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Eleições 2010

Votos nulos, úteis ou cacarecos na rotina do eleitor

Com o slogan “Tiririca, pior que tá não fica”, Francisco Everardo é um fenômeno. O voto em pessoas como ele recebeu o nome de voto cacareco. Por Claudio Carneiro

Votos nulos, úteis ou cacarecos na rotina do eleitor
Na campanha, Tiririca transforma a ignorância em jargão: “Eu não sei o que um deputado federal faz, mas se você votar em mim eu te conto!”

O fato de o candidato Francisco Everardo Oliveira Silva estar em primeiro lugar na preferência do eleitorado paulista para o cargo de deputado federal pode ser um sintoma de que a política brasileira está mesmo muito doente. Se você não associou o nome à pessoa, o “político” em questão é, na verdade, o cantor e humorista Tiririca. Talvez cansado com o desempenho dos políticos de profissão, o eleitor tenha apostado em algo novo – ou alguém não comprometido com plataformas, alianças e conchavos políticos. Esta forma de protesto demonstra que o eleitor transformou em piada a grande tragédia nacional: a política perdeu a vergonha.

O que você precisa saber antes de votar

Francisco Everardo Tiririca não tem vergonha de ser o diagnóstico e o tratamento para o corporativismo e outros “ismos” e a bandidagem e outras “agens” tão comuns à vida pública tupiniquim. O voto em pessoas como ele recebeu o nome de voto cacareco. O candidato que chama o eleitor de “abestado” confessa desconhecer suas futuras atribuições quando chegar ao Congresso: “Para falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá (sic), vou passar a conhecer”. Na campanha, Tiririca transforma a ignorância em jargão: “Eu não sei o que um deputado federal faz, mas se você votar em mim eu te conto!”

Com o slogan “Tiririca, pior que tá não fica”, ele é um fenômeno. O presidente do Ibope – como sempre – Carlos Augusto Montenegro tira – como sempre – mais uma frase de efeito de seu – como sempre – vasto repertório: “Não acharia uma aberração se ele recebesse um milhão de votos”, dispara. Da Estatística para a Matemática, isso é mais que o dobro dos votos (493.951) que obteve Clodovil Hernandes em 2006.

Cada estado tem o Tiririca que merece: Mouralidade é candidato a deputado estadual pelo PRP fluminense; Miss Edilson Haylander (sic), a deputado estadual pelo PTC do Amazonas; Colesterol, a estadual pelo PT do B de Sergipe; Magaiver (sic), a estadual pelo PR alagoano; Doutor Uray por nós (sic) a estadual pelo PRB da Paraíba; e Pirulito do Amor, a estadual pelo PSOL do Acre. Seria engraçado se não fosse muito triste.

Com o objetivo de evitar o voto cacareco ou ainda a vitória de determinado candidato logo no primeiro turno, foram criadas outras figuras de sintaxe como voto útil, voto indireto (cuja conotação mudou) e ainda o voto nulo de sempre. O TSE prevê ainda os votos a descoberto, aberto, australiano, cabresto, cantado, colorido (que apesar do nome não é no Collor), corrente, cumulativo, de eficácia verbal de legenda, direto, distrital, do preso, eletrônico, em branco, em separado, em trânsito, encadeado, facultativo, feminino, formiguinha, igual, impresso, incompleto, indireto, limitado, nominal, nulo, obrigatório, partidário, pessoal, plural, popular, por correspondência, proporcional, público, restrito, secreto, singular, uninominal, universal, válido e vinculado.

O que se chama de voto indireto hoje nada tem a ver com o voto indireto com o qual elegemos, por exemplo, Tancredo Neves, e que o TSE explica como “aquele em que os eleitores elegem delegados que, por sua vez, escolherão aqueles que vão ocupar cargos políticos”. Os que querem evitar, por exemplo, que a votação para a presidência da República se defina logo no primeiro turno, apregoam que votar em Marina Silva ou em Plínio de Arruda Sampaio seria uma mera transferência de votos para Dilma Rousseff, ou seja, um “voto indireto” na candidata do PT.

Com o objetivo de estimular o debate, defende-se o voto útil em José Serra como o único com chances matemáticas de fazer frente à candidata oficial num eventual segundo turno – possibilidade que faz certo sentido diante dos novos e escandalosos fatos que nos surpreendem a cada dia e que podem reduzir as chances de vitória dela logo no primeiro turno. O voto útil seria um voto tático, estratégico, que não deveria ser desperdiçado com “lanterninhas” das pesquisas eleitorais – segundo o que pensam os tucanos.

Pizza e cereja

Quando disputava a prefeitura do Rio, o atual candidato a governador Fernando Gabeira manifestou-se contra o voto útil: “Se aceitarmos essa ideia, vamos entregar de mão beijada o que a gente mais quer numa eleição que é votar no candidato que a gente prefere”. O voto útil traz em sua bagagem o efeito psicológico de evitar que o eleitor vote em perdedores migrando sua escolha para os favoritos. Na home de seu site de campanha, a candidata Marina Silva dispara: “É inútil o voto de quem vota útil com a mera intenção de forçar a realização de um segundo turno”.

Com linguagem didática, a campanha de Marina na TV faz uma analogia entre os candidatos e pedaços de pizza de diferentes sabores. “Será que para ter segundo turno é preciso engolir quem você não gosta?”, pergunta. Resta saber quem seria a mussarela, a calabresa, o alho e o champignon.

Uma vez que o assunto também é culinário, os votos de Marina são a cereja do bolo que os petistas querem beliscar: os votos que podem decidir a coisa logo no primeiro turno. Por isso, o objetivo deles é “desidratar” e “debilitar” a campanha da verde candidata. A pregação junto aos eleitores do PV pelo voto útil já começou. Já o PSDB acredita que Marina também pode roubar os votos de Dilma no primeiro turno. Parece que a acreana é mesmo o fiel da balança.

Curiosamente, o único sopro de frescor e novidade desta monótona campanha veio do mais velho dos candidatos. Aos 80 anos, Plínio de Arruda Sampaio fez de tudo para decolar e tomar a posição de cereja da terceira colocada a quem chamou de “ecocapitalista” e “Poliana”. Mas o marasmo do eleitorado – também denunciado por ele – não permitiu maiores mudanças de cenário. Independente do nome do voto, o ideal seria evitar a escolha naquele que consideramos o “menos pior”. Esta expressão é tão equivocada que até mesmo o pouco confiável corretor do Word a sublinha.

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15 Opiniões

  1. João Cirino Gomes disse:

    Nesta salada de fruta tem muitos se não todos interessados em manter suas mordomias exercendo vários cargos e suas varias aposentadorias ganhando votos de abestados! Pois não passam de abestados, os que acreditam nas promessas de políticos brasileiros, mas tem uma outra parcela que é de macacos amestrados e ignorantes, que para salvar seus cargos e suas vantagens pessoais, vendem até a mãe!! E outra parte é de infelizes e analfabetos funcionais e desempregados, que mesmo estando presos em um curral eleitoral, sem dignidade, ainda acreditam nestes canalhas que lhes estão distribuindo aquilo que roubam, do cidadão honrado e do aposentado!
    Por estas e outras meu voto SERÁ NULO! Digitarei 0000 e confirmarei! ]
    Esta é a melhor maneira da população demonstrar sua indignação!
    Olhem para o contraste entre os canalhas que pedem votos se dizendo santinhos, ou salvadores da Pátria; se não a maioria todos exercendo vários cargos principescos ao mesmo temo; com varias aposentadorias e ainda com processo por corrupção desvios e roubos! É OU NÃO É O CUMULO DA IGNORÂNCIA DAR UM VOTO DE CONFIANÇA E ESTAS PULHAS?

    Que vão continuar seus roubos e desvios bem sei, pois se assim não fosse a lei da ficha limpa já teria sido aprovada; e a lei de imunidade que acoberta ladrões não existiria mais!
    Bom se querem roubar, eu é que não vou facilitar lhes dando meu voto de confiança; pois diante de tantas provas e impunidades, eu estaria sendo conveniente com este bando ladrões!

  2. Carlos U. Pozzobon disse:

    Esses candidatos são lançados por espertalhões para fazerem votos para eles. Em 2006 Clodovil foi eleito com 600 mil votos. Candidato com 200 votos de seu partido aproveitou os votos sobrados e se elegeu.

    Infelizmente se trata de uma aberração de nosso sistema eleitoral. Deputado Federal só deveria ser aceito como candidato se fosse aprovado em curso de gestão pública, embora acho que sequer existe.

    Por isso recomendo ao eleitor escolher candidatos apenas dos partidos grandes (PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS, PDT, PTB). Muitos nanicos são apenas parasitas de verbas públicas.

    Para saber sobre o descalabro do nosso Congresso veja o depoimento do falecido senador Jefferson Peres em

    http://wn.com/senador_jefferson_peres

  3. Nelson João Teixeira disse:

    O que adianta politicos se preocuparem com o estudo dos jovens, se na maioria são semi analfabetos. Para serem deputados e senadores pelo menos deveriam ser formados em cursos superiores. Mas como o exemplo vem de cima, não podemos fazer nada. Temos que engolir lutadores de box, humoristas, palhaços e outros tipos que almejam uma boquinha para tambem roubar. Já não temos politicos a altura para cargos do governo. Se são estudados são corruptos, se são burros vão ser comprados. É o fim.

  4. weller marcos da silva disse:

    Considerar a política Nacional como tragédia é uma forma raducal de menosprezar a capacidade de discernimento de toda a população do Páis. Na verdade, o problema das candidaturas “escrudentes” não é uma situação generalizada, representando apenas uma pequena fração do todo. Quando pregamos a incapacidade do povo brasileiro em votar estamos regredindo ao ponto de admitir que o sistema de eleições no Brasil é plenamente dispensável. Na medida em que se advoga uma participação meramente elitista e acadêmica neste processo, excluimos o grande contigente de cidadãos que constituem a naior parte desta Nação. É preferível admitir que ainda estamos caminhando em busca do aperfeiçoamento do caráter cívico para constituir no futuro um povo mais preparado e responsável com as questões da política e do que a ela se incumbe.
    Adios Muchachos

  5. Téka Assunção disse:

    Infelizmente, o Brasil está repleto de “espertinhos” e “espertalhões”. Esses tais, se fazem de idiotas, como se não soubessem de nada, para ludibriar o povo analfabeto. E o pior é que as pessoas caem como patinhos. Eles sabem fazer muito bem o “papel” do ignorante… do abestado.. dos “bonzinhos”.. sempre pensando em enganar os menos favorecidos, os sem cultura.Mas o que se conta verdadeiramente, é a preocupação com o bolso deles, e não com o bem estar do povo, o bem estar da Nação. Há uma completa inversão de valores.
    Não sei onde iremos parar, não sei que futuro
    nos espera. Só sei que existe algo de obscuro; ou melhor; ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA.
    Abços,
    Téka

  6. Lívia Helena disse:

    Nesse país fica difícil votar em um candidato, a começar pela oferta dos mesmos, Tiririca, entre outros. Sinto enorme tristeza, porque não vejo opção. Posso votar nulo. Mas o eleitor que, como o próprio Tiririca, não faz idéia do que faz um deputado e acaba votando em quem se identificam. É preciso fazer uma reforma política já. Tem que haver critérios para um candidato. Será que todos eles sabem sobre ética,já que desconhecem o próprio legado?

  7. João Cirino Gomes disse:

    Esta eleição vai ser ganha nas urnas; quero dizer, duvido se já não estão preparados para forjarem o resultado eleitoral: Eu vejo a mídia mostrar uma aceitação, tanto do Lula quanto da Dilma inaceitável: Façam suas proporias pesquisas e notem: Antes, quando eu lia os comentarias nas paginas da internet, até achava que as pessoas menos privilegiadas não tinham acesso a internet, mas faziam parte da opinião publica: Agora já não penso mais desta maneira; pois só vejo revolta, de todos e em todo canto! A não ser uma minoria que estão trabalhando nas campanhas, por necessidade, ou para obter cargos!
    Meu voto de confiança é no NULO: Digitarei 0000 e confirmarei!
    E aos que não gostarem, ou não estiverem de acordo; um catiripapo, um pé no traseiro e fuii!

  8. Markut disse:

    É claro Weller. A busca do aperfeiçoamento, neste caso, é manter o sistema de votação ,corrigindo-o e não eliminando-o.
    Pregar a incapacidade que a massa eleitora tem hoje, não é advogar pela sua eliminação e, sim, pelo seu aprimoramento.
    E o primeiro passo para isso é uma revolução cultural de raiz, através de uma escolaridade básica competente.
    Sendo tarefa para ,pelo menos, uma geração, o essencial é clamar pelo start desse processo, com a devida urgência.

  9. Ademerval disse:

    Se o voto não fosse obrigatório o candidato citado não seria nem cogitado para o pleito, visto que, a maioria das pessoas que não se enteressam por “política” , com o seu futuro e o de seu país, nem perderia tempo em uma fila enorme para jogar seu voto fora, simplesmente deixariam de ir.

  10. Alexandre Ataíde Neto disse:

    TIRIRICA O CONTRASTE DA ELEIÇÃO 2010. NÃO QUERENDO E QUERENDO ELE “COISOU”, ENGANOU E FOI VOTADO PELOS ELEITORES IRRACIONAIS E ABESTADOS COMO ELE.

    Em; 03.10.10

    Se eleito Tiririca vai ser o símbolo da negligência eleitoral destas eleições, tanto do partido que aceitou a sua filiação, como do TER (paulista) que permitiu a sua candidatura. Para exercer o cargo de deputado federal, no mínimo, Tiririca teria que ter o 02º grau completo. Pergunta-se quem ele vai mandar redigir os antes projetos de lei? Quem irá à tribuna ler o ante projeto e posteriormente falar para defendê-los com argumentos fortes e plausíveis, para que o mesmo seja aprovado? Se Tiririca for um Zé ninguém em termos de cultura e conhecimento, certamente vai sofrer um processo de Ferimento de Decoro Parlamentar, proposto por um outro parlamentar e poderá ser cassado, tão logo assuma o cargo, para o qual não estará preparado a exercer. Eleito Tiririca será mais um pepino para o MP, TRE, TSE e o indeciso acobertador STF. Tenho minhas razões para “baixar a lenha” nesss desprezíveis juizes. Uma razão para isso entre outras recentes: Me impediram de exercer o direito de votar apenas com o título.
    Antec.
    Alexandre Ataíde. Belém – Pá.

  11. Roderio Faria disse:

    Ainda bem que acabaram com a Lei Seca. Fui votar depois de tomar umas “devassas”. Só assim mesmo para encarar a “maquininha dos horrores”. É “00000” ENTRA.

  12. adalberto s. oliveira disse:

    voce parece bôbô,qualquer um que fôr eleito, da na mesma, quer dizer: não serve pra nada, o sistema é que é podre,e isso não podemos mudar.
    grato.

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