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EM DISCURSO

Putin promete retaliar se os EUA instalarem mísseis na Europa

Em seu discurso sobre o Estado da Nação, Putin prometeu atacar não apenas os EUA, mas também países europeus que aceitarem receber mísseis americanos

Putin promete retaliar se os EUA instalarem mísseis na Europa
'A Rússia será forçada a criar e instalar novos tipos de armamentos', disse o Putin (Foto: Kremlin.ru)

O presidente russo Vladimir Putin usou seu discurso anual sobre o Estado da Nação na última quarta-feira, 20, para enviar um alerta aos Estados Unidos.

Em Moscou, diante da elite política do país e jornalistas, Putin declarou que, se os EUA decidirem instalar mísseis em países europeus, a Rússia responderá tornando alvos não apenas os EUA, mas também os países que aceitarem receber os mísseis americanos.

“A Rússia será forçada a criar e instalar novos tipos de armamentos que poderiam ser usados não apenas contra territórios de onde partem as ameaças diretas, mas também territórios onde os centros de tomada de decisão estão localizados”, disse o presidente russo, segundo noticiou o jornal New York Times.

A declaração vem na esteira da possível saída dos EUA do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o chamado Tratado INF, firmado em 1987, entre os EUA e a então União Soviética, com o objetivo de cessar a corrida armamentista entre as potências.

A saída dos EUA do tratado foi anunciada no dia 1º deste mês, pelo presidente americano Donald Trump – que afirmou que a retirada será concretizada em seis meses, a não ser que a Rússia “volte a respeitar o tratado”. Trump acusa a Rússia de violar o pacto ao produzir mísseis do tipo 9M729 (SSC-8), que teriam um alcance mínimo de 2.600 km e têm capacidade para atingir qualquer grande cidade da Europa.

Putin, por sua vez, nega que haja violação e afirma que os mísseis em questão têm capacidade máxima de alcance de 500 km. Um dia após o anúncio de Trump, Putin afirmou que, se os EUA concretizarem a saída, a Rússia dará “uma resposta simétrica” e suspenderá sua participação no tratado.

Durante seu discurso na quarta-feira, Putin destacou que a Rússia busca evitar o confronto e não dará o primeiro passo. No entanto, desenvolverá qualquer armamento para se manter segura. O presidente russo não criticou Trump diretamente, se limitando a sugerir que o presidente americano foi neutralizado por um Estado Profundo – termo que também pode ser entendido como “estado paralelo” e que é usado para descrever quando a liderança civil de um país não tem mais controle sobre o Estado.

“Dentre a classe dominante, há muitas pessoas que estão demasiadamente fascinadas pelas ideias de excepcionalismo [dos EUA] e sua superioridade em relação a todo o resto do mundo. É o direito deles de pensar da forma que quiserem. Mas eles sabem fazer cálculos? Tenho certeza que sabem. Deixemos que eles calculem a velocidade e o alcance das armas que estamos desenvolvendo”, disse Putin, arrancando aplausos do público presente.

No entanto, diferentemente do que fez no discurso do ano passado, Putin não passou muito tempo listando novos armamentos, com direito a uma animação que mostrava mísseis russos atingindo os EUA. Neste ano, ele citou apenas alguns, como o desenvolvimento de seu primeiro submarino nuclear, que carregará um drone nuclear subaquático, e novos modelos do míssil hipersônico russo antinavios Zircon.

Putin também teceu promessas à população russa em seu discurso. Ciente da erosão de sua popularidade, o presidente russo se comprometeu a elevar todos os tipos de investimentos públicos e benefícios concedidos pelo governo. Ele prometeu um aumento acima da inflação em salários e pensões, pagas a cerca de 10 milhões de russos. Ele também prometeu mais e melhores clínicas médicas locais, melhorias em tratamentos contra o câncer, modernização nos métodos de coleta de lixo, mais leis de proteção ambiental, mais apoio a atividades culturais e menos burocracia.

As promessas firmadas indicam um presidente ciente da erosão de sua popularidade, diante de medidas impopulares tomadas para conter a crise econômica – especialmente o aumento na idade para aposentadoria, consolidado no ano passado. Medidas essas que apontam uma falta de receita do governo que vai de encontro com a promessa de aumento nos investimentos feita por Putin em discurso. Tal fato aponta que os compromissos firmados pelo presidente russo têm grande potencial de se tornarem promessas populistas vazias, o que comprometeria ainda mais seu governo. Além disso, ao elevar o tom belicista, Putin também busca obter o mesmo apoio que recebeu durante a anexação da Crimeia, em 2014, quando sua popularidade bateu recorde, chegando a incríveis 87% em agosto daquele ano.

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