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Por que o Brasil tem poucas empresas de nível mundial?

Responsável por 3% de toda a produção mundial, o Brasil sofre com a má gestão de suas empresas nacionais

Por que o Brasil tem poucas empresas de nível mundial?
Muitas empresas brasileiras são geridas por acionistas individuais ou famílias (Reprodução/Brett Ryder)

O Brasil tem quase 3% da população mundial e responde por cerca de 3% de toda produção global. Mesmo assim, apenas sete empresas do país foram listadas no ranking “Global 500”, da revista Fortune. O número corresponde a 1,4% do total de empresas incluídas no ranking, que lista as maiores do mundo de acordo com as receitas obtidas no ano.

O país também emplacou poucas representantes nacionais no último ranking das empresas de maior valor de mercado feito pela Forbes. Das 2 mil empresas listadas pela revista, apenas 25 eram brasileiras (1,3% do total).

O setor de negócios brasileiro enfrenta uma série de obstáculos, como a burocracia, o complexo sistema tributário do país, infraestrutura precária e a escassez de mão de obra qualificada. No entanto, o maior problema é outro: a má gestão.

Em 2004, a equipe de John van Reenen, da London School of Economics, começou uma analise para avaliar 11.300 empresas de médio porte em 34 países, dando a cada uma delas uma nota de zero a cinco, com base na capacidade de gestão, nas metas alcançadas e na recompensa de desempenho.

A média das empresas brasileiras no estudo foi de 2.7, abaixo da média alcançada pelo Chile (2.8) e México (2.9). Segundo o Banco Mundial, as empresas brasileiras passam, em média, 2.600 horas por ano declarando imposto. No México, esse total é de 330 horas.

O padrão de propriedade também influi nesse cenário. Muitas empresas brasileiras são geridas por acionistas individuais ou por famílias. Segundo Heinz-Peter Elstrodt, da consultora americana McKinsey, dois terços das companhias brasileiras que geram mais de US$ 1 bilhão por ano são empresas familiares. De acordo com a pesquisa feita por Reenen, ter parentes como acionistas, em vez de gestores profissionais, prejudica o desempenho de uma empresa.

Empresas familiares são bastante comuns em países onde a confiança é baixa. É o caso do Brasil onde os chefes contratam parentes como sócios ou acionistas para reduzir as chances de serem roubados.

O incentivo do governo é importante para as empresas, como no caso da Embraer, criada pelo governo e privatizada em 1994. Porém, a melhor forma de fortalecer as empresas brasileiras ainda é estimular a competição entre elas, o que por consequência as tornarão mais competitivas a nível mundial.

Fontes:
The Economist-Brazil’s business Belindia

4 Opiniões

  1. Joseh Milthon disse:

    Mas também com as Falcatruas e corrupção corroendo a Economia e a Falta de Critérios,,da parte do Governo não dão A mínima para os incentivos

  2. Ana disse:

    Li a matéria publicada pelo periódico The Economist. Compartilho a opinião do periódico sobre os entraves impostos pelo governo às empresas e o mal causado por políticas equivocadas, sobretudo as protecionistas. Discordo sobre a visão veiculada pela matéria sobre a gestão das empresas, atribuindo os problemas ao fato de serem familiares. Parece-me faltar aos jornalistas o cuidado de consultar entidades especializadas no assunto como o Family Firm Institute (FFI). Acredito que nenhum pesquisador que leva a sério o tema concordaria com a abordagem da matéria, puro senso comum. Outro ponto que me chamou atenção foi apontar o Bradesco como o pioneiro na automação bancária. Clientes desse banco sabem com quanto atraso a automação chegou a esse banco, comparativamente às inovações introduzidas pelo Banco Itau.

  3. ney disse:

    Estamos num país de ultimo mundo, onde os políticos extorquem as maiores empresas para fins eleitorais. onde a carga tributaria é estratosférica, ha poco envolvimento da área empresarial com as universidades. A gulodice dos micros e grandes empresários é ter mais lucos a qualquer custo.

  4. dragaoforte disse:

    Sabe porquê…é que estamos abaixo da linha do Equador…e somos hemisfério sul…existe um acordo mundial para que o HS nunca se desenvolva…apenas nutra o interesse dos mais fortes…

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