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Com mais cautela

Política intervencionista dos EUA deve continuar, dizem especialistas

Apesar da dívida pública e do déficit fiscal, os EUA devem manter suas ações militares e diplomáticas pelo mundo. Por Fernanda Dias

Política intervencionista dos EUA deve continuar, dizem especialistas
EUA não deixará de lado sua política intervencionista, dizem especialistas

Tio Sam estaria dando sinais de cansaço? Com um peso de uma dívida pública de mais de US$ 9 trilhões e de um déficit fiscal de US$ 1,3 bilhão, os EUA poderiam acabar deixando um pouco de lado a sua política externa intervencionista e passando a olhar mais para o próprio umbigo. Mas, para alguns especialistas ouvidos pelo Opinião e Notícia, os americanos não vão abrir mão de suas ações militares e diplomáticas pelo mundo.

Por conta das suas dívidas, a capacidade dos norte-americanos de intervir militarmente no exterior está limitada e o país já não pode ser líder absoluto e impor suas regras ao resto do mundo, defende a professora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB) Ana Flávia Barros Platiau:

“O presidente George Bush legou a Barack Obama pesados compromissos de política externa, e este último já vem assinalando faz tempo que precisa reformular as prioridades dos EUA”.

O governo norte-americano não deixará de lado sua política intervencionista, mas deverá passar a esclarecer mais como estão sendo feitos seus gastos diplomáticos e se eles podem garantir algum retorno econômico ou de segurança, avalia o diretor da consultoria Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI), Marcelo Suano; “Ele precisará, de alguma forma, esclarecer porque esses investimentos não produzem retorno imediato e sim ganhos em longo prazo”.

Suano ressalta que as atuações militares norte-americanas serão pensadas de forma mais calculada e serão usadas contra os países considerados párias pela comunidade internacional e que ficaram de fora da cadeia produtiva dos EUA. “E também contra aqueles cujos governos assumirem posição de antagonismo explícito, recorrendo por iniciativa própria à guerra. Os casos mais evidentes podem ser Coreia do Norte e Irã”.

Já Williams Gonçalves, professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que as dificuldades econômicas tornam os Estados Unidos ainda mais dispostos a intervenções diplomáticas e militares. “Nunca houve na história um país que tenha aceitado passivamente a decadência. A vontade de se manter no topo pode torná-lo ainda muito mais agressivo na defesa de seus interesses”.

Embora acredite que a dívida pública não tenha muito a ver com o “interesse de desempenhar as ações militares e diplomáticas”, o professor João Marcus Marinho Nunes, autor do livro “O voo da águia: a economia americana no fim do milênio”, chama atenção para a relação entre a dívida pública em mãos do público e o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, o déficit representa atualmente em 61% do PIB. “Ao final da Segunda Guerra e ao longo dos dez anos seguintes, a relação foi superior à que observamos no momento (chegando a quase 110%). No entanto, esse foi um período de forte presença diplomática e militar dos EUA”.

Transformação na escala de poder mundial

Pelo fato de o cidadão norte-americano estar acostumado a sentir os efeitos da política externa, ele, normalmente, cobra mais do seu governo os gastos que são feitos com empreitadas diplomáticas, ressalta Marcelo Suano. Mas, a população norte-americana parece se importar menos com os custos de uma intervenção militar do que com a “imagem” que o país sairá dela. “O principal elemento que gera cobrança da população sobre o governo está no sucesso ou não das ações, na capacidade de os EUA mostrarem que conseguem fazer o que prometem”, ressalta Rodrigo Cintra, chefe do Departamento de Relações Internacionais da ESPM.

A preocupação dos americanos com o sucesso das empreitadas no exterior é tão grande que justifica o fato de que uma das razões da atual queda do prestígio político de Barack Obama seja a ideia de parte da opinião pública de que ele é incapaz de agir com a energia necessária em defesa dos interesses do país no exterior. “Para muitos, até mesmo membros de seu Partido Democrata, ele deveria ter declarado guerra ao Irã. Essa ideia é também compartilhada por países aliados, como Israel”, avalia Williams Gonçalves.

Independentemente da opinião dos norte-americanos, a postura intervencionista ou não que os EUA vão adotar deverá se pautar pelo processo de transformação na escala de poder mundial que está em curso. O sistema internacional de poder caminha a passos largos para a multipolaridade. E os EUA já sentem a perda do poder soberano das últimas décadas. A própria secretária de Estado, Hilary Clinton, disse há alguns dias que os EUA corriam o risco de ficar atrás da China na competição por influência global.

“A China deverá exercer um efeito maior ao longo dos próximos 20 anos do que qualquer outro país, e a Índia tentará ser a representante de algum dos polos econômicos que devem emergir. Como o mundo se ajustará a essa nova conjunção de forças dependerá muito desses dois países, que terão que decidir até que ponto estão dispostos, e se serão capazes, de exercer um papel global. Esse aumento de zonas de influência pode levar países como Brasil, Rússia, Indonésia, Irã e Turquia a ter um papel maior. As próximas décadas serão bem distintas do observado nos últimos 60 anos. Os EUA devem permanecer por bastante tempo ainda como a principal potência econômica e militar, mas o seu status de superpotência sem rival deverá diminuir ao mesmo tempo em que um sistema global multipolar emerge”, argumenta João Marcus Marinho Nunes.

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3 Opiniões

  1. WELLER MARCOS DA SILVA disse:

    Um bisonho discurso prometendo apoio ao circo do futebol em 2014 e para as Olimpíadas em 2016. Uma sugestão esperta: “colaborar na exploração do petróleo (o pre sal)”. O senhor Obama estava se divertindo conosco enquanto seus aviões piratas invadiam a Líbia, sob as ordens das Nações Unidas:Organismo de pressão instalado nos Estados Unidos, e que decide atacar um país em guerra civil (quebrando a soberania interna). Decisão de apenas 10 integrantes do Conselho de Segurança – que decidem pelo resto do munddo! Ora, o melhor seria o senhor Obana ter ido para o Japão, ou a “Conchichina” ao invés de vir nos trazer promessas de apoio aos circos do esporte. Que a senhora Dilma não se encante com o canto da sereia! Bem fez o Lula que não foi ao almoço, ele sabe o quanto custou ao Brasil ter conquistado os avanços tecnológicos na exploração das nossas riquezas petrolíferas. A águia norte americana já está mostrando as garras!
    Adios muchachos

  2. Nikacio Lemos disse:

    BRASIL E USA DOIS IRMÃOS QUE MERECEM SER MUITO + QUE AMIGOS !!!!
    Parabéns presidente Dilma , por reverter a política externa desastrosa do ex presidente Lula que tentou aproximar o Brasil de países ditadores tipo Irã , Venezuela e Cuba.
    Parabéns Dilma , por fortalecer a amizade entre Brasil e USA e concordo que nada mais justo que as duas maiores potencias das Américas sejam mais amigas , parceiras e Irmãs.
    Fora Lula com sua política desastrosa de aproximar o Brasil de países ditadores tipo Irã , Venezuela e Cuba.
    Os brasileiros em sua maioria, não compactuam com as intenções de Lula de fazer do Brasil uma futura Venezuela ou Cuba.
    Brasil e USA, grandes exemplos de democracia e respeito aos direitos Humanos.
    Fora Lula com sua política que pode comprometer a democracia, liberdade de expressão e imprensa .
    Fui..
    Nikacio lemos
    23 anos

  3. Janaina Porto disse:

    A aproximação de Lula com governos ditadores não retratam o desejo dele de torna o BRASIL UM PAÍS DITADOR. Um aproximação dessas não tornaria o governo brasileiro uma Ditadura… A Ditadura que ocultamente e verdadeiramente existe é o domínio e a grande vantagem que os EUA tem sobre o nosso país, são deles as principais multinacionais aqui instaladas…pra que ? Oferecer empregos e ajudar quem está desempregado? O dinheiro volta todo para os Estados Unidos e além disso temos nossos recursos destruídos !

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