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Caso de polícia

Quando o investigador torna-se investigado

Abuso do uso da força, corrupção e racismo geram crise no Departamento de Polícia de Nova Orleans

Quando o investigador torna-se investigado
Policiais flagrados usando força contra um negro

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O Departamento de Polícia de Nova Orleans (NOPD) vem passando por uma fase difícil. Em dezembro, um júri federal condenou três dos cinco policiais envolvidos em um tiroteio que resultou na morte de um homem na cidade, e, posteriormente, na queima de seu corpo. O episódio aconteceu alguns dias depois do furacão Katrina assolar a cidade, tornando o caso pequeno perto da tragédia.

No dia 13 de abril, outro júri federal condenou dois oficiais acusados de espancar um homem e jogá-lo para fora do hospital, alegando que o cidadão havia caído. Neste verão, o incidente da ponte de Danziger, o mais sério dentre os casos, está previsto para ir a julgamento. Seis civis foram mortos pela polícia próximo ao local, alguns dias após o Katrina. De acordo com as declarações de cinco oficiais, que se entregaram, os cidadãos eram inocentes e estavam desarmados. Outros seis policiais ainda irão depor.

O Departamento de Justiça dos EUA revelou, recentemente, um relatório que visa diagnosticar tudo que há de errado no Departamento de Polícia de Nova Orleans. O relatório levou 10 meses para ficar pronto, contém 157 páginas, e segundo as autoridades federais, é a investigação mais ampla já realizada no departamento de polícia da cidade. Espera-se formar a base para um conjunto de reformas que serão impostas em Nova Orleans e executadas por um juiz federal. O governo federal tem tomado medidas semelhantes das tomadas no passado nos departamentos de polícia de Los Angeles, Pittsbught e Cincinnati.

Muitas das conclusões do relatório eram previsíveis. A polícia de Nova Orleans tem tendência a abusar do uso da força. E uma vez que a força é utilizada, o departamento realiza um trabalho fraco de investigação. Vem sendo assim há pelo menos seis anos, desde que uma investigação interna descobriu que um oficial atirou desnecessariamente. O relatório também mostra que a polícia do local conduz de maneira ilegal revistas e pesquisas, especialmente com negros ou aqueles cuja língua materna não é o inglês. A maior parte dos casos criminosos da polícia de Nova Orleans envolve negros.

Personal policial

O relatório ainda investiga um sistema, conhecido como “pague pelo detalhe”, amplamente usado pelo departamento, que permite aos oficiais oferecer segurança a empresas e eventos, utilizando uniformes oficiais, mesmo fora de serviço. Aproximadamente 70% dos policiais trabalham em outros turnos, para compensar sua baixa remuneração. Os investigadores, que consideram o sistema “profundamente falho”, dizem que muitos policiais estão mais comprometidos com seu trabalho privado do que com suas funções na patrulha.

Os líderes de ambos os departamentos da cidade (que convocaram o Departamento de Justiça) adotaram o relatório. Ronal Serpas, o chefe de polícia, fez algumas reformas para detalhar o sistema, desde que tomou posse no departamento, em maio, e vem tratando com rigor os policiais envolvidos nestes casos.

Mas muitos policiais corruptos continuam fardados. Dificilmente passa-se um mês sem uma denúncia por qualquer tipo de crime a um dos policiais. Um capitão da polícia acaba de ser condenado pela criação de um esquema de propina, envolvendo uma operação de segurança. Em fevereiro, um antigo funcionário foi acusado de sequestrar uma mulher, suspeita de prostituição, e estuprá-la.

Enquanto o caos se instaura no departamento de polícia, o relatório aponta que a taxa de homicídios na cidade é cerca de dez vezes maior do que a média nacional. Outro relatório recomenda aumentar o efetivo, em cerca de 50%, para reduzir a taxa de homicídios, sem precisar se concentrar tanto em jogos de azar, prostituição e tráfico. “Estou convencido de que o departamento pode vir a ser um departamento de polícia de ordem mundial”, declara Serpas. E ele tem baseado seu trabalho nisso.

Fontes:
Economist - Guarding the guards

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1 Opinião

  1. martha huggins disse:

    ‘caso viaduto Danziger’ em new orleans é igual as chacinas Brasileiras. Estudo policia brasileira e assistando o jugalmento no ‘Caso viaduto Danziger’ martha huggins

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