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DIFAMAÇÃO

Psol toma ações contra notícias falsas sobre Marielle Franco

Partido vai ao CNJ e ao Conselho de Ética da Câmara contra deputado e desembargadora que postaram notícias falsas sobre a vereadora executada

Psol toma ações contra notícias falsas sobre Marielle Franco
Onda de notícias falsas sobre a vereadora tomou as redes sociais (Foto: Psol)

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O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) está tomando ações contra a veiculação de notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco, executada a tiros no Rio de Janeiro na noite da última quarta-feira, 14. Nos dias que se seguiram à morte de Marielle, uma onda de notícias falsas varreu a internet, a maioria

(Fonte: Twitter)

(Fonte: Twitter)

delas ligando a vereadora a facções criminosas e ao narcotráfico. Um dos alvos do Psol é o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), um dos líderes da chamada bancada da bala na Câmara. Em sua conta no Twitter, Fraga escreveu que a vereadora é “ex-esposa do Marcinho VP” (traficante carioca preso em 1996), era usuária de drogas e foi eleita com apoio do Comando Vermelho (uma das facções de narcotráfico do Rio de Janeiro).

O deputado apagou a postagem e admitiu se tratar de informação falsa. Em entrevista à BandNews, ele disse que recebeu o conteúdo pelas redes sociais e replicou em seu perfil sem checar a veracidade. Apesar disso, ele disse não se arrepender da postagem. O Psol informou que vai denunciar Fraga no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

(Fonte: Facebook)

(Fonte: Facebook)

O partido também pretende ajuizar uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), também pela veiculação de notícias falsas a respeito de Marielle. Em resposta a um texto no Facebook do advogado Paulo Nader sobre o episódio, a desembargadora postou um comentário também relacionando a vereadora ao crime organizado.

Segundo a colunista do jornal Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, assim que o comentário de Marilia foi postado, um grupo de advogados passou a sugerir que ela fosse denunciada ao CNJ. Diante da repercussão, a desembargadora apagou o comentário. Em entrevista a Mônica Bergamo, ela disse ter se manifestado como “cidadã”, mas admitiu que seu comentário reproduziu o mecanismo das chamadas Fake News – notícias falsas postadas propositalmente com objetivo de difamar ou sem checagem prévia de veracidade. “Eu postei as informações no texto de uma amiga”, disse Marilia. A fonte da desembargadora teria sido um áudio de WhatsApp com uma suposta conversa vazada entre Marielle e traficantes, conteúdo comprovadamente falso.

Em nota, o Psol classificou a ação da desembargadora como “irresponsável”. “De forma absolutamente irresponsável, a desembargadora entrou na narrativa que vem sido feita nas redes sociais para desconstruir a imagem de Marielle, do PSOL e da luta pelos direitos humanos. Outra mentira que tem sido divulgada neste sábado afirma que Marielle havia sido casada com Marcinho VP, conhecido traficante carioca, com quem teria tido um filho aos 16 anos. Até o deputado federal Alberto Fraga (DEM/DF) divulgou o absurdo. O PSOL estuda possíveis ações contra ele”, diz a nota do partido.

Para conter a onda de postagens falsas, uma equipe de voluntários das áreas de Comunicação e Direito lançaram a página www.mariellefranco.com.br/averdade, que conta com o apoio dos familiares da vereadora. “Uma coisa é debater sobre posicionamentos políticos. Outra bem diferente é caluniar, repetir mentiras e desrespeitar a sua memória e o luto de seus familiares e amigos”, argumentam os organizadores da página.

Além disso, desde a última quinta-feira, 15, um grupo de advogadas vem rastreando material calunioso sobre Marielle postado nas redes sociais. O grupo recebe as denúncias de conteúdos falsos pelo e-mail contato@ejsadvogadas.com.br. Mais de 2 mil denúncias já foram recebidas.

 

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3 Opiniões

  1. Aureo Ramos de Souza disse:

    Não pensei que uma pessoa que sendo de uma favela, lutou, formou-se, foi eleita vereadora e lutava pelos nossos direitos vem a ser detratada por pessoas como desembargadora, politico que é foi delegado e outros políticos de ontro partido. Isto é vergonhoso.

  2. Carlos Valoir Simões disse:

    As ações do PSOL não vão prosperar porque parte importante da sociedade acha razoáveis as informações tidas como caluniosas, em função das ideias que a ex-vereadora (não coloco o nome para evitar esse clima de censura que está instalado) defendia e dos ambientes que ela frequentava, então não há que se falar em ofensa ao bem jurídico tutelado, que é a honra objetiva.

  3. Markut disse:

    Fake news, como resultado do avanço da tecnologia e o inevitavel favorecimento do lado obscuro de inamovivel natureza humana.

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