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BRUMADINHO

Presidente da Vale nega saber causa de rompimento de barragem

'Fomos surpreendidos por Feijão', disse Fabio Schvartsman, em depoimento em comissão da Câmara. Nesta sexta-feira, 15, oito funcionários da Vale foram presos

Presidente da Vale nega saber causa de rompimento de barragem
Presidente da Vale participou de uma audiência pública de comissão da Câmara (Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

A Vale não sabe as causas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A afirmação foi feita pelo presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, diante de uma comissão externa da Câmara dos Deputados sobre Brumadinho na última quinta-feira, 14.

“Fomos surpreendidos por Feijão. Todas as informações nos mostravam que não havia qualquer risco iminente com aquela barragem, não exigindo quaisquer ações da companhia”, destacou Schvartsman. Laudos de 2018 apontavam problemas, mas atestavam a segurança da barragem.

De acordo com o presidente da Vale, os laudos e o sistema de monitoramento não foram o suficiente para prever o desastre. Ademais, Schvartsman afirmou que os laudos não apontavam um risco iminente de ruptura. “Se esses laudos, feitos por gente capacitada para isso, dizem que as barragens estão estáveis e não há risco iminente [de ruptura], por que nós, de dentro da companhia, vamos contestar?”, questionou Schvartsman.

Esta foi a primeira audiência pública da comissão da Câmara, coordenada pelo deputado Zé Silva (SDD-MG). O rompimento da barragem em Brumadinho causou a morte de pelo menos 166 pessoas, enquanto outras 150 continuam desaparecidas. Os trabalhos dos bombeiros e equipes de buscas continuam.

Por outro lado, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet, não vê o rompimento da barragem como um acidente. Apesar das causas exatas ainda estarem sendo apuradas, Tonet esclarece que já há provas o suficiente para garantir que o rompimento não foi por força da natureza.

“Já havia preocupação, dentro da empresa, com os riscos daquele empreendimento. A própria promotoria de Defesa do Meio Ambiente já havia instaurado um procedimento investigatório específico sobre aquela barragem”, destacou Tonet.

Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Igor Timo (Pode-MG) também afirmaram que o rompimento da barragem não foi um acidente. Timo, inclusive, foi além, afirmando que a Vale sabia da instabilidade 15 dias antes da barragem ceder. “O geólogo César, funcionário de uma empresa alemã, já havia informado que os censores da barragem foram acionados. Não é normal que não tenha havido tempo para uma avaliação”, disse o deputado.

Schvartsman, por sua vez, admitiu que houve liquefação na barragem, mas ainda não se sabe o que a causou. Ademais, afirmou que um documento da Vale que estimava mortes, custos e motivos de rompimento atendia a uma exigência da Comissão de Valor Imobiliários (CVM). “A Vale é uma joia brasileira e não pode ser condenada por um acidente”, disse Schvartsman.

Funcionários presos

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) prendeu, temporariamente, na manhã desta sexta-feira, 15, oito funcionários da Vale. Os empregados são suspeitos de envolvimento no rompimento da barragem. Segundo uma nota do MPMG, entre os presos, estão quatro gerentes e quatro técnicos envolvidos na segurança e estabilidade da barragem.

Ao todo, os funcionários ficarão presos ao longo de 30 dias. Ademais, as autoridades cumprem um total de 14 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Os agentes apreenderam computadores e documentos.

“Os documentos e provas apreendidos serão encaminhados ao MPMG para análise. De acordo com os promotores de Justiça, as medidas estão amparadas em elementos concretos colhidos até o momento nas investigações conduzidas pela força-tarefa e são imprescindíveis para a completa apuração dos fatos”, explicou, em nota, o MPMG.

Por fim, o MPMG revelou que quatro funcionários da empresa alemã Tüv Süd também são alvos de mandados de busca e apreensão. A companhia atestou a segurança da barragem de Brumadinho. Entre os empregados da empresa alemã estão um diretor, um gerente e dois técnicos.

 

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1 Opinião

  1. Luiz Alberto Franco disse:

    O erro crasso do Presidente da Vale, em termos de prática gerencial, é assentar a sua avaliação do problema em laudos externos, quando o correto, em qualquer processo industrial, é ter um acompanhamento CONTINUADO sob responsabilidade da própria empresa.

    Esta afirmação fica talvez mais clara se pensarmos em um hospital: a avaliação periódica (de quanto em quanto tempo?) da assepsia por algum órgão externo de fiscalização não exime a instituição de um acompanhamento permanente (diário!) de todos os itens da operação que possam afetar, por exemplo, o índice de ocorrência de infecções hospitalares.

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