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Tailândia enfrenta pior enchente em 50 anos

Nova primeira-ministra Yingluck Shinawatra, eleita por ampla maioria há três meses, encara uma enxurrada de problemas imprevistos

Tailândia enfrenta pior enchente em 50 anos
Um monge tibetano atravessa uma rua alagada em Ayutthaya (Reprodução/Reuters)

Para Yingluck Shinawatra, a nova primeira-ministra da Tailândia eleita por ampla maioria há apenas 3 meses, a euforia da vitória está sendo varrida por uma calamidade não prevista – a pior enchente do país em 50 anos. Previsões econômicas estão sendo revisadas para baixo quase tão rápido como os sacos de areia se amontoam nas ruas. A inovadora política econômica que a ajudou a ser eleita, já sob furioso ataque, pode nunca ser posta em prática. Esta foi uma apresentação difícil às realidades do poder para a neófita de 44 anos, irmã mais jovem do ex-primeiro ministro populista Thaksin Shinawatra.

A Tailândia está acostumada a monções nessa época do ano, mas não na intensidade daquelas das últimas semanas. Mais de 270 pessoas foram mortas, quase 700 mil casas foram destruídas ou danificadas e grandes áreas das planícies centrais foram inundadas. As massas de águas estão rumando para Bangkok, e chamadas de emergências foram feitas para as pessoas doarem sacos de areia para proteger a indefesa capital. Mesmo assim é esperado que os subúrbios do norte e leste, ao menos, sejam afetados.

Yingluck tem corajosamente visitado as áreas inundadas, oferecendo apoio moral e econômico. Ainda assim, a resposta de seu governo tem sido criticada como tardia e ineficiente. Além do dano em curto prazo para a reputação do governo, no entanto, as consequências econômicas de longo prazo das inundações ocuparão deveras Yingluck e seus ministros. A Universidade da Câmara de Comércio Tailandesa estimou que o custo dos danos da enchente podem ser mais altos que 150 bilhões de baths (US$4.8 bilhões), e esse total se elevará significativamente caso Bangkok seja muito afetada. As áreas de cultivo de arroz do norte foram severamente atingidas; mais de 1,4 milhão de hectares de fazendas já estão debaixo d’água. Propriedades industriais também naufragaram. Economistas estão prevendo que o desastre pode reduzir em um ponto percentual ou mais a taxa de crescimento do PIB deste ano.

Um mergulho nessa escala pode começar a comprometer as ambiciosas políticas públicas do governo. Estas dependem de a economia permanecer com a boa saúde experimentada no governo anterior. Propostas tais como uma nova forma de subsídio do arroz, uma duplicação dos salários dos novos funcionários públicos e tablets de graça para todas as crianças começando a escola custarão muito dinheiro. Mesmo nos melhores tempos, todas estas políticas iriam provavelmente ter levado a uma inflação maior e a um aumento da dívida pública.

Fontes:
Economist - Swept away

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