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América Latina

Políticos que não desistem de cargos são como pilhas: perdem a carga

Políticos latino-americanos precisam saber quando se aposentar

Políticos que não desistem de cargos são como pilhas: perdem a carga
Expulso da presidência, Fernando Collor é senador desde 2007 (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Segundo o político britânico Enoch Powell, “todas as carreiras políticas terminam em fracasso”. No entanto, na América Latina, alguns parecem não ter fim. Apesar de Fernando Collor ter sido convidado a se retirar da presidência, por conta do impeachment que sofreu em 1992 devido à corrupção, ele é senador desde 2007. José Sarney foi presidente antes de Collor e passou 24 anos como senador, sendo oito como presidente da Câmara. Ele deixou o cargo em janeiro, aos 84 anos, mas ainda exerce influência por meio de seu filho, que é deputado federal.

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Álvaro Uribe, foi presidente da Colômbia entre 2002 e 2010, e agora lidera a oposição contra seu sucessor, Juan Manuel Santos, a partir de uma cadeira no Senado. No Chile, acredita-se que o ex-presidente Ricardo Lagos  quer voltar ao cargo em 2017, aos 79 anos. Um dos três principais supostos candidatos para a eleição presidencial do próximo ano no Peru é Alan García, que já ocupou o cargo duas vezes. Tabaré Vázquez, atual presidente do Uruguai, já esteve neste cargo entre 2005 e 2010.

Alguns ex-presidentes assumem a velhice e não tentam voltar ao poder para exercer uma influência mais discreta. Mas, apenas quatro países latino-americanos (México, Guatemala, Honduras e Paraguai) barram presidentes de ter mais de um mandato. (O presidente de Honduras agora quer uma emenda constitucional para permitir um segundo mandato consecutivo.) Enquanto isso no Brasil, políticos brasileiros de primeira linha muitas vezes aceitam empregos em níveis mais baixos do governo para se manterem às vistas do público. José Serra foi tanto governador como prefeito de São Paulo entre duas tentativas presidenciais que falharam.

Políticos mais velhos são ótimas ferramentas políticas. Não há garantia de perspicácia política na juventude. O primeiro mandato do deputado García no Peru, por exemplo, foi um desastre hiperinflacionário e ele tinha 36 anos. Seria discriminação negar o direito dos aposentados a continuar a buscar um alto cargo. Mas não é necessariamente sábio votar neles. Os políticos, como pilhas, eventualmente, ficam fracos, perdem a carga.

Fontes:
The Economist-The Duracell leaders

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