Início » Brasil » Programa de concessões em infraestrutura não atrai investimento estrangeiro
Economia

Programa de concessões em infraestrutura não atrai investimento estrangeiro

Previsão é que o Brasil consiga atrair este ano pouco mais da metade dos investimentos do ano passado

Programa de concessões em infraestrutura não atrai investimento estrangeiro
Como antes, metade do investimento esperado é em ferrovias (Foto: Wikimedia)

Com a economia brasileira encolhendo, a presidente Dilma Rousseff tem deixado de lado seus instintos de esquerda para procurar investimento privado no exterior. Dilma está vendendo concessões para modernizar partes importantes da infraestrutura brasileira, incluindo aeroportos, portos, ferrovias e estradas. O problema é que os investidores estrangeiros estão torcendo o nariz para esses ativos brasileiros.

Enquanto Dilma espera atrair R$ 198 bilhões no total, incluindo R$ 70 bilhões antes que ela deixe o cargo em 2018, Alberto Ramos, do Goldman Sachs, prevê que o Brasil consiga apenas US$ 55 bilhões este ano, pouco mais da metade do ano passado.

O investimento estrangeiro direto diminuiu dos US$ 39,3 bilhões nos primeiros cinco meses de 2014, para US$ 25,5 bilhões este ano, apesar de uma moeda enfraquecida, com uma redução de um quinto em relação ao dólar desde janeiro, o que torna os ativos brasileiros mais baratos para os estrangeiros. O investimento global na economia brasileira vem caindo há sete trimestres consecutivos.

A última vez que o governo procurou atrair o setor privado, com concessões, em 2012, o Brasil atraiu um quinto do esperado, e somente depois que Dilma desistiu de tentar microgerenciar as taxas de retorno.

Nem tudo está perdido

O governo deve ter pouca dificuldade em encontrar compradores para autoestradas e aeroportos em cidades de tamanho médio. A maioria delas já está construída e gerando caixa, mas precisam ser expandidas e executadas de forma mais eficiente. Depois de quase dois anos de deliberações, a controladoria nacional finalmente aprovou a venda de terminais de carga nos portos estatais. Os primeiros leilões devem acontecer neste ano.

Mas, como antes, metade do investimento esperado é em ferrovias. Os planos parecem suspeitos, especialmente um esquema de R$ 40 bilhões para conectar o Brasil com o Pacífico via Peru, a ser financiado em parte com dinheiro chinês. O fato de muitas grandes empresas brasileiras de construção fazerem parte de conglomerados atolados no escândalo de corrupção da Petrobras também não ajuda.

Além disso, aprimorar a infraestrutura escassa e pobre do país não é a melhor forma de remediar as dificuldades brasileiras. Para aumentar a produtividade debilitada e promover o crescimento futuro, o Brasil precisa de melhores escolas, de impostos mais simples e de menos burocracia, e não apenas de mais estradas.

 

Fontes:
The Economist-Not many aboard

1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    A ferrovia do Pacífico não sai por enquanto. Não há mais condições de governabilidade para implementar projetos. O Brasil vai ficar parado até Dilma ser deposta. Evidentemente que os setores que vivem do governo como carrapatos mantém cautela e apoio enquanto podem, até o momento em que percebem que o corpo apodrecido não lhes oferece mais o sustento que precisam e passam para o outro lado, negociando o “cai fora” com a promessa de acomodação.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *