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Intolerância partidária

Quando a discussão política se torna um front de guerra

Em entrevista ao O&N, o cientista político Paulo Baía analisa como dois projetos de poder rivais deram início ao fenômeno do discurso de ódio entre partidários

Quando a discussão política se torna um front de guerra
Segundo Paulo, a lógica do extermínio entre PT e PSDB não beneficia o país (Reprodução/Internet)

O Brasil vive um momento de intensa discussão política. Passeatas nas principais capitais do país arrastam militantes pró e contra o governo. Somente neste fim de semana foram duas: uma em defesa da Petrobras e pela garantia de direitos trabalhistas; outra contra a corrupção no governo e a estagnação econômica.

Em meio a esse clima de despertar da consciência política, um fenômeno salta aos olhos: a intensa hostilidade entre partidários. O enfrentamento entre eleitores de esquerda e direita lembra brigas de torcedores fanáticos, e páginas de redes sociais se tornaram verdadeiras praças de guerra virtuais.

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o sociólogo e cientista político Paulo Baía explica um pouco o clima de intolerância que tomou o país e analisa o fenômeno do discurso de ódio entre partidários rivais.

Paulo explica que em qualquer democracia existem favos de intolerância. Mas quando um discurso de intolerância busca a hegemonia, ele é autoritário. Segundo Paulo, isso seria evitado se o Brasil inserisse a civilidade em seu currículo escolar, como é feito em países como os EUA.

“Se nós tivéssemos em nosso processo educativo a construção da alteridade, de reconhecimento do outro como uma pessoa que é diferente de você, e não um espelho de suas ideias, ajudaria bastante”, diz.

Para o sociólogo, o discurso de ódio está mais presente nas redes sociais do que na vida real, e ocorre porque o país ainda dá os primeiros passos rumo à maturidade política. “A capacidade de ouvir o outro e entender o ponto de vista do outro, mesmo discordando, ainda é baixa no Brasil. O brasileiro ainda não tem consciência cidadã plena, mas ele tem consciência política de seu cotidiano, o que é um passo importante rumo à cidadania”.

Nesse contexto, o acesso à informação é crucial. Segundo Paulo, a junção entre rádio, televisão e internet fez a discussão política entrar no cotidiano da população. “As pessoas estão cobrando eficiência das instituições de governo. Ao mesmo tempo, há uma indignação contra ineficiências que têm como pano de fundo a corrupção. Hoje não temos mais o brasileiro conformado, nós temos um brasileiro inconformado”.

Paulo acredita que a polarização entre partidários é reflexo da disputa entre dois projetos de poder. E em sua avaliação, a lógica do extermínio adotada entre PT e PSDB não beneficia o país. “Nós temos grupos políticos que estão polarizados, e esses grupos tentam ganhar a sociedade. Essa polarização está em um projeto de poder de dois grupos, um querendo derrubar o outro. A saída seria os partidos estarem abertos à compreensão do outro e ao diálogo. E não à exclusão do outro, ao extermínio do outro. Tempos de binarismos políticos não fazem bem à democracia e à vida”.

O sociólogo finaliza alertando para o papel da mídia. Para ele, os veículos de comunicação não criam os fatos, mas “têm o poder de torná-los muito maiores do que eles são na realidade”. Ele cita como exemplo o panelaço, que ocorreu de forma mais intensa em alguns pontos do país, mas passou despercebido em outros. “Há o exemplo do panelaço, que ganhou uma dimensão muito maior através da divulgação. Muita gente não escutou o panelaço, mas soube pela televisão, aí ele virou um acontecimento”.

11 Opiniões

  1. Rita Ribeiro disse:

    Essa história do discurso de ódio é o papo de petista. Eles pagam um monte de vagabundos pra fazer protestos pró Dilma , tudo com o nosso dinheiro. Roubam discaradamente , nos ameaçam , colocando homens fortes de cara feia dizendo que vai baixar o pau, ameaçando colocar o exŕcito de Stédile(MST) na rua (são marginais e não trabalhadores) são extremanente arrogantes , enfim são ridículos e a sociedade tem que ser educadinha senão é discurso de ódio, quando pedimos o impeachment é golpe. Por muito muito muito menos o Collor de Melo sofreu o impeachment, mas ele não teve tempo de aparelhar o estado. É muito claro a intenção do PT de destruir o país pra por em prática os planos de poder do Foro de São Paulo. TEMOS QUE ENGOLIR A ARROGÃNCIA ESQUERDISTA ? Sr. Paulo Baia.

  2. Joaquim Caldas disse:

    O impeachment não pode acontecer por razões bem simples: O mensalão não aconteceu,aconteceu,mas foi anulado por uma líder de quadrilha,Dilma.Os três partidos(PSDB,PT e PMDB) estão envolvidos na cubanização do Brasil.Assim o projeto de poder,o decálogo de Lenin,disponível no GOOGLÉque está sendo inserido na constituição,não pode ser interrompido.Todos estes partidos estão empenhados no crime de lesa-pátria.Se Dilma cair,é possível que o PT denuncie o plano macabro da comunização,que envolve seus falsos adversários.Vocês não entendera ainda por que FHC,Sarney e a TV Globo não querem a demissão de Dilma,por justa causa? Se os militares derrubar o governo federal,eles acabam com o implante do comunismo nas Américas e o sonho dos bandidos vão para o beleleu! Os bandiso,falso democratas,estão financiando o crime organizado nas Américas com o dinheiro do povo brasileiro,mas a fonte está secando,ladrão liso entram em desesperos?!!.

  3. Joaquim Caldas disse:

    Se colocada em evidência a Lei nº 9.096/95,artigo 27.Os partidos majoritários como o PSDB,PT e PMDB,estaria extintos constitucionalmente.Estes partidos não representam a democracia,representam a cubanização da nação brasileiros,são traidores,travestidos de democratas,o pais sendo roubado e eles não procuram aplicar a constituição sobre os crimes praticados pelos partidos.Ninguém sabe de nada, quem pratica os escândalos são fantasmas que sonham com a realidade de roubo e assaltos aos cofres públicos,a obra nasce,o crime acontece,mas o sonhador não pode ser preso.O STF é o caça fantasma dos políticos.Os culpados são aqueles que não aparecem nos sonhos ou os que já morreram.

  4. Marcelo Rossa disse:

    Não existe polarização. O PSDB não quer derrubar quem o sustenta como oposição imaginária. É a estratégia das tesouras, muito bem conhecida. Se quisesse derrubar o PT, com tantas provas como tem, já o teria feito. Estão todos no mesmo barco.

  5. Áureo Ramos de Souza disse:

    Paulo Baía esta por fora das manifestações, as que ele frisou que foram pro governo ele esta enganado pois um cidão que estava naquela multidão foi entrevistado e disse ao reporte que estava ganhando para estar ali, portanto não aconteceu manifestação em favor da presidente Dilma. Agora as manifestações do domingo prova a insatisfação do povo pelo rombo que aconteceu em nossa maior empresa pública a Petrobras e corre a passo de tartaruga pois os ministros que a acompanham tem sempre um advogado bem pago para defender os ladrões da lava-jato, empresas de grande porte, deputados, senadores, diretores todo fizeram um CLUBE dando a cada um percentual para tirar dinheiro da Petrobras e quanto ao mensalão porque José Jenoino está solto? e continua recebendo o salário de deputado enquanto inventaram vaquinha para soltá-lo. Isto é uma vergonha para nosso país todos devem ser presos, ficar atrás das grades e sentir que lugar de ladrão é atrás das grades.

  6. Antunes Branco disse:

    Concordo plenamente com o comentario do Carlos Pozzobon abaixo. Os comentarios do “Sociologo” e “Cientista Politico” senhor Paulo Baia realmente bem demonstram que ele habita um outro mundo, extranho ao nosso.
    A maior perola desse senhor bem demonstra quem ele e ” Se nós tivéssemos em nosso processo educativo a construção da alteridade, de reconhecimento do outro como uma pessoa que é diferente de você, e não um espelho de suas ideias, ajudaria bastante”. Deus nos proteja ….

  7. Antonio Nunes Jr disse:

    Assim como a Dilma e sua equipe de 39 (puxa vida, tudo isso!) ministros não estão sendo capazes de compreender a mensagem das manifestações de junho de 2013 e de 15 de março de 2013, esse Paulo Raía, também demonstra não entender o que está ocorrendo. O que afirma é pura posição política, nada científica.

  8. Antonio Nunes Jr disse:

    Esse Paulo Baía está mais para um dos marketeiros da Dilma alinhado com o ministro da justiça, o Cardozo, do que para pensador independente sobre fenômenos sociais.

  9. Joma Bastos disse:

    O país ainda dando os primeiros passos na Educação e Cultura, para então depois poder começar a adquirir maturidade política. Temos um Ensino com baixíssima qualidade, em que a maioria dos alunos não entra no ensino superior, e aqueles que lá entram, grande parte deles tem algo de analfabetismo funcional.
    A maturidade política infelizmente não existe na América Latina, e a Venezuela é o grande modelo de uma sociedade que não está pronta a viver em democracia e não sabe alternar o poder político partidário com naturalidade.

  10. Carlos U. Pozzobon disse:

    Este cara não é um sociólogo, porém apenas uma pantera cor de rosa tentando conciliar o inconciliável. Suas declarações são patéticas e só podem provir de uma mente alienada, como se o Brasil tivesse que engolir o descalabro da corrupção com “um grupo ouvindo o outro”. A situação não é para ouvir, pois já ouvimos o suficiente. Agora é hora do chute no traseiro do governo. Fico perplexo ao ouvir estas pessoas cujas opiniões são de adolescentes mentais, que jamais poderiam ter sido diplomados. Isto comprova que a escola (de sociologia e outras ciências humanas) faz mais mal ao país do que se não existisse.

  11. Marluizo Pires Cruz disse:

    Neste front de guerra descrito no texto, os senhores incentivadores da guerra já devem ter logísticas de transposição de bens e pessoal para outros países, enquanto os induzidos nativos sofrerão as consequências da disputa de poder e os horrores das guerras por eles promovidas. Porquanto o caminho da Paz parece ser o melhor caminho para a humanidade caminhar. Atentai-vos ao canto da sereia.

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