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Vai a faixa, fica a pose

Então no poder máximo do país, Lula acomodou-se na maior das armadilhas do poder: o orgulho. Por Leandro Mazzini

Vai a faixa, fica a pose
A foto de Lula já foi fixada no térreo do Palácio do Planalto, ao lado de FHC

Anos e anos atrás, quando era então o operário barbudo candidato ao Planalto ainda distante do sonho, Luiz Inácio Lula da Silva confessou a um apresentador de TV em seu programa que o poder o fascinava. Viu-se uma profecia. Então no poder máximo do país, o presidente da República, embora tenha exercido bem o seu papel em muitos momentos – deixou um legado invejável para outros chefes de Estado, como a maior divisão de renda já feita no país – acomodou-se na maior das armadilhas do poder: o orgulho. E criou um bordão que acompanhou seu vocabulário até os últimos dias no cargo, o “nunca antes na História desse país”.

Nesta frase Lula se entregava. Desnudava aquele Lula que, na TV, confessou há duas décadas que sonhava com o fascínio do poder. Há um mistério nas palavras de um aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há um abuso de poder em um de seus últimos atos. Há uma sombra de sua lenda viva – iluminada pela alta popularidade – pairando sobre o Palácio do Planalto. Parece que Lula não quer deixar o poder. Lula tirou a faixa, mas manteve a pose.

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Lula errou ao pedir passaportes diplomáticos para os filhos, atropelou uma instituição séria com história brilhante que é o Itamaraty. E o mistério fica por conta das declarações do seu ex-chefe de gabinete durante oito anos e atual secretário-geral da presidência Gilberto Carvalho. Em duas entrevistas recentes aos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, em palavras distintas, porém com sinais claros, Carvalho deu a dica de que Lula poderá voltar a disputar a presidência em 2014. Tudo, claro, dependerá do contexto político, social, econômico e, principalmente, de como a presidente Dilma Rousseff vai conduzir esses fatores.

Caso não entre numa submersão política e cavalheiresca digna de ex-chefes de Estado, a exemplo de seus antecessores, Lula, com sua conhecida ênfase no discurso sócio-político e craque na eloquência emotiva, poderá vir a ser o maior desafio da presidente que ele próprio ajudou a eleger, se voltar em breve a surgir na mídia dando palpites e conselhos.

Eis o perigo para ambos. Nem nas mais obscuras monarquias houve dois reis.

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4 Opiniões

  1. Viko Cesar disse:

    Esperavam outra coisa?

  2. Viko Cesar disse:

    Voltaire já dizia que “o prazer de governar deve ser enorme, uma vez que tanta gente se mete nisso tão a vontade”. Com Lula não foi diferente…

  3. cau disse:

    O sentimento de orgulho quando exagerado é muito maléfico mesmo. Mas quando fazemos um trabalho bem feito, uma dose de orgulho é natural – a arte é achar o ponto de equilíbrio.
    Eu preciso dizer que, como eleitor, dentro da minha postura nacionalista e anti-neo-liberal, estou muito orgulhoso do governo que ajudei a eleger e o fato é que estamos realmente vendo muitas coisas que “nunca antes na história desse país” aconteceram. Alguém discorda?
    … bem pior que isso é ver o orgulhoso FHC, que vendeu metade da nação (a preço de banana) e continua se achando “o grande presidente”…

  4. Amadeu Pereira dos Santos disse:

    Imaginam vocês se o Lula não existisse. Quem teria sido Presidente do Brasil nesse memorável período histórico de 2002 a 2010. O Serra ? O Alkimim ? O Itamar Franco?. Quem mais? Algo me diz que nenhum deles teria feito uma administração tão consensualmente tolerada, aceita, admirada Aplaudida. Não. Eu não esqueci que o Barbudo ( O homem que comia criancinha. Lembram?) tem também adversários. Mas esses não podem dizer que nunca se sentarão à minha mesa. Todos nós sabemos que na política é assim: Os que são a favor hoje, poderão ser contra amanha. E os que são contra poderão estar a favor. E talvez , um dia, todos concordem que foi muito bom para todos nós brasileiros termos o fenômeno Lula, com orgulho, ou sem orgulho, na Presidência do Brasil.

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