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Por que ambientalistas brasileiros são assassinados?

O país é amplamente considerado o mais perigoso do mundo para ambientalistas

Por que ambientalistas brasileiros são assassinados?
A matança de ambientalistas é grande no Brasil, porque a propriedade de terra é uma das 'mais concentradas e desiguais do mundo' (Foto: Pixabay)

O ambientalista Raimundo Santos Rodrigues defendeu por anos uma das últimas faixas preservadas do leste da floresta amazônica de madeireiros, garimpeiros e fazendeiros. No entanto, seu ativismo fez com que ele ganhasse inimigos no Maranhão. Na última teça-feira, 25, esses inimigos atacaram.

Leia mais: Dez anos do caso Dorothy: apenas 5% dos assassinatos na Amazônia são julgados

Santos Rodrigues estava voltando do mercado com sua esposa para a Reserva Biológica de Gurupi, quando dois homens apareceram e disparam contra o casal, segundo uma testemunha contou à mídia local. Para terem certeza da morte de Rodrigues, os atiradores ainda o esfaquearam. Já sua esposa foi levada para o hospital.

Enquanto o superintendente da polícia Federal, Alexandre Garcia, diz que o caso vai ser tratado com prioridade, a promessa parece vazia diante da realidade brasileira. O país é amplamente considerado o mais perigoso do mundo para ambientalistas. Entre 2002 e 2013, pelo menos 448 ambientalistas foram mortos no Brasil, de acordo com a ONG internacional Global Witness. Isso equivale a cerca de metade do total de ambientalistas mortos no mundo inteiro durante este período. No ano passado, 29 ambientalistas brasileiros foram assassinados, novamente uma quantidade maior do que em qualquer outro país, segundo a ONG.

A matança de ambientalistas é grande no Brasil, porque a propriedade de terra é uma das “mais concentradas e desiguais do mundo”, o que levanta conflitos entre agricultores de subsistência ou grupos indígenas e latifundiários, de acordo com a Global Witness.

Outros casos conhecidos

A agência de proteção para qual Santos Rodrigues trabalhava era em homenagem a Chico Mendes, um dos mais famosos ambientalistas assassinados. Ele foi morto em 22 de dezembro de 1988.

Em fevereiro de 2005, foi a vez da irmã Dorothy Stang, de 73 anos, que foi alvo de dois atiradores. Mas, talvez, o caso mais pertubador tenha sido o de maio de 2011. José Claudio Ribeiro da Silva, conhecido como Zé Claudio, que era seringueiro e ativista como Mendes, sofreu junto com sua esposa uma ameaça de morte, enquanto organizava protestos contra uma madeireira ilegal: “esteja preparado para ser silenciado para sempre”.

Em novembro de 2010, ele fez um discurso desafiador em Manaus: “eu vivo da floresta e vou protegê-la a qualquer custo. E é por isso que eu vivo sob constante ameaça de receber uma bala na cabeça. Eu estou aqui falando hoje com vocês, mas daqui a um mês eu posso ter desaparecido”. Seis meses depois, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato quando tiros foram disparados em seu quintal. Mas em 24 de maio de 2011, sua sorte acabou.

No mesmo dia que Ribeiro da Silva e sua esposa foram mortos, o Congresso votou para alterar o código florestal, garantindo anistia para o desmatamento ilegal. A mudança também reduziu a porcentagem de terra que os fazendeiros precisam preservar.

 

Fontes:
The Washington Post-Why are Brazil’s environmentalists being murdered?

2 Opiniões

  1. b.flavio disse:

    Parabéns a esses profissionais que morrem tentando ensinar o quão importante é preservar, mostrando que país DESENVOLVIDO é aquele que supre as necessidades atuais garantindo as necessidades das futuras gerações, sem precisar destruir, poluir,desmatar e matar tudo!
    Mereciam muito mais que o reconhecimento pelo seu trabalho!!

  2. Ludmilla Von Drake disse:

    Ambientalistas são uns inúteis, assim como eram os ecologistas da década de 70 e 80, tanto que esses últimos estão sumidos. Adoram fazer turismo ecológico, fumar maconha e beijar cachorro na boca. Sustentabilidade, para alguns deles, significa voltar para o paleolítico e nunca descobrir o fogo; para outros é só discurso vazio.

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