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Estados Unidos

Um presidente abaixo do esperado

Eleito como a grande esperança de transformação dos Estados Unidos, Barack Obama agora é visto como um político de posições fracas, e sua reeleição está sob risco. Da 'The Economist*

Um presidente abaixo do esperado
Excesso de negociações com os republicanos pode custar reeleição a Barack Obama

Nos últimos instantes e às vésperas de completar 50 anos, Barack Obama conseguiu selar o acordo que aumentou o teto da dívida norte-americana e evitou a temida moratória que mancharia sua gestão. Isso não significa, no entanto, que a economia não possa desabar sobre a cadeira do presidente. O superstar de 2008, que, em certo momento parecia destinado a uma reeleição, agora parece extremamente vulnerável. Apesar de rumores de que ele arrecadará o valor recorde de US$ 1 bilhão para sua campanha, os democratas do Congresso começam a sussurrar que a possível vitória de Obama pode estar mais ligada à ausência – até agora, pelo menos – de um desafiante republicano à sua altura.

Poucos eventos dificilmente determinam o destino de um presidente. Aqueles que há menos de um ano disseram que o vazamento de petróleo no Golfo do México condenaria Obama estavam tão errados quanto os que disseram que o assassinato de Osama bin Laden em maio o tornaria imbatível. O combate à dívida corre o mesmo de risco de ser superinterpretado. O destino de Obama depende mais de duas apostas que ele fez bem antes dos republicanos recuperarem o controle da Câmara nas eleições de novembro. A reforma do sistema de saúde que devorou o capital político nos primeiros dois anos não cativou os eleitores, e os mais de US$ 800 bilhões do pacote de estímulo econômico ainda não se traduziram no esperado aumento no número de empregos. O resultado da próxima eleição presidencial depende mais dos níveis de desemprego do que da performance de Obama na novela do teto da dívida.

Obama diz que, uma vez que a batalha a respeito da dívida já ficou para trás, ele agora pode voltar suas atenções para a criação de empregos. Mas todo o espetáculo da dívida conseguiu solidificar as dúvidas a respeito da qualidade de sua liderança. No fim das contas, os republicanos venceram essa batalha, ainda que não tenham conseguido tudo o que queriam. Por exemplo, o teto foi aumentado de forma que os Estados Unidos podem chegar a uma nova eleição presidencial sem que outro confronto aconteça. Mas na questão principal defendida por Obama – a necessidade de combater a dívida com aumentos de impostos sobre a população mais rica, além de cortar gastos – foi ele que teve de ceder.

É verdade que ele não perdeu a batalha porque seu discurso foi derrotado, mas sim porque não estava disposto a ser inconsequente como os republicanos. Aumentar o teto da dívida é uma operação de rotina que permite ao governo pagar as contas que o Congresso já está devendo. Ao se recusar a aumentá-lo a menos que o governo cortasse gastos, os republicanos apontaram uma arma para a economia e ameaçaram apertar o gatilho caso não fossem atendidos. Ameaçados pelo perigo de uma moratória, Obama e seu partido não tinham muitas opções a não ser se render. E pelo menos, os termos da rendição incluíram  a criação de um novo comitê bipartidário que pode, na teoria, incluir aumentos de impostos e cortes de gastos quando produzir a próxima fatia da redução do déficit.

A pergunta que aflige a todos é por que Obama caiu nessa armadilha, e não tornou o aumento da dívida uma condição da extensão dos cortes de impostos da era Bush em dezembro do ano passado? E por que demorou tanto para colocar as finanças do país em ordem? Ele teve o trabalho de criar uma comissão bipartidária do déficit, que no fim do ano produziu a abordagem “equilibrada” que ele tanto defende. Mas depois não apoiou seus números ou apresentou um plano sério por conta própria. Isso estimulou os republicanos, que agora dizem – com muita propriedade – que, sem eles, não haveria nenhuma espécie de controle da dívida.

Os críticos dentro do Partido Democrata dizem que o presidente uniu o pecado da comissão a seu pecado original de omissão. Quando pressionado pelos republicanos, Obama poderia ter feito mais barulho para protestar contra a extorsão. Mas ao invés disso, ele preferiu se encolher, seduzido pela ilusão de uma “grande negociação” com John Boehner, o líder republicano. No fim, Boehner deixou o presidente esperando no altar –  mas não antes que a obsessão do presidente por uma negociação desse à discussão da dívida uma legitimidade que ela não merecia.

Há observadores mais generosos que afirmam que Obama teria “cozinhado” a discussão da dívida, aproveitando a situação para se colocar no centro da política, numa manobra visando as eleições do ano que vem. Ele pode não ter conseguido o que queria, mas seu discurso cobrando uma participação maior dos ricos no combate à dívida deve mexer com os eleitores no ano que vem.

Talvez, mas o público nos Estados Unidos e no mundo viu apenas uma enorme confusão, e enquanto isso vários democratas esquerdistas reclamam privadamente que o comportamento do presidente foi fraco e covarde. Não tendo conseguido fugir, ele não mostrou um limite para as negociações. Quando negociou a reforma da saúde, também desperdiçou um tempo precioso à espera de um apoio republicano que nunca veio. Tudo segue o mesmo padrão, dizem eles, de um líder que foge dos conflitos necessários, se recusa a compreender a intransigência de seus inimigos, prefere minimizar as diferenças a manter uma postura firme, e não tem a coragem necessária para apostar em suas convicções. Estrangeiros – num grupo que vai de Vladimir Putin (que nessa semana chamou os Estados Unidos de “parasitas”) ao Talibã – correm o risco de chegar às mesmas conclusões.

Qualquer avaliação de Obama deve levar em conta a herança maldita que ele recebeu em sua chegada à presidência: um colapso financeiro, uma economia paralisada e duas guerras. Agora ele luta contra uma oposição igualmente maldita: um Partido Republicano inconsequente e populista, cujas vozes moderadas foram silenciadas por ideólogos destinados a tirá-lo da presidência. Por essas dificuldades, ele merece alguma simpatia. Mas os norte-americanos esperam que seus presidentes sejam vencedores, e não vítimas. Se Obama tem planos de se manter na presidência, terá que jogar de maneira mais dura. Especialmente se os republicanos encontrarem o candidato capaz de enfrentá-lo.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The Economist - "An underperforming president"

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3 Opiniões

  1. LINDIMARIO DIAS CUNHA disse:

    O MOMENTO, E DO PRESIDENTE, BARAK OBAMA, APESAR DOS PROBLEMAS,QUE ELE ENFRENTA, E QUE VAI ENFRENTAR.OS OBSTACULOS SERAO REMOVIDOS, E NO FINAL TUDO ACABARA, BEM. ACHO QUE NAO HAVERA ARTICULAÇAO POLITICA CAPAZ DE TIRA-LO DA PRESIDENCIA, DOS ESTADOS UNIDOS, POIS ELE PEGOU UM PAIS JA QUEBRADO, ECONOMICAMENTE, SEM FALAR EM DUAS QUERRAS, HERANÇA BUCH. O FATO QUE O PRESIDENTE OBAMA, VAI TER QUE AGIR, RAPIDAMENTE, E APRESENTAR UM PLANO PESSOAL, PARA NEUTRALIZAR OS REPUBLICANOS, E SE MANTER NA PRESIDENCIA DA REPUBLICA. DEUS IRA CAPACITA-LO, POIS ELE ESTA NO COMANDO DE TODAS AS COISAS, ENAO HA NADA E NEM NIMGUEM QUE IRA DETE-LO. BARAK ACREDITE EM SUA CAPACIDADE, E QUE VOCE E UM ESCOLHIDO DE DEUS.

  2. Rogerio Faria disse:

    O problema não é Obama, Bush, Tea Party, Pentágono, CIA, republicanos etc. A economia americana começa a afundar. As nações estão mais “espertas” e não estão mais aceitando o jogo político e econômico escrito na “Cartilha do Tio San”. Os BRICS estão aí com força, Os governos corruptos do Oriente Médio estão caindo um a um, a Ásia mostra sua energia econômica, a África se alia aos chineses e russos e o parceiro Europeu se atola na lama da ineficiência. O consumismo e estilo de vida dos gringos (poluidor e degradande ao meio ambiente) começam a dar sinais de exaustão de um sistema que não tem como mais se sustentar. Não é o EUA que está quebrado é o sue “modus operandi econômico de acumulação e exploratório” que faliu.

  3. Andrés disse:

    Mais abaixo que George “WC” Bush ? Difícil!
    Obama está enfrentando uma situaçao mais complexa que qualquer outro porque os enemigos nao so estao fora do pais senao que aparentemente estao dentro do proprio pais e nao duvido que até dentro do proprio partido.
    Boa sorte Obamao!!!

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