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Crítica da semana

‘Profissão de Risco’: faroeste caboclo americano

'Profissão de Risco' atua como uma peça teatral, por causa dos poucos personagens, porém coloca o espectador dentro do filme

‘Profissão de Risco’: faroeste caboclo americano
Com poucos personagens, filme faz os espectadores vivenciarem o drama (Reprodução/Internet)

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Um faroeste caboclo. Sabe o filme tão alardeado por aqui ano passado e que foi inspirado no clássico de mesmo nome da Legião Urbana? Pois é, os Estados Unidos devem ter gostado e fizeram a sua versão, digamos, mais bem-sucedida.  O filme Profissão de Risco (The Bag Man– nada a ver o título original com o dado em português) que estreia por aqui nesta quinta-feira, 24, te eletriza e não faz descolar da poltrona.

Assim como na música, Jack (John Cusack) é um cara obstinado e que é contratado para entregar uma misteriosa sacola a Dragna (Robert De Niro). Ele recebe recomendações para não olhar, de maneira alguma, o que está dentro dela.  A negociação acontece nos primeiros segundos de filme. Os personagens de Jack e Dragna acertam os detalhes do serviço dentro de um jatinho particular do segundo.  Minutos depois, a cena muda já para o personagem-título dentro de um motel (que mais parece que o local foi vítima do furacão Katrina) à beira de uma estrada nos Estados Unidos. Ali, com a tal mala (o “the bag” do título) a tiracolo, ele vai fazendo de tudo para que complete o serviço em troca de seus milhões de dólares.

Dirigido pelo estreante na direção David Grovic e inspirado no romance romeno de Mary Louise von Franz, “O Gato: um Conto da Redenção Feminina”, o filme te leva para o meio do faroeste caboclo. Ele atua como um teatro, já que seus poucos personagens, com jogadas ensaiadas, atuam de forma sincronizada. Literalmente, você se sente dentro do filme. Graças ao nosso bom Deus, o filme só abusa de clichês no final. E sem contar que a turma que gosta de muito sangue na tela, vai adorar o filme. O que tem de porrada e sangue espirrando e escorrendo daria para encher o rio Paraíba do Sul. Sobra para todo mundo: homens, mulheres. Acho que sobrou até para o cinegrafista…

Já a parte ruim é que ele vai te levando, te levando, te levando, e, no final, o objetivo era…bem, não vou contar aqui. Mas, depois de uma hora e  48 minutos de filme com  muita ação, porrada, sem choro e nem vela, o filme acaba com um clichêzão e você se pergunta: “Mas , e daí?” ou então “Ah, era isso?”. Sério. Então, já vá preparado(a), o filme pode te dar um saquinho de balas no final das contas.

Já as atuações são excelentes. De Niro, um camaleão da dramaturgia ambulante. Quase todos os papeis que ele pega, ele fica bem, e você acredita em todos. Cusack, estava um pouco sumido, mas, mesmo velho, dá um banho, e a  brasileira (sim, temos representante de nossa nação aqui também. Estamos copiando o gesto da China) Rebecca da Costa faz um papel regular ao lado dos veteranos. Do jeito que está, ela pode vir a ser a próxima Bond Girl.

O Homem da Mala (insisto em usar esta tradução, que é melhor e mais adequada) é uma boa opção de lazer e diversão para o final de semana que chega.  Boa diversão!

*Bernardo Moura é jornalista, escreve para o site Blah Cultural, parceiro do Opinião e Notícia

Fontes:
Blah Cultural-Crítica de Filme: Profissão de Risco
Omelete-Trailer "Profissão de Risco"

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