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Falhas na Educação

Por que os países não anglófonos estão com deficiência no ensino de inglês?

Problemas comuns incluem a contratação de professores aprovados apenas em exames escritos, além de uma abordagem obsoleta do inglês

Por que os países não anglófonos estão com deficiência no ensino de inglês?
Pouca estrutura para um ensino adequado da língua e turmas com número elevado de alunos são alguns dos problemas identificados (Reprodução/O Globo)

Uma pesquisa recente realizada pela Mexicanos Primero, uma ONG da área de educação com sede no México, revelou que quatro quintos dos alunos que terminam o ensino médio “não têm conhecimento” da língua inglesa, apesar de terem estudado pelo menos 360 horas de inglês no currículo escolar. E um entre sete professores de inglês desconhece a língua. Os dados comparativos mundiais são escassos, mas os especialistas dizem que a situação é semelhante em muitos países não anglófonos.

Problemas comuns incluem a contratação de professores aprovados apenas em exames escritos, sem testes de fluência oral, além de uma abordagem obsoleta do inglês como uma língua estrangeira a ser ensinada e não uma língua franca que deve ser aprendida. Os professores não têm fluência em conversação nas salas de aula, disse John Knagg do British Council e, por esse motivo, os alunos não aprendem a falar a língua. Em uma analogia com a prática de esportes, seria o mesmo que estivessem aprendendo a nadar sem entrar na água.

No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais, tanto para o ensino fundamental como para o ensino médio, determinam o ensino de língua estrangeira. No entanto, especialistas, professores e até mesmo o governo reconhecem que o ensino de inglês na educação básica, seja privada ou pública, não consegue formar estudantes com um bom nível de proficiência nesse idioma. As principais causas são comuns a outros problemas identificados na educação básica: pouca estrutura para um ensino adequado da língua e turmas com número elevado de alunos. Somam-se a isso a carga horária insuficiente e a dificuldade de encontrar professores com formação adequada.

Na China, o ensino de inglês é obrigatório desde os primeiros anos escolares, mas os professores têm uma carga excessiva de trabalho e, em geral, não têm as qualificações necessárias, disse Jing Zhao, um pesquisador visitante da Harvard Graduate School of Education. Um milhão de professores de inglês dá aulas para 200 milhões de alunos chineses, uma tarefa heroica e uma proporção entre professor e aluno assustadora. Na América Latina “existe uma grande lacuna entre o que o sistema educacional proporciona e as necessidades reais dos alunos”, comentou Rosangela Bando do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Por fim, o objetivo deveria ser o aprendizado de outras matérias em inglês, como o Canadá está ajudando a China a adotar esse sistema de escolas bilíngues, em vez de só ensinar inglês. Porém, não se pode esperar milagres. Embora as inovações mais promissoras sejam copiadas em diversos lugares, a fluência na língua será um processo gradual; hoje, os alunos precisam ter uma base sólida de inglês para serem professores competentes no futuro.

Fontes:
Economist-The mute leading the mute
British Council-Demandas de Aprendizagem de Inglês no Brasil

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