Início » Economia » Internacional » Seita religiosa está na mira do governo chinês
Intolerância religiosa

Seita religiosa está na mira do governo chinês

Um assassinato em um McDonalds dá ao partido comunista um pretexto para atacar um velho inimigo

Seita religiosa está na mira do governo chinês
O ataque brutal no McDonalds foi filmado em um smartphone e o vídeo se espalhou de forma viral na internet (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Em 21 de agosto, cinco membros de uma seita religiosa banida na China, a Igreja do Deus Todo-Poderoso, foram a julgamento por um crime que chocou o país. Numa noite em maio, na frente de clientes atordoados em um McDonalds na cidade oriental de Zhaoyuan, na província de Shandong, os suspeitos teriam espancado até a morte uma mulher que se recusou a dar-lhes o seu número de telefone. O ataque brutal foi filmado em um smartphone e o vídeo se espalhou de forma viral na internet.

As autoridades aproveitaram o incidente para atacar um velho inimigo: “cultos do mal”. O Partido Comunista tolera a religião organizada quando suas igrejas são registradas e suas doutrinas não desafiam a autoridade do partido. Sua atitude em relação a congregações não-registradas e missionários estrangeiros é muito menos tolerante e dá sinais de endurecimento. Fenggang Yang, da Universidade de Purdue, diz que isso reflete a crescente influência de “ateus militantes” no partido.

O medo de seitas religiosas está profundamente enraizado no pensamento do partido. Em meados do século 19 uma seita popular conhecida como Taiping, cujo líder afirmava ser o irmão mais novo de Jesus Cristo, lançou uma rebelião sangrenta que quase derrubou a dinastia Qing. Mao tentou proibir superstições, temendo sua influência sobre a imaginação popular.

Mais recentemente, a criação na década de 1990 do movimento espiritual Falun Gong surpreendeu a liderança do partido, tanto por sua popularidade (milhões de funcionários e intelectuais aderiram) como por suas habilidades organizacionais. O partido despachou muitos adeptos para campos de trabalho forçado e outros para hospitais psiquiátricos. O movimento praticamente sumiu na China.

Mas o partido ainda teme o apelo de seitas que oferecem um sistema alternativo de crença e autoridade. Nos últimos dois anos, os governantes têm retomado seus esforços para erradicá-las, lançando campanhas de propaganda por todo o país.

A Igreja do Deus Todo-Poderoso já era um alvo antes mesmo do episódio no McDonalds. Em dezembro de 2012 a polícia deteve cerca de 1.000 adeptos em nove províncias por espalharem que o apocalipse estava próximo. Desde o assassinato, em maio, outros 1.000 foram presos.

Fontes:
The Economist-No-cult zone

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *