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MENSAGENS VAZADAS

Quatro contradições de Sergio Moro antes da licença não remunerada

Apesar de não reconhecer ‘total ou parcialmente’ mensagens da Lava Jato, Moro já deu explicações, mas truncadas

Quatro contradições de Sergio Moro antes da licença não remunerada
Ministro tirou cinco dias de licença na última segunda-feira, 8 (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Noventa e um indeferimentos a prisões cautelares requisitadas pelo Ministério Público Federal à 13ª Vara Federal de Curitiba durante o período em que foi juiz da Lava Jato. Com esse número, e com o cenho franzido, Sergio Moro negou, mais uma vez, no último 19 de junho, em audiência no Senado, que tenha sido conspiração a operação mais famosa do Brasil.

“Isso também demonstra que não existe convergência entre MPF e juízo necessariamente”, disse Moro naquela ocasião.

Nos Telegram Papers vazados dias antes pelo Intercept Brasil, consta a seguinte mensagem de Deltan Dallagnol a Moro, datada de 10 de maio de 2017: “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”.

Moro responde: “Blz”.

Se o MPF pedia oitivas ao juízo acertando previamente com o juiz, nos bastidores, seus respectivos indeferimentos, quantas das 91 prisões preventivas ou temporárias negadas por Moro à equipe de Dallagnol foram pedidas por “estratégia” também?

‘Constrangedor’

Na última sexta-feira, 5, a fim de contraditar a reportagem da revista Veja, que trouxe alguns dos mais novos materiais, até agora, sobre as articulações por trás do palco entre acusação e juízo da Lava Jato, o site O Antagonista publicou despachos do então juiz Moro com ordens de intimação por telefone ao MPF para que o MPF se manifestasse sobre petições das defesas da Odebrecht e de José Carlos Bumlai.

O site, porém, passa ao largo do fato de que Moro contatou Dallagnol reservadamente antes dos despachos para adiantar o chefe da acusação sobre o que estava para vir nos autos.

Moro repercutiu o texto de O Antagonista no Twitter, acrescentando de próprio punho o comentário de que o texto, com a reprodução dos seus despachos, seria “constrangedor” para a Veja, a quem o ministro lançou o desafio: “Será que tem resposta para isso ou vai insistir na fantasia?”.

Nos despachos publicados por O Antagonista, lê-se a ordem “intime-se o MPF, por telefone”. Essa ordem é apresentada por O Antagonista, e por Moro, como prova de que os “contatos telefônicos” entre Moro e Dallagnol sempre estiveram lá, nos autos.

Que os contatos revelados pela Vaza Jato, recorrentes, tenham sido feitos em chats secretos de aplicativo de celular entre Moro e Dallagnol em pleno curso da Lava Jato, para definir “estratégias” de acusação, isso parece ser mero detalhe. Ou, na palavra preferida do ministro da Justiça, depois de “escusa”: “normal”.

‘Cá entre nós’

Em nota à imprensa emitida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre a reportagem da Veja, lê-se que “acusa a Veja o ministro, então juiz, de ter obstaculizado acordo de colaboração do MPF com o ex-deputado Eduardo Cunha. O ocorre que eventual colaboração de Eduardo Cunha, por envolver supostos pagamentos a autoridades de foro privilegiado, jamais tramitou na 13ª Vara de Curitiba ou esteve sob a responsabilidade do ministro, então juiz”.

Nos Telegram Papers, lê-se o seguinte diálogo, de 5 de julho de 2017:

Moro: “Rumores de delação do Cunha… Espero que não procedam”

Dallagnol: “Só rumores. Não procedem. Cá entre nós, a primeira reunião com advogados para receber anexos (nem sabemos o que virá) acontecerá na próxima terça. Estaremos presentes e acompanharemos tudo. Sempre que quiser, vou te colocando a par”.

Moro: ”Agradeço se me manter informado. Sou contra, como sabe”.

Será possível?

No último domingo, 7 de julho, a Folha de S.Paulo publicou reportagem, mais uma, com base nas mensagens de Telegram entre Moro e Dallagnol obtidas pelo Intercept Brasil, mostrando que, em agosto de 2017, o então juiz da Lava Jato puxou o gatilho de uma mobilização de bastidores, entre procuradores da operação, para entregar a estrangeiros que sequer tinham mais cargos públicos em seus países (nomeadamente a ex-procuradora-geral da Venezuela) informações sob segredo de Justiça no Brasil.

No mesmo dia, no Twitter, Moro tentou rebater a Folha dizendo que a Folha considera crime “supostas discussões para tornar públicos crimes de suborno da Odebrecht na Venezuela”, e deixa no ar a pergunta: “é sério isso?”.

Horas depois, no Diário Oficial da União dessa segunda, 8, saiu uma autorização presidencial para que o ministro da Justiça e Segurança Pública tire cinco dias de licença não remunerada.

É sério, sim. É possível, porém, que a sociedade brasileira e as instituições republicanas do Brasil, “florão da América”, considerem que Moro “fez o que tinha que fazer” contra “a petralhada bandida”, o que, claro, inclui o governo bolivariano da Venezuela. Tudo com o pano de fundo das suspeitas levantadas sobre a autenticidade de material jornalístico publicado por um prêmio Pulitzer e dois dos órgãos de imprensa de que a Lava Jato tanto se valeu, ainda ontem, para garantir, ora veja, credibilidade.

É possível. Mas… Será possível?

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10 Opiniões

  1. Henrique Meyer de Azevedo disse:

    Sugiro que a pessoa que faz a leitura em voz alta, faça com pontuação.

  2. Bergson Benjamin de Melo disse:

    Com esse texto, só um incauto não percebe que o ON resolveu participar de um grupo que não acata os resultados sérios das urnas, as quais, aliás, elegeram o mais legitimos dos presidentes depois da redemocratização. Amadureçam!

  3. Jairo Siqueira disse:

    Fala sério ON. Qual o próximo passo? Devolver à Odebrecht, à OAS, ao Cunha, ao Geddel e outros corruptos os bilhões apreendidos? Rasgar todas as confissões?

  4. Roberto Henry Ebelt disse:

    Na minha humilde opinião o BERGSON BENJAMIN DE MELLO está totalmente correto, o que é lamentável, pois o bias esquerdista do nosso antigamente querido site Opinião e Notícia chega a ser gritante ao tecer comentários maldosos sobre coisas estapafúrdias que nem tem valor legal. Meus pêsames.

  5. MAURO DOMINGOS DE SOUZA disse:

    Deixei de apoiar este, até então candidato, qdo percebi que justiça no Brasil, lenta como é de fato estava deveras célere,… me perguntei pq? nunca foi assim. Pq não contra Aécio, Temer, Alckmin, mas justo com Lula? Se a perseguição não há justiça e só quem quer a qqer custo suas vontades feitas apoia isso. Mas pau que dá em Chico também deve dar em Francisco e estou aqui confortável no sofá de casa esperando a farsa cair, não demora, difícil será depois de td isso tornar isso o maior crime eleitoral que este país já teve e saber que vc fez parte do golpe sem saber.

  6. carlos alberto martins disse:

    o que Moro está fazendo é apenas uma curta retirada estratégica.que se cuidem os incautos que ele virá com muitas surpresas aos que pensam que ele está fraquejando.não acredito que ele iria trair milhões de brasileiros que o estão apoiando a passar o Brasil a limpo

  7. jayme endebo disse:

    O & N passou a ser mais uma mídia que se tornou cúmplice de criminosos, uma pena. Bolsonaro vai continuar presidente, o Moro vai continuar ministro e a lava jato vai seguir em frente, gostem ou não. Vocês estão falindo e não percebem um palmo na frente do nariz.Segue o enterro….

  8. Beth disse:

    Quem sobreviver verá? Mas, sejamos fiéis à história, por mais que isto possa te constranger. Meu pai, por exemplo, foi capitão do mato da arena, hoje com quase noventa anos, nós filhos, temos pena de relembrar a ele o quanto prejudicou sua família e amigos por pura ignorância, isto a 50 anos atrás, hoje só existem duas possibilidades para capitães do mato: Ou é mais um parasita ou um camarão, sem querer ofender o bichinho é claro.

  9. Rogerio de Oliveira Faria disse:

    Não sei o que sobrará do Brasil até 2022 se essa “Reforma da Previdência” não nos levar para o “paraíso” como diz o Guedes…

  10. Luiz Alberto Franco disse:

    O contraditório, que agora vem surgindo com força em Opinião&Notícia, só demonstra seu crescimento e a clareza de que o site tem uma posição não atrelada a partidos. Honestidade intelectual da direção deve ser louvada.

    A lamentar, apenas, que alguns dos leitores que se manifestam, o fazem com um radicalismo inteiramente condenável. Pensar e agir como se não existisse um largo espectro de posições políticas entre extrema esquerda e extrema direita é totalmente inaceitável.

    Meu grande abraço de parabéns à direção e à equipe de Opinião&Notícia.

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