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TENSÃO NO GOVERNO

PSDB ameaça romper com governo Temer

Caso o governo não adote uma postura mais clara em relação ao ajuste fiscal, legenda poderá abandonar a base aliada

PSDB ameaça romper com governo Temer
Cúpula do PSDB tem criticado a postura do governo e cobra mais clareza em relação à política fiscal do país (Foto: Flickr)

Após as principais lideranças do PSDB cobrarem uma definição do governo em relação aos projetos de ajuste fiscal e aumentos salariais no Supremo Tribunal Federal (STF), o partido ameaça romper com a base aliada do presidente interino Michel Temer após a votação do impeachment. Para os tucanos, o PMDB e o Palácio do Planalto estão fazendo jogo duplo.

A crise na base do governo se intensificou após o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) apresentar um relatório paralelo ao de Ricardo Ferraço (PSDB-ES) pela aprovação do aumento salarial para os ministros do STF, elevando a remuneração de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. O relatório teve apoio de senadores aliados, inclusive do vice-líder do governo, que pediram urgência na tramitação do projeto.

Em outra frente, os senadores aprovaram a elevação do piso salarial dos defensores públicos da União em 67%. A matéria foi aprovada com apoio do PMDB, PT e PCdoB e outros partidos da oposição. O líder do governo, Aloysio Nunes (PSDB-SP), criticou veementemente a aprovação, mas o PMDB argumentou que fazia parte de um acordo com a oposição, liderada pelo PT, em troca da quebra do prazo para votar o segundo turno da PEC de Desvinculação dos Recursos da União (DRU), que ocorreu nesta terça-feira, 23.

Com isso, a cúpula do PSDB tem criticado a postura do governo e cobra mais clareza em relação à política fiscal do país. “O mais provável, se continuar assim, é o PSDB liberar sua bancada e ficar em uma posição de independência e indiferença em relação ao governo daqui para frente. Se ficar rachado na sua base, quem vai cair é o governo, não o PSDB”, afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Entretanto, aliados de Temer e o Palácio do Planalto tentam minimizar os atritos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), considera “mínimo” o impacto de R$ 200 milhões na União que os reajustes possam gerar em 2016. Ele também critica os que atribuem uma flexibilização da política fiscal do país ao impacto dos reajustes. “Isso é uma pequenez que restringe muito a discussão e não dá para concordar com ela”, afirmou Renan.

Ainda assim, o PSDB cobra de Temer um compromisso maior com o ajuste fiscal e mantém o discurso de que o governo está dando continuidade a um “projeto falido”. “Não vamos levar o governo e o PMDB nas costas. Se continuar neste caminho, temos certeza de que o governo vai dar errado”, afirmou o líder da legenda, Cássio Cunha Lima (PB).

Fontes:
O Globo-Após atrito com PMDB, PSDB ameaça romper com governo

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2 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Quem faz jogo duplo é o PSDB.

    Só votou a favor do impeachment para tirar o PT do poder, e destruir a candidatura do Lula. Idem para o DEM.

    Como este seus dois objetivos estão praticamente conseguidos, o PSDB já inicia atrito com o governo Temer.

    Ocorre, no entanto, que este PSDB não tem ninguém que preste, começando pelo seu Presidente Aécio Neves, passando pelo seu colega de derrota Aloysio Nunes, por Cássio Cunha Lima, Jereissati, Ferraço, Ataídes Oliveira e por aí vai. Todos sem a menor chance. Idem para o DEM, a começar pelo Senador Ronaldo Caiado, amigo do Carlinhos Cahoeira.

    Não será surpresa se o PSDB procurar se aproximar do PT e dos partidos a ele alinhados, principalmente se se confirmar o abandono do DEM. Será a sua única alternativa.

    Ambos, PSDB e DEM almejam a Presidência e, por ora, estão sem rumo.

    Simples assim, sem necessidade alguma de complicar o argumento com palavrinhas sofisticadas e citações pseudo-intelectuais.

    Nada como um dia depois do outro.

  2. Henrique de Almeida Lara disse:

    Lamentável! O PMDB é, com o PT, PP e demais partidos satélites de aluguel, co-autor da desgraça em que o Brasil se vê afundado. Governo Temer é um governo errante, isto é, ainda não achou seu rumo. Por isso dá um passo para frente e dois passos para trás. Parece-me que a intenção dele é ser populista. Quer agradar a gregos e troianos. Talvez ele queira candidatar-se e ganhar com a mesma ética do PT: à custa do empobrecimento do Brasil. Por isso ele continua elevando as despesas, em vez de cortar gastos. Por o seu estilo de marcha: ameaça ir à frente, mas dá marcha à ré. Há que fazer uma reforma política radical!

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