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Qual a importância científica da Antártica?

Com as recentes crises hídricas, será que uma camada de gelo, que poderia cobrir todo o Brasil, corre perigo?

Qual a importância científica da Antártica?
As novas edificações da EACF vão ocupar uma área de aproximadamente 4.500 m² (Divulgação/Secirm/Estúdio 41)

Depois do incêndio que afetou 70% das instalações Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), em fevereiro de 2012, a empresa chinesa Ceiec ganhou o processo de licitação para construir as novas edificações. O resultado foi publicado no Diário Oficial da União no último dia 20. A construção das novas edificações, que vão compor a nova EACF, está prevista para começar no verão antártico deste ano. Mas qual a importância da Antártica para o Brasil e para o mundo?

O manto de gelo na Antártica é uma potencial fonte de água potável, já que 99% do continente estão cobertos por uma camada de gelo com espessura média de 2.100 m. Segundo a Coordenação para Mar e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, um tratado dificulta a exploração deste recurso natural, mesmo em caso de crise hídrica em outros lugares.  O Tratado da Antártica, do qual o Brasil é signatário, é um instrumento internacional que regula as atividades no continente. Segundo o documento, as explorações de recursos naturais no local devem ser bem reguladas e muitas, como a de recursos minerais, estão suspensas. Ou seja, cada ação na Antártica só é possível após discussão intensa entre todos os países envolvidos.

O aquecimento global, por sua vez, já traz consequências negativas para a Antártica com a perda do manto de gelo do continente por conta do derretimento. No entanto, segundo a coordenação, este derretimento só ocorre na região mais quente de lá, principalmente na área chamada Península Antártica. Apesar disto, a contribuição deste manto de gelo para o aumento do nível do mar ainda é relativamente pequeno quando comparado com a contribuição das geleiras nos trópicos e regiões temperadas, como as geleiras dos Andes e da Groenlândia.

A presença do Brasil na Antártica

A Estação Antártica Comandante Ferraz é um centro de pesquisa criado em 6 de fevereiro de 1984. Localizada na Península Keller, no interior da Baia do Almirantado, Ilha Rei George, a estação faz parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). O Proantar é um programa de Estado, cujo objetivo maior é a produção de conhecimento científico sobre a Antártica e suas relações com o restante do sistema climático global. Além da Marinha brasileira, ele é gerido por uma parceria entre ministérios e uma agência de fomento: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério das Minas e Energia (MME), Ministério da Defesa (MD) e CNPq.

Segundo a coordenação, são as ações de pesquisa que garantem um papel ativo do país nas decisões sobre a preservação ambiental e o futuro político do continente Antártico e do oceano Austral.  Além disso, o Tratado da Antártica exige a manutenção de um substancial programa científico dos países que se tornaram membros por adesão, como é o caso do Brasil, para se ter o direito a participar em reuniões que decidam o futuro da região.  Enquanto as novas construções não ficam prontas, as atividades científicas não foram interrompidas. Os 45 Módulos Antárticos Emergenciais (MAE) abrigam provisoriamente cientistas e militares brasileiros na Antártica.

As novas edificações da EACF vão ocupar uma área de aproximadamente 4.500 m². A área de pesquisa científica da nova EACF terá 14 laboratórios, além de área destinada para armazenamento de amostras congeladas e geladas, ultrafreezers, área para autoclaves e destiladores, e paiol de pesquisa, destinado ao armazenamento de material. Com relação à energia, o emprego do óleo diesel ainda continuará sendo um dos principais insumos energéticos para o funcionamento da EACF, impulsionando um conjunto de motogeradores elétricos capaz de suprir adequadamente a demanda de consumo da estação. No entanto, esse sistema vai estar associado com outros sistemas complementares que farão a cogeração (aproveitamento do calor gerado nos motores dos geradores e outras máquinas elétricas), à obtenção de energia de outras fontes renováveis, com o emprego de sistemas fotovoltaico e eólico.

A Antártica é o principal regulador térmico do planeta, já que controla as circulações atmosféricas e oceânicas, o que influencia o clima e as condições de vida no planeta. A região tem a maior camada de gelo do mundo. Este gelo representa cerca de 70% de água doce do planeta. Além disso, os mares Antárticos abrigam uma das mais abundantes comunidades biológicas do planeta.

Caro leitor,

Será que a Antártica corre perigo? A influência brasileira na região é adequada?

 

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