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Reabilitação?

Presos em Rondônia recebem tratamento com erva alucinógena

Detentos condenados por assassinato e estupro em Rondônia consomem chá alucinógeno como parte de um polêmico programa de reabilitação

Presos em Rondônia recebem tratamento com erva alucinógena
Presos vivem no complexo da Acuda, onde aprendem trabalhos manuais, recebem tratamento psicológico e consomem bebida alucinógena (Foto: Reprodução/Times)

Presos em Ji-Paraná, uma cidade perto de Porto Velho, Rondônia, estão participando de uma terapia alternativa que se baseia no consumo de um chá alucinógeno à base de ayahuasca, como parte de um programa de reabilitação criado pela ONG Acuda. Alguns destes presos foram condenados a crimes graves como estupro, assassinato e sequestro. A reportagem é do jornal New York Times.

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Juízes e diretores de Rondônia permitiram que dez presos de segurança máxima ficassem confinados no prédio da Acuda, um antigo complexo militar, onde passam por esses rituais. Detentos de presídios vizinhos são levados para assistir ao processo.

Um porta-voz da Acuda disse ao New York Times que o uso do chá e de outros tratamentos alternativos tem como objetivo aliviar a pressão do sistema carcerário brasileiro. A população de presidiários no país dobrou desde o começou do século, chegando a mais de 550 mil, o que causa superlotação e revoltas violentas.

O presídio de Urso Branco, em Porto Velho, passou por uma das mais violentas rebeliões dos últimos tempos em 2002. Ao menos 27 prisioneiros foram assassinados. O caso estimulou a criação do Acuda. A princípio, a ONG oferecia aulas gratuitas de yoga, meditação e Reiki como forma de acalmar os ânimos dos detentos.

Mas, há dois anos, um dos voluntários sugeriu que fosse dado aos presos o chá de ayahuasca, uma bebida alucinógena feita da mistura de um cipó (Banisteriopsis caapi) e uma folha conhecida como Psychotria viridis, cuja popularidade vem crescendo no Brasil e nos Estados Unidos.

No complexo do Acuda, os presos também aprendem trabalhos manuais como oficina de móveis e manutenção de motocicletas. Aprendem, ainda, a realizar massagem ayuvédica e a cultivar hortaliças e plantas para preparar a ayahuasca.

Método é questionado

Muitos condenam os métodos do instituto Acuda. Parentes de vítimas, por exemplo, questionam o tratamento diferenciado dado aos presos. Paulo Freitas, pai de uma menina de 18 anos que foi sequestrada, estuprada e assassinada por um dos presos abrigados no Instituto Acuda, condenou a transferência:

“Onde estão as massagens e as terapia para nós? Os sonhos da minha filha foram extintos por um homem, mas ele tem autorização para entrar na selva e beber chá”, disse Freitas ao New York Times.

 

Fontes:
New York Times-In Brazil, Some Inmates Get Therapy With Hallucinogenic Tea

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