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Pelo menos 150 presos de Guantánamo eram inocentes

WikiLeaks revelou abusos do governo dos EUA na prisão de Guantánamo, localizada em uma base norte-americana em Cuba

Pelo menos 150 presos de Guantánamo eram inocentes
Prisão de Guantánamo (Fonte: AP)

Documentos secretos do governo norte-americano divulgados neste domingo, 24, pelo site WikiLeaks revelaram que pelo menos 150 presos de Guantánamo eram afegãos e paquistaneses inocentes.

Os documentos vazados pelo WikiLeaks foram publicados em jornais como The New York Times, Washington Post, El País e The Guardian. Os arquivos revelam uma análise de cerca de 780 detidos na prisão desde 2002.

No lugar errado na hora errada

Entre os 150 presos inocentes, de acordo com os documentos, estão motoristas, agricultores e cozinheiros afegãos e paquistaneses detidos durante operações de inteligência em zonas de guerra. Ainda segundo os arquivos, muitos deles ficaram anos detidos após terem sua identidade confundida ou simplesmente porque estavam no lugar errado na hora errada.

Os documentos divulgados pelo WikiLeaks mostraram também que os EUA criaram em Guantánamo “um sistema policial e penal sem garantias no qual só importavam duas questões: quanta informação se obteria dos presos, embora fossem inocentes, e se podiam ser perigosos no futuro”.

O governo Obama classificou a revelação dos documentos secretos como “infeliz”. Atualmente Guantánamo abriga cerca de 180 prisioneiros e continua sem prazo definido para fechar, uma promessa de Obama durante a campanha presidencial.

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Fontes:
Folha de S.Paulo - Wikileaks divulga documentos secretos sobre abusos em prisão de Guantánamo

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1 Opinião

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Eis aí a importância absolutamente notável do Wikileaks. O Ocidente se gaba de transparência em suas ações para confrontar o totalitarismo. Então que assuma a culpa dos seus erros e puna os responsáveis. É isso que diferencia o mundo civilizado da barbárie, e se queremos evoluir para um mundo em que os governos sejam cada vez mais transparentes e responsáveis em suas ações, então isso deve incluir os militares e suas guerras. Sei que é difícil fazer os militares agirem corretamente em situação de medo e sob uma cultura em que – desde a primeira grande guerra – em caso de dúvida sempre foi mais seguro atirar primeiro e perguntar depois, baseado na presunção de que é melhor ter um amigo morto que um inimigo vivo. Mas as coisas precisam mudar e o Wikileaks está fazendo um papel correto. Se assim não fosse, os jornais que reverberam suas denúncias não estariam noticiando. Ponto para a liberdade da Internet.

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