Início » Pelo Mundo » Racismo ainda é problema na África do Sul
Raças na África do Sul

Racismo ainda é problema na África do Sul

Cidadãos mestiços permanecem desconfortáveis com a predominância negra

Racismo ainda é problema na África do Sul
Pardos eram vistos como desajustados raciais (Reprodução/Wikipedia)

Se Barack Obama morasse na África do Sul, ele talvez fosse chamado de pardo. Durante o apartheid, o governo decidia em qual das quatro categorias raciais um sul-africano pertencia – negro, pardo, indiano/asiático ou branco – baseado principalmente na sua aparência. A mesma categorização ainda existe, mas agora fica a cargo dos indivíduos.

Uma vez que os pardos eram vistos como desajustados raciais, declarados pela esposa do ex-presidente F. W. de Klerk, Marike como “menos que pessoas… os restos”, o que era de se esperar era que o número de sul-africanos a se descrever como tais despencasse. Mas desde o fim do apartheid em 1994 a população parda na verdade cresceu em mais de um terço, para 4,5 milhões.

Com tons de pele que variam do muito pálido até marrom escuro, muitos pardos eram (e ainda são) impossíveis de se diferenciar de seus compatriotas brancos ou negros. Alguns cruzaram a divisa racial e se juntaram a comunidades brancas. Mas após a proibição do sexo inter-racial em 1950, isso se tornou bem mais difícil. Casos de difícil distinção eram submetidos a um infame teste. O nível de ondulação do cabelo de uma pessoa (supostamente um indicador de raça) era medida com um lápis; se ele escorregasse e caísse no chão a pessoa era registrada como branca.

Essa experiência, junto a uma longa história de tratamento desigual e de serem considerados inferiores aos brancos, facilmente teria levado os pardos a se identificarem com o sofrimento dos negros. Mas diferentemente dos Estados Unidos, onde um presidente de raça mista se descreve como afro-americano, os pardos da África do Sul tendem a rejeitar sua herança africana, preferindo adotar a língua, cultura, religião e até sobrenomes dos seus antigos opressores brancos. A maioria dos pardos falam afrikaans (uma variação do holandês) e são membros da Igreja Reformada Holandesa. Nas primeiras eleições multirraciais na África do Sul, 18 anos atrás, dois terços dos pardos – uma proporção maior do que entre os brancos – votaram no partido que costumava ser seu opressor, o agora extinto Nacionalista, ao invés do liberacionista Congresso Nacional Africano (CNA). Hoje em dia a mesma proporção apoia a Aliança Democrática, liderada por brancos, o principal partido de oposição. Com nível de educação mais alto, e sendo tradicionalmente melhor tratados do que os negros, os pardos temem ser prejudicados pelo governo do CNA – talvez com razão.

Fontes:
The Economist - Still an issue

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *