Início » Brasil » Política » Política e humor: chorar pra não rir?
Eleições 2010

Política e humor: chorar pra não rir?

Alexandre Inagaki comenta jingles e propagandas eleitorais inusitadas das eleições 2010 ( Yahoo Notícias)

Política e humor: chorar pra não rir?
Uma das propagandas comentadas no artigo é a do humorista Tiririca

Nunca havia ouvido falar em Lindolfo Pires. Porém, graças ao Twitter, eu e milhões de usuários que se depararam com seu nome encabeçando os Trending Topics acabamos por descobrir que Lindolfo é candidato a deputado estadual pelo DEM da Paraíba. Mas como o seu nome foi parar na lista dos tópicos mais comentados do Twitter?

Nada que curiosidade mórbida e alguns cliques não respondam: o staff da campanha de Lindolfo Pires pegou “Beat It”, hit de 1982 de Michael Jackson, e o transformou em um dos mais singelos jingles políticos destas eleições. Não foi a mais original das ideias; como bem lembrou Bárbara Lopes no Twitter, uma versão tupinambá de Michael Jackson, intitulada “Pires”, já foi hit carnavalesco em Recife. Ainda assim, nada que fosse capaz de ofuscar o impacto da heresia que os marqueteiros de Lindolfo fizeram com “Beat It”.

 

Nestas eleições bizarras em que comediantes, a fim de seguir as regras estabelecidas pelas emendas da Lei nº 9.504/1997, estão sendo impedidos de “ridicularizar” ou “degradar” a imagem de políticos, não há no entanto nada que impeça a livre circulação de todo o humor, seja ele involuntário ou não, produzido pelos próprios candidatos. O exemplo mais pitoresco de todos é protagonizado por Francisco Everardo Oliveira Silva, político filiado ao Partido da República (resultado da fusão do PL com o PRONA), e candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo. Você provavelmente só conhece Francisco Everardo através de sua alcunha artística: Tiririca.

Tiririca não procura esconder que sua campanha é focada em sua imagem, hmm, artística. Vide as declarações que deu em sua primeira aparição no horário político eleitoral na TV: “O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto. Vote no Tiririca, pior do que tá não fica!”. De minha parte, discordo solenemente deste slogan: há sempre como cavar um pouco mais no fundo de um poço. Se bem que, creiam-me, é até possível encontrar humoristas que afirmam levar política a sério. Por exemplo? Ivann Gomes, o Batoré, que em 2008 foi eleito vereador pela cidade de Mauá (SP), e que neste ano é candidato a deputado federal pelo PP.

Não é preciso fazer buscas complexas no YouTube para se deparar com o que Mauricio Stycer descreveu como “piada eleitoral gratuita”. Vide o ex-campeão mundial de boxe Acelino “Popó” Freitas, candidato a deputado federal pelo PRB da Bahia, que seguiu o exemplo de Lindolfo Pires e apresenta como jingle de campanha outra singela cover de um sucesso internacional. No caso, a vítima foi o tema musical do filme “Rocky, o Lutador”.

O que Freddie Mercury acharia do jingle de Antônio Luís, candidato a deputado federal pelo Partido Progressista de Santa Catarina, que encampou uma versão sui generis de “I Want to Break Free”, hit de 1984 do grupo Queen?

Pelo jeito, “I Want to Break Free” nasceu com vocação para virar jingle político, uma vez que Claudir Maciel, candidato a deputado estadual pelo PPS-SC, também tomou emprestado o sucesso do Queen como trilha sonora de sua campanha. Mas, em meio à profusão de covers internacionais, há quem tenha optado por outras alternativas para embalar as trilhas sonoras de seus palanques. Vide Júlio César Martins, candidato a deputado federal pelo PMN de Minas Gerais, que contratou o grupo Copacabana Beat (que, em tempos de vacas mais gordas, emplacou sucessos como “Mel da Sua Boca”) para gravar o jingle de sua campanha.

Pelo jeito, “I Want to Break Free” nasceu com vocação para virar jingle político, uma vez que Claudir Maciel, candidato a deputado estadual pelo PPS-SC, também tomou emprestado o sucesso do Queen como trilha sonora de sua campanha. Mas, em meio à profusão de covers internacionais, há quem tenha optado por outras alternativas para embalar as trilhas sonoras de seus palanques. Vide Júlio César Martins, candidato a deputado federal pelo PMN de Minas Gerais, que contratou o grupo Copacabana Beat (que, em tempos de vacas mais gordas, emplacou sucessos como “Mel da Sua Boca”) para gravar o jingle de sua campanha.

Não custa nada lembrar: há excelentes fontes de informação para quem quiser realmente levar a sério estas eleições e usar a internet para escolher criteriosamente seus candidatos. Sites como Voto Consciente, Vote na Web, Cidade Democrática e Transparência Brasil disponibilizam dados e informações preciosas para quem procura por candidatos capazes de oferecer mais do que risadas em troca do seu voto.

Fontes:
Yahoo Notícias - Política e humor: chorar pra não rir?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

6 Opiniões

  1. alaides lirio disse:

    dizem que a propaganda eleitoral e gratuita, isso ja é uma grande piada, é de morrer de rir.
    Ja ta tudo pago pelo eleitor, trabalhador,sofredor,notaram a presença do eco?
    dor,dor dor…kkkkk

  2. José Milton De Quevedo disse:

    Estão fazendo do País uma “PATUSCADA” De inúteis e medíocres.Que não acrescentam em nada
    para a melhora da cultura do povo. ACORDA BRASIL!!!! Do teu torpor em que estás mergulhado.

  3. CLÁUDIA disse:

    apesar de tantos jingles achei o que procurava
    sites que possam me dar uma direção para estas
    eleições.gostei da materia e achei os candidatos bem criativos agora depende da seriedade do eleitores.

  4. Honório Tonial disse:

    Urge uma reforma política para fazer do Brasil uma nação moderna , com pessoas preparadas para administra-la.
    Até parece um brincadceira irresponsável o que presenciamos.
    Democracia no Brasil é sinônimo de palhaçada!

  5. Eder APS disse:

    Desde que me conheço por gente, sempre ouvi dizer que a política no Brasil é uma piada. Agora, finalmente, eles estão levando a coisa ao pé da letra. Francamente, não entendo como o TSE não bane propagandas como a do Tiririca que ridiculariza escancaradamente algo que deveria pelo menos fingir que leva a sério. Vídeos como o dele, e dos outros são sinceramente ofensivos e revoltantes pra mim. Eu nunca consegui levar a sério a política no Brasil, graças a nossa cultura de sempre dizer que “político não presta” e parece que não é agora que vou mudar esse conceito. Fico feliz de não estar no Brasil e não precisar participar dessa palhaçada que estão fazendo.

  6. Honório Tonial disse:

    Quem cala, consente..!
    Na internet foi divulgada uma informação de uma ação judicial de uma “amante” da Dilma, citando nome e mostrando foto da mesma. É mencionado o advogado da lide,
    – Por que não foi feito nenhum reparo a respeito? Afinal trata-se de uma afirmação negativa. Ela é verdadeira, ou “ não sei, não ouvi, não me contaram”?
    Os eleitores devem ser informados para dirimir qualquer dúvida.
    Vovô Honório Tonial

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *