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Transferência de renda

Programas como o ‘Bolsa Família’ estão perdendo fôlego, diz FT

O jornal afirma que tanto políticos da esquerda radical como os da direita tendem a desconfiar de programas como o Bolsa Família

Programas como o ‘Bolsa Família’ estão perdendo fôlego, diz FT
Tumulto criado por rumores do fim do "Bolsa-Família", em 2013. (Reprodução/Itawi/Albuquerque/FuturaPress)

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“Dispositivo favorito para a redução da pobreza”. É assim que o jornal Financial Times caracteriza o “Bolsa-Família”. O atual programa brasileiro, uma evolução de ações criadas pelo governo Fernando Henrique e ampliadas pelo governo  Lula, é o maior do mundo em transferência condicional de renda, um tipo de assistência social utilizado em 30 países, incluindo os Estados Unidos. Contudo, de acordo com o jornal inglês, programas como o Bolsa Família vêm perdendo apoiadores ao longo dos anos, apesar de terem um histórico de reduzir a pobreza.

O Financial Times afirma que tanto políticos da esquerda radical como os da direita tendem a desconfiar de programas como o Bolsa Família. Para o primeiro grupo, os ideais de programas de transferência de renda aos mais pobres remetem a teorias neoliberais criadas por Gary Becker, cujo nome é associado ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Já para os de direita, o “Bolsa-Família” desestimula os beneficiados a voltar ao mercado de trabalho, visto que basta os filhos estarem na escola e participando de programas de saúde para receberem o benefício.

Além deles, as agências de desenvolvimento responsáveis pela distribuição do benefício têm se mostrado menos entusiasmadas com programas de transferência de renda, uma vez que estudos vêm mostrando que o crescimento salarial e a queda das taxas de desemprego são formas mais eficazes de se diminuir os índices de pobreza.

Outro fator apontado pelo Financial Times é que, embora os programas assistencialistas levem a um aumento no número de crianças nas escolas, o nível educacional dessas crianças nem sempre melhora, em parte pela péssima qualidade do ensino. Apesar de tantos contrapontos, o programa foi amplamente abraçado pelos últimos governo do PT e têm o aval da população. Prova disso foi o que aconteceu no ano passado, quando rumores que o Bolsa-Família seria suspenso provocou intensa correria e filas gigantescas nos bancos.

Fontes:
Financial Times - Plaudits for Brazil’s anti-poverty scheme wane

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8 Opiniões

  1. Gutemberg disse:

    “Gostaria de viver em um país em que se comemorasse que um milhão de pessoas saiu do Bolsa Família, passando a viver de seu próprio trabalho, e não o contrário, em que se comemora que mais um milhão passou a depender do benefício.” Eduardo Giannetti

  2. Raquel disse:

    Interessantes os aspectos trazidos pelo artigo. Vejo ainda dois pontos que tornam extremamente prejudiciais ao futuro de um país políticas como o bolsa família: a desnecessidade de mérito ou qualquer esforço para a percepção do benefício (seus requisitos são apenas o cumprimento de obrigações legais que já tem os pais em relação a seus filhos) e o exemplo que dão estes mesmos beneficiários a seus filhos. Criamos uma geração de brasileiros cuja referência de desenvolvimento profissional, de esforço e de realização é o assistencialismo governamental. Seus pais, dos quais recebem uma herança genética e outra de essência imaterial, em parte transmitida pelos exemplos, ensinam-lhes que, melhor do que o estudo, o esforço, o sacrifício da inércia e do lazer, é não produzirem nada, não contribuírem em nada com o melhoramento da cultura e do país e reduzirem suas vidas a acompanhar novelas e adquirir bens de consumo.

  3. Carlos Brambilla disse:

    A ausência ocupacional, forma o ocioso que não produz o seu sustento, concordando com a matéria, mantenho o testo a seguir:,Além deles, as agências de desenvolvimento responsáveis pela distribuição do benefício têm se mostrado menos entusiasmadas com programas de transferência de renda, uma vez que estudos vêm mostrando que o crescimento salarial e a queda das taxas de desemprego são formas mais eficazes de se diminuir os índices de pobreza.
    Educar o povo, com programas e exemplos para a produção, aumenta a sua renda, criando assim a rede de troca de produtos x a moeda corrente no pais.
    Ainda protegendo os menos abastados, dos desvios de reservas programadas para os benefícios.

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    O problema maior é que os inventores não moram em favelas, eu no caso conheço pois moro bem próximo a favela 7 de setembro no UR 04 Ibura e conheço pessoas que vivem de bolsa família e ainda provo pois correm aqui em minha casa para xerocar os documentos a maioria é mulher e tem uma que agora corre atrás de emprego pois vivia só do ganho das bolsas dos filhos. Agora no final de semana seus companheiros estão em frente aos barracos enchendo a cara. Tenho pena pois nós da parte melhor da vila é que sofremos em ver as crianças sofrerem.

  5. Carlos Magno da Silva disse:

    O que eu não entendo é a continuidade deste programa. Acho sim que num primeiro momento ele foi importante e fundamental, para erradicar algum tipo de pobreza existente então.
    Mas creio que num segundo momento deveria ser fomentado algum tipo de bolsa que levasse a profissionalização à estas pessoas, para que elas se tornassem produtivas e ai fosse cortada a bolsa família.
    Deveria ser estudado para cada região um tipo de profissão para que o pessoal tivesse a oportunidade de trabalhar em sua região.
    Enfim este é meu pensamento, creio que deveríamos acabar com estas bolsas.

  6. maria de fátima cortez disse:

    Só falácia. Acredito que o benefício foi criado para inclusão em dados de pesquisas sociológicas. Nosso povo não tem dignidade própria nem considerada pelos políticos. Os interesses são externos ao objetivo de desenvolvimento social, no caso dos políticos e exteriores ao interesse educacional no caso dos pais-querem utilizar o recurso para trabalharem menos, e às vezes, nem isso.
    Sabemos que o povo precisa de oportunidades: de educação e de emprego; precisa de motivação para mudança de postura:
    1) com escolas decentemente aparelhadas e professores a altura de promoverem o saber, o pensar, de acordo com as peculiaridades da nossa época; crianças de 5, 6 até de 12 anos sentadas à frente de um professor e um quadro negro, “ouvindo e assimilando” , como há 60 anos, é um contrasenso. Hoje nascem de olhos abertos. Com 3, 4 anos de idade já brincam com joguinhos em tablets. São naturalmente investigativas e muito mais curiosas e independentes.
    2) haveria de se criar compromissos mútuos, empresariais e profissionais de aperfeiçoamento técnico do trabalhador, promovido pelo empresário e educacional da criança, promovido pelos pais; beneficiando-se os primeiros com subsídios ou alíquotas especiais e aos trabalhadores\pais incentivos percentuais em taxas nos casos de financiamento de casa própria, obtenção de empréstimo, etc.
    Enfim, acredito em uma nova era de coparticipação. De ação conjunta estado – nação, empresário – empregado. Precisamos de SERIEDADE. Chega de inventarem fórmulas mágicas inócuas, pois nem a imagem dos inventores beneficia mais; estamos cansados.

  7. Epaminondas Taveira da Silva disse:

    Essa prática de dar “bolsa miséria” para o povo e dizer que ele entrou para a “classe média” é um insulto à inteligência de qualquer brasileiro, até dos que recebem esse “benefício”.

  8. DJALMA BENTES disse:

    Gutemberg(Eduardo Gianetti) é isso aí. Infelizmente em nosso judiado Brasil, as visões são deturpadas. Regozija-se que somos o maiores ‘recicladores’ quando devia-se lamentar pois isso significa que temos uma enormidade de catadores de lixo……..VOTE:000+CONFIRMA.

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