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América do Sul

Traficante vira alvo de disputa entre Venezuela e Estados Unidos

Walid Makled afirma que membros do governo de Hugo Chávez recebiam dinheiro do narcotráfico mensalmente

Traficante vira alvo de disputa entre Venezuela e Estados Unidos
Walid Makled fez acusações contra membros do governo venezuelano

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No mundo do narcotráfico, Walid Makled era um peixe pequeno. Sua família na Venezuela é dona de uma companhia aérea, uma transportadora, e armazéns no porto de Puerto Cabello, e ele fez uso de todos esses bens para enviar pelo menos 10 toneladas de cocaína aos Estados Unidos. Mas desde sua prisão em agosto do ano passado na cidade colombiana de Cúcuta, os Estados Unidos e a Venezuela têm disputado as chances de prendê-lo. Seu interesse não é exatamente fazê-lo pagar por seus crimes – embora ele seja acusado de tráfico nos Estados Unidos, e por assassinato na Venezuela – mas sim, porque ele parece disposto a incriminar membros do governo de Hugo Chávez. “Membros do alto escalão do governo receberam meu dinheiro. Mensalmente, eles me custavam cerca de US$ 1 milhão”, disse ele em uma entrevista na cadeia concedida à TV colombiana.

O caso de Makled apresenta um dilema a Juan Manuel Santos, o presidente colombiano. Tanto os Estados Unidos, antigo aliado norte-americano, quanto a Venezuela, com quem ele tem tentado reatar relações depois de anos de turbulência, pediram a extradição do traficante. A Venezuela é um ponto-chave nas rotas de tráfico que seguem da Colômbia para os Estados Unidos e a Europa. O país encerrou sua cooperação formal com a Agência Norte-Americana Antidrogas em 2005, embora tenha deportado e extraditado traficantes procurados para os Estados Unidos desde então. Se há narcocorrupção no círculo de Hugo Chávez, Washington teria um prazer em expô-la. A Venezuela prefere ter o controle do depoimento de Makled pela mesma razão.

O governo colombiano anunciou em novembro que seria legalmente obrigado a extraditar Makled para a Venezuela, já que a lei colombiana diz que a extradição é concedida ao país que fizer o primeiro pedido. A Venezuela fez seu pedido em agosto do ano passado, e reiterou o pedido três vezes antes que os Estados Unidos fizessem seu primeiro pedido em outubro.  Especialistas acreditam que Santos tentava pressionar Barack Obama para que ele aumentasse seus esforços para conseguir a ratificação do congresso em um acordo de livre comércio com a Colômbia, de 2006. Mas em um encontro com Santos na Casa Branca, no dia 7 de abril, Obama concordou em seguir em frente com o acordo, e, de acordo com o presidente colombiano, deu sua bênção para que Makled fosse enviado à Venezuela. “Ele entende que ainda existem exigências legais, mas disse OK”, declarou Santos aos repórteres. Dois dias depois, ele se encontrou com Chávez em Cartagena, e, no dia 13 de abril, a Colômbia anunciou oficialmente que Makled seria enviado à Venezuela.

Para minimizar a ira norte-americana, a Colômbia não irá extraditar Makled até o mês de maio, dando aos agentes norte-americanos mais um mês para questioná-lo (ele afirma já ter sido interrogado por militares norte-americanos). No entanto, como não podem lhe oferecer uma redução de sentença, ele tem poucas razões para querer cooperar.

Quaisquer que sejam os segredos que Makled saiba sobre os laços do governo de Hugo Chávez com o narcotráfico, eles dificilmente serão revelados pra o mundo tão cedo.

Fontes:
Economist - First come, first served

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