Início » Brasil » Propostas para o governo 2015/2018
Resenha

Propostas para o governo 2015/2018

Livro que acaba de ser editado pela Campus/Elsevier merece ser lido por todos os que se preocupam com o futuro do Brasil

Propostas para o governo 2015/2018
Como disse Carlos Lacerda, ao analisar uma das grandes crises políticas que viveu, 'a situação é tão grave que tudo pode acontecer, inclusive nada' (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O economista é muitas vezes confundido com uma bola de cristal para prever o futuro, pois em geral dispõem

Obra é organizada pelos economistas Fábio Giambiagi e Claudio Porto (Divulgação)

de ferramentas para correlacionar as variáveis econômicas.

Ocorre que as variáveis quando atuam em conjunto adicionam um elemento de incerteza, insuperável: duas ações podem dar combustão a uma terceira, de forma incontrolável.

A realidade, no entanto, faz com que os choques das diversas variáveis conhecidas – e mais aquelas contingentes – tornem o futuro imprevisível.

Fatores isolados como aumento de salários em descompasso com o aumento da produtividade, com a oferta de produtos e serviços no limite, resultam na equação mais conhecida como o aumento generalizado de preços: a inflação.

Mas nem tudo é tão linear. O que fazem 40 economistas que se juntam para apresentar propostas para o nosso governo 2015-2018, que se aproxima velozmente?

A resposta é audaciosa: prepararam o livro “Propostas para o governo 2015/2018” que acaba de ser editado pela Campus/Elsevier e que merece ser lido por todos os que se preocupam com o futuro do Brasil.

Organizado por Fábio Giambiagi e Claudio Porto, o livro está dividido em 24 capítulos que destacam diversos avanços obtidos durante os governos FHC, Lula e Dilma, como a estabilidade econômica com o Plano Real, a adoção do sistema de metas de inflação, a privatização de diversos setores, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Um novo modelo econômico

Os autores também lembram que um novo desafio está diante do Brasil: a necessidade de retomar o crescimento econômico sobre bases mais fortes, num verdadeiro percurso em direção ao desenvolvimento sustentável de médio e longo prazo, reforçando o combate às desigualdades, com a redução da pobreza e as melhorias no sistema de saúde, previdência.

Se em meados dos anos 1970, a taxa de investimento na economia brasileira era de 23% do PIB, entre 1996 a 2006 essa taxa caiu para uma média de 16,4%, tendo subido para 18,6% entre 2007 e 2012. Atualmente, Chile, Colômbia e Peru possuem uma taxa de investimento na ordem de 25% do PIB, enquanto na China o nível de participação chega a 50%.

O modelo de crescimento pautado no consumo demonstra – e não é de hoje – seu esgotamento. Dois grandes desafios funcionam como o fio condutor de todo o livro: a necessidade de aumentar a participação do percentual de investimento na economia e o combate aos gastos fiscais.

A dependência do capital estrangeiro (poupança externa) para o estímulo do investimento é muito alta em nossa economia, sobretudo pelo fato da poupança doméstica, composta principalmente pelos recursos públicos, estar direcionada aos gastos sociais. Todavia, aumentar a poupança doméstica exige uma combinação de medidas de austeridade que podem ter baixo apelo político.

Diante da necessidade em se aumentar o investimento nacional, público e privado, o aumento da produtividade torna-se de fundamental importância, propiciando a aceleração e absorção de ideias e tecnologias, e estímulos à inovação e à redução de hiatos existentes entre diversos setores da economia.

No curto prazo, o aumento da produtividade ajuda os países a expandirem a renda. No longo prazo, o crescimento da produtividade está associado ao aumento do produto potencial, bem-estar da população e taxas de poupança e de investimento, e à queda do nível de preços e das taxas de inflação e de juros.

Amadorismo empresarial

A produtividade no Brasil é baixa devido ao baixo desempenho deficiente das firmas, o limitado engajamento das firmas com pesquisa e desenvolvimento e inovação, a baixa qualificação do trabalhador (e sabemos que ampliar a qualificação da mão de obra é um esforço de gerações), os elevados custos de produção, a instabilidade econômica, a insegurança jurídica, serviços públicos deficientes, a cultura que desencoraja a meritocracia.

É preciso que estes entraves sejam superados, com a realocação de recursos em favor de setores emergentes e de alta produtividade, a promoção da diversificação e interação dos diversos setores da economia, o fortalecimento da competição e de atividades econômicas que tenham alto valor global e o estímulo à educação e treinamento profissional.

Outras exigências da agenda 2015/2018 também são apontados no livro, como o aumento da eficiência dos principais eixos logísticos do país, o choque de gestão nos projetos prioritários de infraestrutura, revisão para baixo da meta de inflação, a maior autonomia ao Banco Central, a melhora na eficiência do Estado e a qualidade do gasto público.

Como disse Carlos Lacerda, ao analisar uma das grandes crises políticas que viveu, “a situação é tão grave que tudo pode acontecer, inclusive nada”. Para citar outro contemporâneo, John Kennedy: “Há riscos e custos a cada programa de ação. Mas estes são muito menores do que os riscos e os custos no longo prazo do conforto aparente de seguir o curso de sempre”.

A condução deste projeto certamente demandará a necessidade de uma atuação do governo de forma mais racional com os gastos públicos, deixando de lado uma eventual repercussão política com a redução de gastos sociais.

Assim, cabe a nós, eleitores, eleger aqueles que terão a coragem de enfrentar esta agenda de peito aberto, sem temer por eventuais descontentamentos políticos no curto prazo, mas na certeza de projetar o Brasil para um cenário verdadeiramente mais promissor.

 

*Paulo Gurgel Valente é economista e sócio da Profit Projetos

 

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *