinando centenas de prisioneiros. Mas os saques por parte dos rebeldes, exceto quando invadiram as luxuosas instalações do palácio de Khadafi, têm sido limitados.

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Defensores do Conselho Nacional de Transição têm se mantido atentos aos pedidos para que represálias contra os apoiadores de Khadafi sejam evitadas. Comitês locais vêm mantendo um nível aceitável de lei e ordem nas ruas, e policiais que serviram sob o regime do coronel voltaram a patrulhar as ruas. Barreiras policiais na capital estão sendo controladas decentemente. O petróleo deve voltar a jorrar em breve, assim como o dinheiro das contas do regime anterior congeladas pelas Nações Unidas.

A maré militar também parece irreversível. O conselho quer persuadir as autoridades em Sirte, cidade natal de Khadafi, a se render ao invés de submetê-las a um cerco letal. Várias cidades sulistas que estavam sob o controle do regime devem se render. O país deve ser liberado em sua totalidade, e com sorte a Líbia será poupada de mais banhos de sangue.

Futuro de incertezas

Mas celebrações de triunfo são prematuras, e a violência pode voltar. O vazio no poder foi apenas parcialmente preenchido. Enquanto Khadafi permanecer desaparecido, o medo de que ele e seus seguidores retornem numa insurgência semelhante à de Saddam Hussein no Iraque, persistirá. A euforia inicial pode rapidamente se transformar em decepção. A maior parte da população na capital está sem eletricidade ou água; poucos servidores civis receberam salários completos.
Resolver esses problemas deveria ser uma prioridade, mas os próximos meses prometem ser frustrantes, perigosos e confusos.

Também é essencial que o Conselho Nacional, comandado por Mustafa Abdel Jalil, um ex-ministro da Justiça nos tempos de Khadafi, imponha sua autoridade. Os líderes do Conselho devem se mudar para Trípoli o mais rápido possível. Ainda assim, Jalil e seus colegas fizeram e disseram todas as coisas certas, evitando os erros do Iraque, prometendo não demitir militares ou policiais que serviram durante o regime de Khadafi, tentando nomear um governo interino que abrace todas as tribos do país, e prometendo eleições multipartidárias em oito meses e uma nova Constituição em 20 meses.

O Reino Unido e a França, países que tiveram a maior importância na promoção do Conselho, agora estão passando o bastão para a ONU, e devem sair de cena completamente assim que a missão da Otan estiver acabada. As novas autoridades insistem que líbios controlem o processo de liberação do país, e têm razão: esse momento é deles, e não do Ocidente.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The Economist - Let them get on with it

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