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Falha da democracia

Por que ano de eleição prejudica o eleitorado

Estudos mostram que a proximidade de eleições influencia de forma desigual a tomada de decisões políticas e até o comportamento do Judiciário

Por que ano de eleição prejudica o eleitorado
Estudos mostram que políticos e juízes mudam o comportamento na tentativa de atrair votos em ano de eleição (Reprodução/Internet)

A necessidade de atrair eleitores é um fator que sempre pesou na tomada de decisões políticas, mas esse fenômeno ganha força em ano de eleição. Vários estudos recentes sugerem que, na medida em que eleições se aproximam, os processos políticos, econômicos e judiciais sofrem distorções que são prejudiciais ao país como um todo.

Nos Estados Unidos, após um desastre natural, declarações presidenciais permitem que presidentes unilateralmente autorizem a liberação de recursos federais especiais para ajudar estados afetados a lidar com catástrofes. Um estudo de 2011 do pesquisador Andrew Reeves, da Universidade de Boston, analisando quase mil declarações presidenciais assinadas entre 1981 e 2004, mostra que tais declarações têm duas vezes mais chances de beneficiar estados muito disputados em eleições do que aqueles onde um candidato é o claro favorito. Como recompensa, o benefício pode atrair até 1% dos votos do estado beneficiado para o presidente ou o candidato do seu partido.

Distribuir dinheiro é uma estratégia atraente em ano eleitoral, tomar decisões econômicas difíceis, nem tanto. Uma análise de 2013 de países latino-americanos revela que em anos eleitorais, reservas internacionais caem muito mais acentuadamente do que em anos não eleitorais, na medida em que as autoridades procuram estabilizar taxas de câmbio antes de os eleitores irem às urnas. Depreciações cambiais também costumam ocorrer apenas após a realização de uma eleição.

Tais efeitos não ocorrem nos países ricos da OCDE, no entanto, onde as reservas internacionais não oscilam de acordo com os ciclos eleitorais. Os pesquisadores calculam que os bancos centrais desses países desenvolvidos têm mais autonomia e são capazes de resistir às exigências do Executivo de manipular a moeda. Isso é munição para o argumento de que a democracia funciona melhor com mais restrições institucionais sobre o comportamento dos políticos.

Mas freios e contrapesos não podem resolver todos os problemas. Ciclos eleitorais podem até afetar o braço mais independente do governo, o Judiciário. Um estudo de 293.868 casos julgados entre 1950 e 2007 por tribunais de Justiça dos EUA, cujos membros são escolhidos por nomeação presidencial, mostra que o comportamento dos juízes muda drasticamente com a aproximação das eleições. Sentenças com viés claramente partidário dobram nos trimestres que antecedem uma eleição presidencial. A explicação dos pesquisadores é que os juízes estão sendo influenciados pelo ambiente à sua volta a se comportar de forma mais partidária. Essa mudança no comportamento dos juízes também tende a ocorrer com mais frequência nos estados mais determinantes para o resultado de eleições e onde a campanha publicitária dos candidatos é mais pesada. Os juízes também são influenciados pela intensidade da disputa eleitoral, com julgamentos partidários ocorrendo com mais frequência em eleições acirradas do que naquelas onde há um claro favorito. A conclusão inevitável desses estudos é que a democracia funcionaria muito melhor sem eleições.

 

 

Fontes:
The Economist - Why elections are bad for you

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3 Opiniões

  1. jomabastos disse:

    Como as eleições no Brasil acontecem a cada dois anos, o eleitorado é prejudicado nos mesmos períodos.

  2. Mauricio disse:

    “A conclusão inevitável desses estudos é que a democracia funcionaria muito melhor sem eleições”. Que diabo de conclusão é essa? A “conclusão” apresentada carrega a contradição dentro de si mesma: democracia, apesar de não possuir definição única, implica em poder popular, poder do povo. Este é o significado e o sentido do processo representativo e da circulação de poder (troca dos representantes em períodos definidos – os mandatos). A “conclusão” sugere que o melhor para a democracia é a não eleição – ou seja, a não representação popular.
    Algo do tipo: as Forças Armadas (FA) não entram em guerra faz muito tempo, ficando despreparadas; só a ocorrência de guerras prepara adequadamente as Forças Armadas. Logo, a Guerra é a “solução” para o preparo das FA. É essa a “solução” que queremos?
    Cabe destacar, que o estudo foi assentado na realidade dos EUA, que possui um calendário eleitoral muito intenso, cobrindo diversas áreas que não ocorrem no Brasil (lá existe eleição para promotor público, para xerife, etc.).

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Se hoje não está bom e a alguns anos atrás com os Coronéis, esperemos que essa tal de biometria funcione honestamente pois do outro modo tenho a certeza que havia transplante de votos pois a internet ainda é falha, vejam os casos dos EUA espionando países. Não existe democracia o que existe são candidatos que fizeram da política um emprego para eles e sua família e diante da fragilidade e da burocracia a coisa eleição. Antigamente dizia que não se lutava para educar os ex matutos para eles não aprender a votar e hoje enrolam o povo dando antecipadamente dinheiro através de bolsas de toda a qualidade, assim fica difícil o Brasil ser um país democrático

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