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Olimpíadas 2016

Preparativos para os Jogos do Rio estão melhor do que se esperava

A 500 dias das Olimpíadas, o Rio parece estar diante do cenário otimista traçado pelo prefeito Eduardo Paes, que planeja superar o sucesso de Barcelona em 1992

Preparativos para os Jogos do Rio estão melhor do que se esperava
Se tudo correr bem, Paes, cujo mandato termina no ano que vem, terá mais facilidade em concorrer a um cargo mais alto (Reprodução/Internet)

Desde que a cidade de Barcelona passou por uma reinvenção após sediar as Olimpíadas de 1992, muitas outras cidades-sede tentaram atingir o mesmo sucesso. A maioria, no entanto, falhou.

Porém, o prefeito carioca, Eduardo Paes, acredita que o Rio de Janeiro conseguirá superar o sucesso de Barcelona. “Todo mundo sabe que os brasileiros sabem fazer festa. As Olimpíadas vão mostrar que nós também sabemos concluir grandes projetos dentro do prazo e do orçamento”, diz Paes.

A afirmação do prefeito corre o risco de virar chacota. Hoje, a poluição na Baia de Guanabara é tão alarmante que os atletas que irão velejar no local podem ter de desviar de cachorros mortos. Muitas das empreiteiras que estão envolvidas nos projetos olímpicos estão sendo investigadas por corrupção. Além disso, a experiência do Brasil durante a Copa do Mundo do ano passado também não foi boa. O país gastou R$ 21,4 bilhões com o evento, o maior gasto já registrado por um Mundial.

Mesmo assim, há razões para acreditar que o otimismo de Paes não é exagero de um político ambicioso. Um dos motivos é que, desta vez, não será o Governo Federal, mas sim o estado do Rio de Janeiro que está comandando os preparativos para o evento

Paes conseguiu persuadir investidores privados a arcar com dois terços das obras do evento através de parcerias público-privadas. O prefeito carioca vem prometendo instalações simples, sem novos estádios gigantescos, pois conta com a beleza natural da cidade para encantar os turistas.

O custo das Olimpíadas do Rio é estimado em R$ 37,7 bilhões, mas 60% deste custo será bancado pelo setor privado. O estado terá um gasto de R$ 16,4 bilhões, muito menos do que os contribuintes britânicos pagaram pelas Olimpíadas de Londres.

Apesar disso, algumas coisas podem dar errado. Grupos de direitos humanos acusam o governo do estado de deslocar milhares de famílias, sem consulta prévia, para construir instalações olímpicas. O crime também pode ser um problema, pois a violência voltou a subir nas comunidades pacificadas.

Outra preocupação é o destino dos investimentos. Segundo Orlando Santos, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da Universidade Federal Fluminense (UFF), o dinheiro do evento está sendo investido na Barra da Tijuca, luxuoso lar de apenas 300 mil dos 6 milhões de habitantes do Rio. Santos teme que isso aumente mais ainda a desigualdade no estado. “Se o Rio vai sediar tal evento, deveria direcionar os gastos para áreas mais pobres da cidade, como Londres fez em East End”.

Mesmo assim, a 500 dias do início dos jogos, o rio parece estar diante do cenário otimista traçado por Paes. A cidade, que tem na produção de petróleo uma das suas maiores fontes de renda, receberá verba em um momento crucial, quando o setor de petróleo está vulnerável. Se tudo correr bem, Paes, cujo mandato termina no ano que vem, terá mais facilidade em concorrer a um cargo mais alto.

Fontes:
The Economist-Sobriety at the Carnival

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