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LITORAL NORDESTINO

Salles sugere que Greenpeace é culpado por derramamento de óleo

Ministro usa foto de 2016 para insinuar que ONG está por trás da crise no litoral nordestino. Maia repreende o ministro por fazer ‘ilação desnecessária’

Salles sugere que Greenpeace é culpado por derramamento de óleo
É terceira vez que Salles ataca a ONG nesta semana (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tornou a atacar a organização ambiental Greenpeace nesta sexta-feira, 25, insinuando, sem provas, que a ONG está por trás do derramamento de óleo que atinge o litoral nordestino desde setembro.

Em sua conta oficial no Twitter, Salles postou a seguinte mensagem: “Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…(sic)”.

A postagem era acompanhada de uma foto do navio Esperanza, da organização. A foto em questão, no entanto, foi tirada em 2016, quando a embarcação navegava pelo Oceano Índico.

Em resposta à postagem, o Greenpeace informou que vai tomar “medidas legais cabíveis” contra as declarações do ministro e disse que Salles recorre a uma cortina de fumaça para fugir de sua responsabilidade.

“Enquanto o óleo continua atingindo as praias do Nordeste, o ministro Ricardo Salles nos ataca fazendo insinuações sobre o desastre ecológico. Trata-se, mais uma vez, de criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação. É bom lembrar que isso vem de alguém conhecido por mentir que estudava em Yale e ser condenado na Justiça por fraude ambiental”, diz a nota (confira aqui a nota na íntegra).

Na nota, a ONG confirma que o Esperanza passou pelo litoral da Guiana Francesa, próximo ao litoral brasileiro, entre agosto e setembro, para realizar a campanha “Proteja os Mares”. No entanto, a embarcação não tem capacidade para armazenar e transportar uma carga de centenas de toneladas de petróleo. A organização também divulgou seu posicionamento nas redes sociais.

“Novamente @rsallesmma cria falsas acusações para esconder sua incompetência em agir e proteger as pessoas e o meio ambiente. Sua postura não é digna do cargo que ocupa. Quem nos acusa sofreu condenação por fraude ambiental e mentiu que estudou em Yale. #InimigoDoMeioAmbiente”.

Organizações ambientais expressaram solidariedade ao Greenpeace em relação aos ataques do ministro. Em sua conta no Twitter, a ONG ambiental SOS Mata Atlântica lamentou o fato de o ministro perder tempo com acusações infundadas, “em vez de liderar a operação, buscar a origem, punir os verdadeiros culpados e evitar futuros danos”

A WWF-Brasil destacou o fato do governo priorizar a criação de “polêmicas vazias”.

O Observatório do Clima, divulgou uma nota, intitulada “Improbo Ricardo Salles mente mais uma vez para atacar Greenpeace“, na qual afirma que o ministro parece “desconhecer a função da sociedade civil no regime democrático”.

“Assim como opta por ignorar seu papel como agente público na defesa do patrimônio ambiental dos brasileiros e por desprezar o decoro exigido pelo cargo, Ricardo Salles (Novo-SP) também demonstra desconhecer a função da sociedade civil no regime democrático. Organizações como o Greenpeace têm como missão vigiar o poder e apontar seus erros e abusos. Infelizmente, o governo Bolsonaro e a atual gestão do Ministério do Meio Ambiente têm mantido o Greenpeace e o restante da sociedade civil bastante ocupados”, diz a nota que encerra afirmando que se Salles “tivesse um pingo de decência, renunciaria”.

O ataque de Salles ao Greenpeace resultou em uma reprimenda do presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Estamos esperando uma posição oficial do Ministério do Meio Ambiente”, escreveu Maia em sua conta no Twitter, em referência à insinuação de Salles.

Em tom mais brando, Salles respondeu ao deputado que a ONG confirmou que seu navio passou pela costa do Brasil na época do derramamento e tornou a acusar a ONG de não auxiliar na limpeza do óleo. Maia respondeu afirmando que Salles fez uma ilação desnecessária.

É a terceira vez que Salles ataca o Greenpeace nesta semana. Na terça-feira, 22, o ministro publicou em sua conta oficial um vídeo, publicado originalmente pela ONG, que sugeria que a organização não estava atuando no combate à mancha de óleo. O vídeo, no entanto, era editado e cortava a parte que em que um porta-voz destacava a atuação voluntária da ONG na limpeza das praias nordestinas.

No dia seguinte, em resposta a um protesto da organização em Brasília contra a falta de ação do Ministério do Meio Ambiente em relação à mancha, o ministro chamou os manifestantes da ONG de “ecoterroristas”.

O governo federal vem sendo acusado de criar uma cortina de fumaça para desviar o foco da demora e da falta de ações efetivas para combater a mancha de óleo.

O Plano Nacional de Contingência, por exemplo, foi acionado somente 41 dias após surgirem as primeiras manchas no litoral nordestino. Além disso, o Departamento de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos – órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável por definir estratégias em casos de emergências ambientais – ficou sem direção por seis meses neste ano. O cargo foi ocupado 35 dias após as manchas surgirem no litoral nordestino.

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2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    De GREENSHIT para GREENPIXE esta organização mais atrapalha do que ajuda. Ontem poluíram a frente da sede do governo brasileiro. BASTARDS!

  2. Leonora Hermes Luz disse:

    Impressionante o número de pastas de ministérios ocupadas por psicopatas incompetentes neste atual (des)governo. E há quem os apóie, pois nem ler informações conseguem, tal é a lavagem cerebral.

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